Resenha: Maroon 5 – V

Lançamento: 29/08/2014
Gênero: Eletropop, Dance, Pop, Pop Rock
Gravadora: Interscope Records
Produtores: Max Martin, Ammo, Astma & Rockwell, Benny Blanco, Johan Carlsson, Cirkut, Jason Evigan, Darkchild, Adam Levine, Andre Lindal, The Monsters and the Strangerz, OzGo, Shellback, Stargate, Ryan Tedder e Noel Zancanella.

“V” (pronúncia-se “Five”) é o quinto álbum de estúdio da banda americana Maroon 5 e foi lançado dia 29 de agosto de 2014 através Interscope Records. Esse é o primeiro álbum da banda a ser lançado depois da A&M Records transferir a maioria de seus artistas para a Interscope. E marcou também o retorno do tecladista Jesse Carmichael, depois de sua ausência no álbum anterior.  Com vendas de 164 mil cópias em sua primeira semana, o disco estreou em #1 lugar na Billboard 200 dos Estados Unidos. O “V” possui 11 canções em sua versão padrão, incluindo uma parceira com Gwen Stefani, e mais 3 faixas bônus na versão de luxo. O Maroon 5 nos últimos anos deixou de lado o pop rock cativante do primeiro álbum “Songs About Jane”, para focar inteiramente em um som mais pop, eletrônico e disco, a exemplo do álbum “Overexposed”.

Grande parte do sucesso que adquiriram pode ser creditado a esse novo caminho, por isso, atualmente, estão trabalhando com nomes acostumados a produzir hits em potencial. O primeiro single do registro foi “Maps”, que é boa e aparenta ter aspecto de grande hit logo no primeiro play. No entanto, a mesma é aquele tipo de música que enjoa facilmente, por conta do excesso de agudos de Adam Levine. Produzida por Shellback, a segunda faixa, “Animals”, foi a escolha para suceder “Maps” como single. Uma canção de mais qualidade, com uma pegada eletrônica, porém, com o mesmo apelo comercial que a primeira. A letra faz diversas referências e comparações do mundo selvagem com sexo, principalmente quando Levine canta grosseiramente para sua amante: “Don’t deny the animal that comes alive when I’m inside you”.

Em seguida, temos a melhor faixa do álbum, “It Was Always You”, que foi lançada erradamente como countdown, visto que tinha grande potencial para se tornar single. Produzida por Monsters and the Strangerz, é uma canção eletrônica/disco comparável até com nomes como Daft Punk, sem dúvidas o maior acerto do “V”. “Unkiss me / Untouch me / Untake this heart”, assim pede Levine para uma ex na faixa “Unkiss Me”. Uma mid-tempo que mantém a boa vibe da faixa anterior, graças a sua pegada eletrônica e refrão grudento. “Sugar”, produção de Dr. Luke e Cirkut, parece uma cópia mal feita de “Birthday” da californiana Katy Perry. A sua percussão é praticamente idêntica, mas a culpa disso é dos produtores, que por sinal são os mesmos. Sua letra, um tanto quanto estranha, obviamente, compara o amor de uma garota com açúcar.

Maroon 5

A sexta faixa, “Leaving California”, têm batidas um pouco rápidas e exageradas para uma balada. Com auxílio na escrita de Nate Ruess, vocalista da banda fun, desta vez, Adam Levine canta para alguém não ir embora: “But if you run now, wait I won’t be alright”“In Your Pocket” é bem animada, no entanto, possui uma letra muito ruim. Na ponte da canção, por exemplo, Adam Levine canta em tom sério sobre celulares: “Show me yours / I’ll show you mine” (Mostre-me o seu / Eu vou te mostrar o meu). “New Love”, produção de Ryan Tedder, é muito fraca e não apresenta nada de novo. “Don’t give up on the moment tonight / You’ll regret it the rest of your life”, canta Levine fazendo todo tipo de firulas com os vocais em cima de sintetizadores. “Coming Back For You”, por sua vez, possui uma boa estrutura, presença de tambores e outro refrão grudento.

Aqui, a banda tenta acabar com as preocupações de uma namorada inquieta (“I’ll be back for you / So you better wait up / Keep the bed warm for me”). Na penúltima faixa ouvimos mais clichês líricos e muitos, muitos agudos de Adam Levine. “Feelings” têm um produção bacana e uma boa percussão, entretanto, o excesso de agudos no refrão são irritantes ao extremo. Para finalizar a versão padrão do disco, “My Heart Is Open” aparece com seu excessivo piano. Foi uma decepção para quem esperava um fantástico dueto com Gwen Stefani, pois resultou em apenas uma faixa sem brilho algum. O “V” é totalmente pop, construído com a ajuda de produtores acostumados a produzir grandes hits, como Max Martin, Benny Blanco, Shellback, Stargate e Ryan Tedder. É um álbum ambicioso, mas extremamente genérico, com quase todas as faixas lembrando outras produções.

Não é à toa que muitas pessoas não conseguem lembrar-se de uma música do Maroon 5 segundos depois de ouvir. Fora isso, o que mais desagrada são os falsetes excessivos e irritantes de Adam Levine. Os fãs e o público em geral já estão acostumados com os falsetes dele, que usados em momentos certos, são agradáveis, o problema é que nesse álbum ele exagerou na dose. O Maroon 5 parece ter deixado de ser uma banda há anos, às vezes parece que é formada apenas por Levine. O cara possui um carisma único e é boa pinta, mas não podemos esquecer do restante do grupo, formado por mais cinco integrantes. Sim, o “V” está recheado de hits prontos, é viciante e divertido de se ouvir. Entretanto, como já mencionado, o seu conteúdo lírico é fraco e vazio. Entre erros e acertos, a certeza que temos é que irá resultar apenas em um álbum de sucesso comercial, porém, muito esquecível.

60

Favorite Tracks: “Animals”, “It Was Always You”, “Unkiss Me”, “Leaving California” e “Coming Back for You”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.