Resenha: Mastodon – Emperor of Sand

Lançamento: 31/03/2017
Gênero: Metal Progressivo, Metal Alternativo
Gravadora: Reprise Records
Produtor: Brendan O’Brien.

Nos últimos anos, poucas bandas de metal conseguiram se infiltrar no mainstream como a Mastodon. Com seu mais recente álbum, eles encontraram um equilíbrio perfeito. Lançado em 31 de março de 2017, “Emperor of Sand” é mais bem estruturado do que “The Hunter” (2011) e “Once More ‘Round the Sun” (2014). Trabalhando novamente com Brendan O’Brien, Mastodon manteve seus conhecimentos técnicos. “Emperor of Sand” é uma adição sábia ao catálogo deles, pois compartilha um conceito e provoca o público com suas mensagens. Mas isso não é uma coisa nova para a Mastodon. Cada um de seus discos possuem sua própria história, ao mesmo tempo que combinam com o resto da discografia. Musicalmente, “Emperor of Sand” é excepcionalmente pesado. Não contém um desvio fundamental dos elementos já conhecidos da banda, entretanto, adiciona uma nova atmosfera.

A direção sonora atual da Mastodon está em algum lugar entre o mainstream e um retorno às suas raízes. Com este registro, eles fizeram um álbum dirigido pela narrativa, algo visto pela última vez em “Crack the Skye” (2009). A narrativa cresce de forma orgânica à medida que o repertório se desenvolve. A mãe do guitarrista Bill Kelliher ficou doente e, infelizmente, morreu de câncer em 2016. Essa perda mostrou um novo caminha para esse álbum da Mastodon. Sem dúvida, “Emperor of Sand” têm tons mais escuros do que os seus dois últimos lançamentos. O brilho musical da banda está em exibição completa por aqui. O seu som está mais versátil do que nunca. Um elemento incrível para as músicas é a excelente bateria de Brann Dailor. O cara traz uma abundância impressionante, além de ritmos técnicos incríveis e muitas camadas de energia. Enquanto isso, Brent Hinds e Bill Kelliher inspiram através das guitarras, mantendo um estilo de assinatura já conhecido.

Ambos fornecem uma série de faixas serpentinas, riffs bem desenvolvidos e solos incrivelmente ardentes. Com ajuda de Brendan O’Brien, Mastodon adquiriu, sem dúvida, uma produção sólida o suficiente. “Sultan’s Curse” é talvez a faixa de abertura mais forte que a banda escreveu nos últimos anos. Aqui, eles pegaram as partes mais potentes do “The Hunter” e misturaram-as com riffs poderosos, emocionantes melodias e uma grande quantidade de energia. O segundo single, “Show Yourself”, e “Steambreather”, são uma das canções mais comerciais que o Mastodon já compôs até à data. Dois números acessíveis feitos sobre medida para as rádios de rock contemporâneo. “Steambreather”, em particular, é reforçada por melodias vocais muito cativantes de Brann Dailor, além de tambores estelares e uma grande dinâmica sonora. A terceira faixa, “Precious Stones”, é uma adição sutil que possui uma ótima percussão.

“Não desperdice seu tempo / Não deixe-o escapar de você / Não desperdice seu tempo / Talvez seja a última coisa que você poderá fazer”, Troy Sanders canta no refrão. É um lembrete sobre o conceito do álbum e da mensagem que a banda está tentando transmitir ao ouvinte. A próxima faixa, “Roots Remain”, é um número muito assombroso. Ela abre com um som silencioso, comandado por uma guitarra de aço e uma brisa sônica flutuante e distorcida. Por outro lado, “Word to the Wise” obtém um maior equilíbrio ao apresentar versos robustos de Sanders e um coro melódico de Dailor. Hinds e Kelliher são dois dos melhores guitarristas da atualidade. Canções como “Word to the Wise”, “Andromeda” e “Ancient Kingdom” exemplificam a interação da dupla. Ademais, “Andromeda” apresenta vocais convidados de Kevin Sharp. Ele ajuda a transformar a música em um dos momentos mais pesados do disco.

Tal como a maioria dos álbuns anteriores da Mastodon, “Emperor os Sand” contém a presença de Scott Kelly da Neurosis. Sua contribuição em “Scorpion Breath” reforça uma das tradições da Mastodon. “Clandestiny”, por sua vez, é um dos destaques do álbum por causa de sua cadência urgente. Aqui, temos uma camada peculiar de sintetizadores espaciais e um desvio sônico estranhamente acolhedor. Durante o refrão, uma escuridão assume o papel conforme Troy Sanders canta: “Doe a sua vida / Então eu poderei respirar / Salve sua vida / É tudo o que precisamos”. O refrão realmente acrescenta um sentimento de desespero ao álbum. No meio da música, ainda há uma grande mudança, com distorções adicionais sobre as guitarras. No final de tudo, a música termina com um solo de guitarra, ao passo que os vocais desaparecem lentamente. Um número épico de quase 8 minutos, intitulado “Jaguar God”, mostra a natureza mais aventureira da banda. É um final adequado para um álbum tão poderoso como esse.

Uma canção que se transforma de uma balada acústica para um banger cósmico. Inicialmente, sua bela introdução acústica é acompanhada de harmonias vocais e bateria dramática. A música cresce a partir deste ponto e torna-se cada vez mais pesada. Posteriormente, uma linha de baixo sólida torna-se um ponto focal. Conforme “Jaguar God” fecha o álbum, um ritmo lento e um solo de Hinds declara o fim do “Emperor of Sand”. Desde o ano 2000, Mastodon tem sido um dos atos de metal mais produtivos. Eles evoluíram o seu lado mais implacável para uma força progressiva e aclamada. Em 2017, os fãs foram recompensados com um conjunto de músicas modernas cheias de ganchos estridentes e uma atmosfera mais refinada. “Emperor of Sand” é a prova da coesão pessoal da banda, assim como a evolução musical da mesma. Os membros são incrivelmente talentosos e têm uma compreensão lírica única. Esse disco é altamente emocional e, musicalmente, o melhor lançamento da Mastodon desde “Crack the Skye” (2009).

Favorite Tracks: “Show Yourself”, “Clandestiny” e “Andromeda”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.