Resenha: Mary Lambert – Heart On My Sleeve

Lançamento: 14/10/2014
Gênero: R&B, Pop, Folk
Gravadora: Capitol Records
Produtores: Mary Lambert, Eric Rosse e Benny Cassette.

Mary Lambert é uma cantora de Seattle, Estados Unidos, atualmente com 25 anos, que fez muito sucesso com o hit “Same Love”, em parceria com Macklemore & Ryan Lewis. Ela co-escreveu a música que fala sobre os direitos dos homossexuais, baseando-se em sua experiência como “uma lésbica que cresceu em uma educação cristã tumultuada”. Em outubro de 2014, Mary Lambert lançou o seu primeiro álbum de estúdio, intitulado “Heart on My Sleeve”. O disco estreou em #29 na parada da Billboard 200 dos Estados Unidos e trouxe canções carregadas de emoções. Lambert têm sido muito comparada com Adele, Tori Amos e James Blake, e seus shows são descritos como “espaços seguros onde chorar é aceitável e até mesmo encorajado”. Antes de se juntar com Macklemore e Ryan Lewis e fazer sucesso com “Same Love”, Lambert era desconhecida para aqueles fora de Seattle. Embora essa canção, aparentemente, habilitou a cantora para obter um salto em sua carreira, muitos ainda não se familiarizaram com sua música.

Criando um som clássico, com sua voz poderosa, Mary Lambert colocou dentro desse trabalho tudo aquilo que a tornam única. Ao mesmo tempo, ela expressa a sua dor nas partes sombrias do repertório, nos lembrando através de suas letras que ninguém é perfeito e que todos compartilhamos lutas semelhantes. O título do álbum, indica um manifesto conciso de seu trabalho como cantora e poeta. E após assinar um contrato com a Capitol Records, ela teve uma grande oportunidade de apresentar seu trabalho, honesto e cru, para o mundo. “Heart on My Sleeve” é um material auto-reflexivo e exala muita franqueza, através de um vocal ressoante e íntimo. Na primeira faixa, “Secrets”, que também foi lançada como primeiro single, Mary Lambert prefere aceitar suas falhas individuais e compartilhá-las com o mundo, ao invés de escondê-las. Ela sabe que enconder seu “verdadeiro eu” não é saudável e decide ser fiel consigo mesma. Liricamente, a cantora lista todas as suas falhas percebidas, sem medo, e anuncia que não quer escondê-las.

“Secrets” é uma faixa honesta, que normalmente você não vê algum artista cantando. A maioria das pessoas escondem suas imperfeições, mas Lambert se inspira e fala sobre seus segredos. Desde transtornos bipolares até problemas familiares, Lambert fez questão de ser um livro aberto, como ouvimos no verso: “I’ve got bipolar disorder / My shit’s not in order”. O tom e o ritmo da música é simpático e levanta suas confissões para algo cativante e divertido, além de trazer uma mensagem poderosa. Foi uma ótima maneira para começar um álbum, mesmo que o restante das faixas pendurem-se em um ritmo mais lento. A segunda faixa, “So Far Away”, é uma balada pop sobre ficar separada de seu amor e dormir sozinha à noite. Lambert implora seu amante para ficar ao lado dela, alegando que são melhores e mais fortes quando estão unidos. As letras são realmente sinceras, um testemunho verdadeiro e um desejo incontrolável de ficar com aquela pessoa especial. Aqui, o vocal de Mary Lambert está muito mais doce, enquanto a melodia e a construção de acordes de piano e batidas eletrônicas, provavelmente, fazem qualquer adolescente amargurado pular e gritar junto.

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Ao longo do álbum, somos confrontados com letras incrivelmente honestas e boas músicas pop, mostrando o quão talentosa Lambert é. Em “Ribcage”, por exemplo, Lambert, acompanhada pelas rappers Angel Haze e K.Flay, impressiona com outro número de destaque. É uma música sonoramente agradável e sedutoramente estranha, com Angel Haze, em especial, adicionando um toque único com o seu rap. Ela e K.Flay colocam uma torção R&B que foram essenciais para a extensão reflexiva de Lambert. É uma faixa inteligente, que mostra outro lado profundo da cantora. A faixa “Dear One” é acompanhado por uma voz etérea, bem como uma instrumentação aural e um piano simples. A voz de Lambert que toma o lugar central nesta canção, por conta de sua entrega apaixonada e totalmente falada. A simplicidade dessa música induz arrepios, além de ser uma oferta inesperada e verdadeiramente pessoal. A balada “When You Sleep” também é apoiada por uma peça de piano simples, enquanto Mary Lambert canta sobre o amor. Aqui, ela afirma que nunca percebeu que sua vida estava incompleta até que conhecesse determinada pessoa.

