Resenha: Maren Morris – HERO

Lançamento: 03/06/2016
Gênero: Country, Country Pop
Gravadora: Columbia Nashville
Produtores: Busbee, Ian Fitchuk, Brad Hill, Maren Morris e Brett Tyler.

Maren Larae Morris é uma cantora americana em ascensão, que lançou recentemente o seu quarto álbum de estúdio. A sua carreira musical começou em 2005, aos 15 anos, com o lançamento do seu primeiro disco, “Walk On”. Porém, o reconhecimento só chegou ano passado, quando Morris lançou um EP auto-intitulado pela Columbia Nashville. Essa introdução acabou sendo um sucesso, uma vez que o single “My Church” já acumula mais de meio milhão em vendas digitais. É uma canção country-pop, com influência gospel, que personifica tudo que a representa como artista e escritora. Não é uma música religiosa como pode parecer, porém, tem boas letras e uma homenagem a Johnny Cash e Hank Williams.

É a voz de Morris que realmente carrega essa música, principalmente quando ela canta: “Posso obter um aleluia / Posso obter um amém / Sinto como se o Espírito Santo corresse através / Quando eu ouço rádio na estrada / Encontro minha alma renascendo / Cantando cada verso / Sim, eu acho que é a minha igreja”. O seu novo álbum, intitulado “HERO”, foi lançado em 06 de junho e conta com 11 faixas. Sonoramente, ele não desvia-se muito longe do country-pop e acaba mantendo uma boa coerência. “HERO” é uma lufada de ar fresco, com letras fortes e melodias muito agradáveis. A voz de Morris é belíssima e o conteúdo muito honesto. Nativa do Texas, Morris é uma compositora versátil e co-escreveu cada uma das onze faixas. No quesito comparações, podemos dizer que Maren Morris é uma mistura entre Kacey Musgraves e Taylor Swift.

A produção geral do disco é suave, macia e convincente, com cada peça trabalhando para apoiar e impulsionar as demais. O resultado foi um LP bem trabalhado e equilibrado, que ostenta a auto-confiança de uma veterana da indústria. Canções como “Sugar”, “80’s Mercedes” e “Rich” são todas influenciadas pela música pop da década de 1990. Além de possuir letras atraentes, essas faixas também são convidativas e dançantes. “Sugar” tem um refrão forte que, sem dúvida, vai ficar preso em sua cabeça. Musicalmente, é um pouco mais escura que o resto do repertório. Em “Rich” a ouvimos cantando sobre um homem que ela supostamente não pode confiar. O estilo vocal exibido nesta canção nos faz lembrar, em alguns momentos, do grupo Little Big Town. É uma música animada e bem pop.

Maren Morris

Originalmente lançada no EP auto-intitulado, “80’s Mercedes” é uma canção muito agradável e crua. É uma jam otimista e instantaneamente cativante, com letras como: “Eu sou um bebê dos anos noventa / Em meu Mercedez dos anos oitenta”. “I Could Use a Love Song” é um dos maiores destaques do disco, uma bela exibição de sua voz. Tem um ritmo mais lento, uma batida constante e uma guitarra acústica encantadora. “Drunk Girls Don’t Cry”, por sua vez, é outra faixa que também esteve presente no EP. Sua melodia reggae é muito divertida, enquanto a letra é preenchida por analogias sobre um amigo. Eu realmente gosto do conteúdo lírico desta canção. Com uma primeira metade bem forte, o álbum segue com canções liricamente inteligentes, como “How It’s Done”, “Second Wind” e “Once”. Todas elas são músicas inspiradas e influenciadas pelo R&B e soul.

A letra de “How It’s Done” encaixa-se bem ao ritmo e possui uma tomada bem refrescante. Aqui, temos a utilização de um órgão que acaba incorporando uma sensação gospel à música. “Second Wind”, originalmente gravada por Kelly Clarkson, possui uma melodia encantadora, refrão cativante e uma batida regularmente agradável. “Once” é uma lenta balada fortemente influenciada pelo soul, onde Morris canta sobre um relacionamento que já acabou. “Just Another Thing” tem uma sensação bluesy pairando sobre ela. Os riffs de guitarra são incrivelmente robustos e guiam a canção. Liricamente, possui um tema bem familiar, porém, contada sob a perspectiva de Morris. É sobre a forte atração que uma garota sente por um cara, do qual ela simplesmente não consegue esquecer.

Na bela “I Wish I Was” Morris mostra o quando é uma talentosa artista country. É uma faixa de destaque que, aparentemente, inspirou o título do álbum. Além da borda souful, possui uma linda melodia e ótima guitarra. É um número impressionante, apesar de triste. Maren Morris impressiona pelo fato de fazer um country-pop contemporâneo, porém, com um som único e cathcy. Suas raízes são claramente country, mas ela também tem outras influências musicais. Temos muitos gêneros crossovers nas canções, enquanto ela toca no country old-school. Pois mesmo trazendo suas influências subjacentes, ela se mantem fiel às raízes country. “HERO” apresenta uma composição de alto nível, enquanto os vocais são incrivelmente poderosos.

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Favorite Tracks: “My Church”, “I Could Use a Love Song”, “80s Mercedes”, “I Wish I Was” e “Once”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.