Resenha: Mariah Carey – Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse

Lançamento: 23/05/2014
Gênero: R&B, Soul, Pop, Hip-Hop, Disco, Gospel
Gravadora: Def Jam Records
Produtores: Darhyl “Hey DJ” Camper, Mariah Carey, Bryan-Michael Cox, Brook Davis, Jermaine Dupri, Happy Perez, Hazebanga, Heatmyzer, Hit-Boy, Darkchild, Miguel, Mike Will Made-It, The-Dream, Q-Tip, Rey Reel, C. “Tricky” Stewart e Big Jim.

Mariah Carey, uma das melhores vozes da sua geração, lançou em 2014 o seu décimo quarto álbum de estúdio sob o título “Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse”. Anteriormente intitulado “The Art of Letting Go”, o álbum foi originalmente programado para ser lançado em 2012, após o lançamento do single “Triumphant (Get ‘Em)” com Rick Ross e Meek Mill. No entanto, depois do baixo desempenho, a música foi retirada do álbum e outras adicionadas, fazendo com que a data de lançamento tenha sido adiada várias vezes ao longo de 2013 e 2014. Nas, Miguel, Wale e Fabolous fazem aparições no álbum, além de R. Kelly e Mary J. Blige, em faixas da versão de luxo. Esse álbum foi precedido por três singles antes do seu lançamento oficial, as canções escolhidas foram “#Beautiful” (dueto com Miguel), “The Art of Letting Go” e “You’re Mine (Eternal)”. Nos Estados Unidos, o álbum estreou em #3 na Billboard 200 com vendas de 58 mil cópias.

Composto por quinze canções e mais quatro na versão de luxo, “Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse” tem um estilo musical diversificado, pois além do R&B também incorpora pop, soul, hip-hop e elementos de disco e gospel. Com um vocal bem relaxado e confiante, Mariah mostrou mais uma vez o seu verdadeiro alcance vocal. Esse trabalho terminou sendo um bom retorno dela, depois de um intervalo de cinco anos (o maior em toda sua carreira). “Cry.” e “Faded” são as duas primeiras faixas do disco e duas das que menos chamam atenção em todo álbum. O foco de “Cry.” é a voz de Mariah Carey e o piano. No entanto, o refrão desta balada é muito repetitivo, enquanto os vocais estão descontroladamente exagerados. Em “Faded” ela passeia pelo R&B, porém, mantendo a mesma sonoridade emotiva de “Cry.” É produção de Mike Will Made-It, mas, infelizmente, também não impressiona em nada.

Mariah Carey 3

Na terceira faixa, “Dedicated”, a cantora volta para a década de 1990 com o seu convidado Nas. Produzida por Hit-Boy, essa é bem melhor que as duas primeiras, pois possui um ritmo delicioso. Aqui, Carey soa muito confortável, em um som com traços melancólicos e versos otimistas (“All that love-making we did, boy, it was so real, I wanna feel that again”). A canção “#Beautiful”, também primeiro single, é uma mid-tempo despojada de R&B e soul. É a faixa mais interessante do álbum e conta com a participação do cantor Miguel, que ao interpretar o primeiro verso, fez soar como se a música nem fosse de Carey. Com instrumental e vocais totalmente charmosos e sedutores, eu diria que a mesma poderia até ser classificada como uma canção pop perfeita, se não fosse pela curta duração e péssima hashtag no título. Depois de quatro canções de amor e nostalgia, a cantora aparece um pouco mal-humorada em “Thirsty”.

Uma canção pop sensual e radiofônica também apoiada pela batida escassa de hip-hop do produtor Hit-Boy. “Make It Look Good”, por sua vez, é uma das canções mais bem estruturadas e consegue transmitir muita força e confiança. Os seus riffs alegres de gaita, tocados por Stevie Wonder, são irresistíveis e bem adequados. “You’re Mine (Eternal)” e “The Art of Letting Go” (presente apenas na versão de luxo) foram um erro ao serem escolhidas como single, escolhas essas que podem ter resultado nas vendas baixas do álbum. Em contrapartida, faixas como “You Don’t Know What to Do”, “Supernatural” e “One More Try” (regravação de George Michael) só fortalecem os versos melancólicos e apaixonados de grande parte do disco. “You’re Mine (Eternal)” parece ter sido feita para ser a nova “We Belong Together”, pois têm piano, uma letra saudosa, batidas minimalistas e mega-agudos. Mas para ser honesto, tornou-se apenas uma reciclagem que passou longe de ser tão grande quanto o hino das rádios americanas.

