Resenha: Martina McBride – Everlasting

Lançamento: 08/04/2014
Gênero: Soul, R&B, Country
Gravadora: Vinyl Recordings
Produtores: Don Was.

“Everlasting” é o 12º álbum de estúdio da cantora country Martina McBride, lançado em 08 de abril de 2014, pela sua própria etiqueta. O álbum apresenta covers de soul e R&B, bem como duetos com Gavin DeGraw e Kelly Clarkson. A produção do disco ficou por conta de Don Was e estreou em #7 na Billboard 200 com vendas de 21 mil cópias nos Estados Unidos. McBride fez história com esse álbum, pois tornou-se a primeira artista feminina na história a estrear em #1 lugar na parada de Álbuns Country da Billboard, com um material lançado e distribuído totalmente de forma independente. Muito conhecida por sua gama soprano, Martina McBride já é uma cantora muito consolidada dentro do meio country. Ela já vendeu um mais de 14 milhões de álbuns apenas nos Estados Unidos e já ganhou 3 ACM Awards, um dos prêmios mais importantes do gênero country. No Grammy Award, ela já foi indicada 14 vezes, mas infelzimente, nunca saiu vitoriosa.

McBride também já foi assinada pela RCA Records de Nashville e fez sua estreia no ano de 1991. Inicialmente, adotou um estilo country tradicionalista, mas com o tempo, desenvolveu um som que cruzava com o pop, semelhante ao de Shania Twain e Faith Hill. Apesar de serem diferentes entre si, a música country e o soul tem muita coisa em comum: ambos possuem talentosos vocalistas, compositores impecáveis e canções com belas melodias. Por isso, embora possa parecer uma mudança drástica de Martina McBride ir para o soul com esse mais recente álbum, na verdade é algo muito compreensível. Ela se reuniu com o produtor Don Was e tirou da poeira suas músicas clássicas favoritas para transformá-las em algo fresco novamente. Entre os covers presentes no disco, temos “Do Right Woman, Do Right Man”, famosa gravação de Aretha Franklin e “Suspicious Minds” famosa na voz de Elvis Presley.

No geral, esse registro soa muito polido e íntimo. Há um calor entre as produções de Don Was, que combinou de forma exemplar com a doce voz de Martina McBride. Logo, este material ficou ainda mais rico que o seu primeiro disco de covers lançado em 2005. A cantora encarou habilmente um punhado de música soul, R&B e pop, e mergulhou em suas harmonias celestiais. Mas isso não é novidade, ela sempre ofereceu interpretações sólidas durante sua carreira. Ela é de fato uma das maiores artistas do sexo feminino na história da música country. Seria exagero colocarmos ela no mesmo patamar de Dolly Parton, Loretta Lynn, Patsy Cline e Tammy Wynette? Fica a questão. Bom, como já sabemos, McBride já possui um forte catálogo, uma grade longevidade em sucesso comercial, aclamação da crítica e acima de tudo talento vocal puro.

Martina McBride

Portanto, verificamos se todo o seu prestígio apreceu durante a execução desse disco, a começar pela faixa “Do Right Woman, Do Right Man” que ficou famosa na voz da Rainha do Soul. Abrindo com um piano, essa música se ajustou naturalmente ao vocal de McBride, mas sem a mesma eclipsar a versão de Aretha Franklin. Na verdade, ela nem se preocupou em transformar-lá em uma canção country. Apenas adicionou um pouco de violino e alguns sotaques, mas no geral, foi convincente e permaneceu fiel a versão original. A segunda faixa, “Suspicious Minds”, popularizada por Elvis Presley, com um toque de country foi outra interpretação bem sucedida, embora com um tom menos apaixonante que a versão do Rei do Rock. A balada R&B/soul “If You Don’t Know Me By Now” é sublime, aqui McBride manteve-se suave e conseguiu permanecer inteiramente fiel a versão original de Harold Melvin & the Blue Notes.