A canção parece até uma proposta de casamento quando Lambert pergunta docemente se seu amor vai dormir ao seu lado (“Will it be with me? / When you sleep will it be with me?”). É um música simples e comoventemente suave, que invoca um sentido profundamente persistente, quando ouvimos Lambert prometendo fornecer amor eterno para seu amante. “Chasing the Moon”, por sua vez, é uma exuberante mid-tempo onde Lambert canta sobre os dias de glória de sua juventude junto de um senso de imortalidade jovial. Apoiada por um grupo de backing vocals ofegantes, ela fala de suas aventuras com amigos. É uma faixa brilhante e fresca, praticamente uma rebelião juvenil que serve como uma lembrança comovente de dias simples da vida. A sétima faixa, “Jessie’s Girl”, é um cover de Rick Springfield que atingiu o topo da Billboard Hot 100 em 1981. Mary Lambert conseguiu fazer uma reinterpretação brilhante, transformando-a em uma balada melancólica, em vez de uma música otimista da qual os ouvintes estavam acostumados.

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Esta capitulação da canção realmente se concentrou em sentimentos de saudades, que ela cantou melhor do que o esperado e ainda entregou delicados falsetes. Em seguida, temos “Monochromatic”, um testamentos para depressão, comparando a doença a viver uma vida em preto e branco (“But my life’s in black and white / Will it ever get better / I’m not monochromatic / Nobody’s monochromatic”). A cantora proclama que anseia por uma vida mais colorida, semelhante a que ela experimenta em seus sonhos. É uma canção feita para a humanidade do sofrimento, mas com o desejo de superação. “Heart On My Sleeve”, faixa-título, começa com uma linha de guitarra que acrescenta uma sensação de maior profundidade em sua letra. É uma canção mais otimista e fala sobre a união de um relacionamento. No refrão, a música torna-se muito mais leve e quase eufórica, com Lambert abraçando uma vida de honestidade aberta.

A balada “Wounded Animal” é estruturada em torno do refrão, no qual Mary Lambert pede desculpa várias vezes para o seu amor, por não se esforçar o suficiente para as coisas funcionarem. Não é uma música tão forte, porém, cheia de arrependimentos e desejos de fazer as coisas corretamente. A última faixa da versão padrão do disco é “Sum of Our Parts”, uma canção sobre auto-aceitação. “We are more than our scars / More than the sum of our parts”, ela canta. Possui uma melodia que, provavelmente, vai ficar presa em sua cabeça por alguns dias. Na mesma medida a letra soa quase como um conto de bravura, onde a cantora incentiva os ouvintes a amarem-se verdadeiramente. Esta pista foi uma ótima maneira para encerrar a experiência emocional que Mary Lambert teve com esse registro. Todo o álbum é uma introdução à Lambert, que domina o repertório com uma voz poderosa e ótimas habilidades como pianista.

Ela é uma artista definitivamente honesta, verdadeira e prova que ser você mesmo, é a melhor maneira de vender sua arte. As canções dela são tão sinceras, que facilmente exibem uma abundância de emoção crua. Não importa o que você já fez durante sia vida, é quase certeza que você vai se relacionar com algo nesse registro. É difícil se abrir sobre tais experiências pessoais, mas Lambert não teve escrúpulos ao fazer isto. O álbum provavelmente não vai catapultar Mary Lambert para o sucesso mainstream, mas eu acho que foi um ótimo passo em sua carreira. Porque além de conter faixas viciantes, o álbum é muito bem escrito, arranjado, produzido e executado. Lambert demostrou ter uma incrível capacidade para emocionar, seja cantando ou falando. O disco aborda questões de depressão, auto-aceitação, amor, juventude, fim de relacionamentos, entre outros temas, dos quais ela realizou com muita maturidade. A emoção crua e verdadeira faz sua música ser incrivelmente relacionável.

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Favorite Tracks: “Secrets”, “So Far Away”, “Ribcage (feat. Angel Haze & K.Flay)”, “When You Sleep” e “Sum of Our Parts”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.