As risadinhas de seus gêmeos em “Supernatural” a tornaram em uma faixa bem sentimental, onde a mamãe canta: “Slowly, keep me here always / You’re the only thing that’s true”. Enquanto “You Don’t Know What to Do”, uma das poucas produzidas com Jermaine Dupri, possui participação do rapper Wale em um som pop-disco extremamente nostálgico. De forma enérgica, temos Mariah e Wale cantando sobre um companheiro indeciso entre harmonias genuínas da década de 1970. A canção “Meteorite”, décima faixa, começa com uma gravação filtrada de Mariah Carey citando Andy Warhol. Aqui, novamente, temos uma batida disco, mas desta vez de forma suave e encomendada por Q-Tip. “Camouflage” é uma balada que passa pelos mesmo elementos de “Faded” e “You’re Mine (Eternal)”, o que acaba dando uma quebrada no bom ritmo do álbum.

Mariah Carey

“Money ($ * / …)”, com participação de Fabolous, tem uma melodia simples e descontraída, entretanto, é muito datada. É bom ouvir Mariah Carey cantando novamente um R&B do estilo dos anos 1990, mas essa é um tanto quanto dispensável. O rapper Fabolous também não cooperou em termos líricos (“I ain’t got no beef but when I do I’m goin’ fillet it”). No seu último álbum, Mariah Carey regravou uma canção da banda Foreigner (“I Want to Know What Love Is”), agora ela nos trouxe uma regravação de “One More Try”, hit de 1987 do cantor George Michael. Sua versão ficou fiel à original, dando-lhe um novo e fantástico brilho. A motivacional “Heavenly (No Ways Tired / Can’t Give Up Now)”, por sua vez, tem um arranjo simples, é apoiada por um completo coro e grandes vocais de Mariah Carey. Os elementos gospeis ajudaram a fazer dela uma canção realmente emocionante.

Nos quase cinco anos desde o seu último lançamento, Mariah Carey deu luz à gêmeos, participou de uma temporada do American Idol, passou horas dentro de estúdios e registrou inúmeros atrasos. A péssima escolha dos singles, com exceção de “#Beautiful”, provavelmente cooperou para esses atrasos, mas, enfim, o “Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse” foi lançado em maio de 2014. Musicalmente, é uma típica mistura de baladas pop clássicas, R&B e hip-hop, com Mariah Carey oferecendo muito da sua surpreendente performance vocal. Ela é abençoada com uma voz capaz de subir ao longo de cinco oitavas, então é uma pena que o disco não esteja obtendo êxito comercial. Apesar de suas falhas, é realmente um material muito bom, com a cantora soando extremamente confortável. Ela foi capaz de fornecer em quase 63 minutos o melhor do seu R&B, um gênero musical do qual, felizmente, Mariah Carey não está disposta a deixar, mesmo após 25 anos de carreira.

70

Favorite Tracks: “#Beautiful (feat. Miguel)”, “Make It Look Good”, “You Don’t Know What to Do (feat. Wale)”, “Meteorite” e “Heavenly (No Ways Tired / Can’t Give Up Now)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Thalles Cerqueira

    Boa resenha. Concordo quanto à crítica de praticamente todas as faixas do álbum (desde o desinteresse nas primeiras e monótonas “cry” e “faded” ao desgosto causado pela sonoridade quase caricata de “Money”). Contudo, acho que a faixa “Make It Look God” (na qual o próprio Stevie Wonder toca gaita) acabou por se tornar uma poluição sonora com excesso de arranjos e instrumentos. “Supernatural” também perde seu lado fofo ao revelar-se irritante com a tentativa mal sucedida em unir vocais fora de um tom confortável para Carey com um instrumental suave e risadas eternamente repetidas. No geral, concordo com a nota. Bom álbum ofuscado por péssimas decisões.

    • Leo

      Depois de ouvir “Supernatural” várias vezes, tive esse mesmo pensamento que você! Principalmente com relação as risadas, que acabou deixando a música um pouco irritante…

      O planejamento do álbum prejudicou muito o desempenho comercial, o seu conteúdo é ótimo e teria feito sucesso se fosse melhor gerenciado.

      Obrigado pelos comentários Thalles. =)

      • Thalles Cerqueira

        Sim. Muito provavelmente os conflitos na vida pessoal (divórcio) contribuíram para somar erros ao processo de produção e divulgação do “Me. I Am Mariah (…)”, que acabou mais famoso pela cafonice no título do que pelo conteúdo (título o qual acabou por combinar com toda essa excentricidade brega, licença poética de tanto talento)

        [Muito legal essa ideia de resenhar o últimos lançamento e o debut de um mesmo artista. Parabéns pelo trabalho.]

        • Leo

          Verdade, infelizmente vários acontecimentos contribuíram negativamente para o lançamento deste álbum.

          Muito obrigado!! Fico feliz com a receptividade positiva das minhas resenhas.

          E ainda pretendo resenhar os outros álbuns dela também hehe =)