O cover de “Little Bit of Rain” de Fred Neil, provou ser um número de equilíbrio, com a sua essência sendo preservada estilisticamente e a inclusão de country sendo efetivada com sucesso. A cantora foi acompanhada por uma guitarra acústica e terminou por fazer uma performance vocal controlada e notável, mesmo que brevemente. Em “Bring It on Home to Me”, uma jóia de Sam Cooke, encontramos Martina McBride em um dueto com o cantor Gavin DeGraw. Apesar de DeGraw não possuir um vocal tão eficaz para o soul, sua abordagem mais suave não tirou o êxito da canção. A química entre os dois foi fundamental para manter a interpretação desse clássico agradável. O ritmo é acelerado em “Come See About Me”, canção da The Supremes, onde o estilo suave de McBride continua a dominar. Os vocais de apoio vintage acentuam ainda mais a boa interpretação da cantora.

Martina McBride

“What Becomes of the Brokenhearted”, 1966, de Jimmy Ruffin, foi uma ótima inclusão e McBride não decepcionou ao cantá-la lindamente. Essa canção é muito popular, além de incrivelmente bem escrita e memorável, e a cantora ao fazer um trabalho sólido e fornecer uma produção ligeiramente mais acentuada, levou o se desempenho para outro nível. Na faixa “I’ve Been Loving You Too Long” de modo algum Martina conseguiu superar Otis Redding, porém, mais uma vez, ela forneceu uma performance equilibrada, suave e mais fiel às suas raízes country. A nona faixa, “Wild Night”, de Van Morrison, é uma up-tempo que empolga com o seu ritmo mais acelerado. É provavelmente o número mais movimentado do registro, pronto para ser cantado junto e proporcionar uma dose de divertimento.

Com “My Babe”, décima faixa, a cantora demonstra sua atrevida força feminina e mescla, novamente, o country com o soul. Essa canção de 1955, originalmente de Little Walter, tem um balanço muito bacana e fez McBride fornecer uma performance bem sensual. “To Know Him Is to Love Him”, do grupo The Teddy Bears, fecha a edição padrão do álbum tranquilamente, permitindo McBride entregar uma performance fascinante. A versão do disco no iTunes ainda oferece duas faixas bônus, “By Your Side” de Sade e “Perfect” da cantora P!nk. “Everlasting” é realmente um registro agradável, um esforço sólido como um todo, a partir de uma das vozes mais proeminentes do country. Não é uma reinvenção para sua carreira, mas Martina McBride foi eficiente no seu segundo álbum de covers. O “Everlasting” provou ser um daqueles álbuns que você consegue ouvir tranquilamente do começo ao fim, especialmente, porque suas canções são clássicos que resistiram ao teste do tempo.

Martina disse em uma entrevista, antes do seu lançamento, que passou meses escolhendo as músicas para formar a tracklist, o que ficou evidente. Porque cada faixa fornece algo diferente, e mesmo não possuindo necessariamente um tema recorrente em sua execução, o álbum funcionou bem. Outro ponto a destacar foi a sua versatilidade e vontade de abordar outros gêneros, como o soul, R&B e blues. O álbum foi produzido pelo lendário Don Was, é o primeiro lançamento do próprio selo de Martina (Vinyl Recordings) e foi distribuído através da etiqueta Kobalt. Talvez seja essa liberdade produtiva que transpareceu que McBride estava se divertindo durante suas interpretações. Há um equilíbrio incrível neste projeto, onde ele abrange muito bem tanto as canções up-tempo, como as baladas. Com “Everlasting”, ficou mais evidente que o talento e a voz de Martina McBride não têm limites. Ela pode cantar qualquer canção de qualquer gênero e fazê-la soar impecável. Particularmente, também foi impressionante ela ser capaz de levar esses clássicos do R&B e soul para seus fãs e público da música country, que podem ou não estar familiarizados com estes hits.

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Favorite Tracks: “Do Right Woman, Do Right Man”, “Suspicious Minds”, “If You Don’t Know Me By Now”, “What Becomes of the Brokenhearted” e “To Know Him Is to Love Him”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.