Resenha: Maroon 5 – Red Pill Blues

Lançamento: 03/11/2017
Gênero: Pop, R&B, Eletrônica, Soft Rock
Gravadora: 222 Records / Interscope Records
Produtores: John Ryan, Noah Passavoy, OzGo, Phil Paul, Sam Farrar, Jason Evigan, J Kash, Adam Levine, Julien Bunetta, Afterhrs, Ben Billions, Charlie Puth, Diplo, King Henry, Ricky Reed, Cirkut, TMS, Benny Blanco, The Arcade, Louie Lastic, Ryan Ogren e Nick Bailey.

Depois do lançamento do “Songs About Jane” (2004), a carreira do Maroon 5 tem sido bastante mista. Para cada grande sucesso, havia sempre um par de faixas fillers em seu álbuns. À medida que a banda afastava-se do pop-rock sensual de sua estreia, eles adotavam cada vez mais um estilo eletrônico. Muito parecido com “Overexposed” (2012) e “V” (2014), o seu novo álbum de estúdio, “Red Pill Blues”, foi lançado em 03 de novembro de 2017. O seu sexto álbum no geral apresenta vocais de uma variedade de artistas que, consequentemente, interferiram na paisagem sônica da banda. Poucas músicas valem a pena nesse álbum, enquanto muitas provavelmente não suportarão o teste do tempo, ao contrário de singles anteriores como “This Love”, “She Will Be Loved” e “Sunday Morning”. Infelizmente, a maioria das batidas eletrônicas não complementam a voz de Adam Levine da forma que deveriam. Embora “Red Pill Blues” tenha o mesmo lirismo romântico característico da banda, ele possui um som eletrônico que lembra o duo The Chainsmokers. Esse som eletrônico está presente em algumas faixas divertidas, entretanto, na maior parte, é algo decepcionante. Infelizmente, “Red Pill Blues” não mantém a emoção e melancolia profana das melhores faixas do Maroon 5. O estranho título é uma referência ao filme “The Matrix” de 1999, no qual o protagonista deve escolher se engole uma pílula vermelha e descobre uma verdade cruel, ou toma uma azul e permanece ignorante perante a realidade. Uma das primeiras coisas que você notará no álbum é a ausência dos dois primeiros singles na versão padrão.

“Don’t Wanna Know” (com Kendrick Lamar) e “Cold” (com Future) só estão presentes na versão deluxe como bônus tracks. Este álbum não provoca uma mudança radical na banda, uma vez que possui o mesmo estilo dos dois últimos discos e alternam entre temas de desgosto e paixão. Portanto, é um álbum que permanece fiel à marca do Maroon 5. Como já mencionado, “Red Pill Blues” vê Adam Levine e companhia longe de suas raízes pop-rock em favor do gênero EDM, pop e R&B. Uma rápida olhada no repertório revelará que alguns dos maiores nomes do hip-hop atual marcam presença por aqui. Entretanto, nenhum deles conseguiu contribuir em suas respectivas músicas da maneira esperada. A capacidade de cada música tornar-se familiar em meio a um conjunto genérico de produtores, torna sua escuta cada vez mais desanimadora. Ademais, é incansável a quantidade de vezes que escutamos os falsetes de Adam Levine cantando o quanto ele gosta de determinadas mulheres. Aliás, a maioria das canções possuem uma estrutura lírica repetitiva e semelhante. Os versos são compostos por rimas simples e os refrões tendem a repetir as mesmas linhas duas ou três vezes. “Songs About Jane” (2004) estabeleceu o Maroon 5 como uma das melhores bandas de pop-rock do mainstream, graças às suas músicas sensuais e melodias melancólicas. Entretanto, este álbum foca principalmente em instrumentos sintetizados e bateria com efeitos adicionais, exalando um tom muito mais analógico e auto-sintonizado. Em outras palavras, “Red Pill Blues” fez o Maroon 5 abandonar de vez o som que o impulsionou para o sucesso.

Assim como nos seus dois últimos discos, os instrumentos eletrônicos são usados ​​em excesso e a maioria das músicas não possuem qualquer vulnerabilidade ou emoção. A primeira faixa, “Best 4 U”, rasteja sobre sintetizadores de estilo oitentista, percussão eletrônica, guitarras e batidas de hip-hop. Possui um groove bastante atraente e cativante, encontra Levine usando o seu registro superior de marca registrada e, inevitavelmente, o auto-tune. É uma música otimista claramente inspirada pelos anos 80, além de canalizar atos como The Weeknd. “What Lovers Do”, com a cantora SZA, é um número pop ensolarado muito parecido com algumas faixas do grupo DNCE. Aqui, a banda faz uma mistura de influências retrô, batidas eletrônicas, ritmos funky e elementos modernos. Mais uma vez, Adam Levine usa falsetes durante o refrão, enquanto SZA o complementa perfeitamente. O refrão desesperado de “Wait” é um momento particularmente bem construído. Possui um ritmo mais distinto que combina com o tema lírico proposto. Sonoramente, é formada por uma mudança fundamental no teclado, batidas consistentes e repetições suplicantes. Em “Lips On You”, Levine tenta injetar um pouco de profundidade no álbum com o apoio de uma boa percussão. Sua atmosfera consegue exalar um clímax diferenciado, ao passo que Levine emite vocais mais consistentes. Enquanto “Bet My Heart” explora alguns sons de violão e adicionam um sabor caribenho no repertório, os ásperos vocais de Julia Michaels o auxiliam na divertida “Help Me Out”. Em seguida, as coisas ficam mais familiares durante “Who I Am”, uma das faixas mais animadas do álbum.

Uma canção post-disco e synthpop com uma inesperada seção de rap (cortesia de LunchMoney Lewis). “Whiskey”, com A$AP Rocky, é provavelmente uma das faixas mais entediantes do repertório. Aqui, a banda mistura superficialmente e lentamente alguns elementos de EDM com versos de rap. Da mesma forma, a monótona “Girls Like You” também trabalha sobre fundamentos eletrônicos e maçantes riffs de guitarra. O fraco refrão só reforça a má qualidade da música, que não soaria fora do lugar se estivesse presente no “V” (2014). A última faixa da versão padrão do álbum, intitulada “Closure”, possui surpreendentemente 11 minutos de duração. É um número quase insuportável e excruciante com uma duração totalmente desnecessária, uma vez que não faz jus a isso. Embora seja uma faixa ambiciosa de jazz-fusion e blue-eyed soul, não possui nada de impressionante que prenda sua atenção por tanto tempo. Os primeiros quatro minutos incluem vocais de Adam Levine, handclpas e licks de guitarra acústica, enquanto o restante é composto por um longo e enfadonho instrumental. Se os fãs do Maroon 5 estavam esperando a banda voltar às suas raízes, “Red Pill Blues” poderá ser uma decepção. Embora algumas músicas sejam cativantes, as letras do álbum não possuem uma substância real. Como resultado, o registro é formado por uma série de faixas pop genéricas e superficiais. Basicamente, “Red Pill Blues” é a síntese de uma indústria cada vez mais carente de profundidade. Em suma, este álbum mostra que o Maroon 5 não está preocupado em correr riscos ou se reinventar.

Favorite Tracks: “Best 4 U”, “What Lovers Do (feat. SZA)” e “Wait”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.