Resenha: Manu Gavassi – Manu

Lançamento: 21/04/2017
Gênero: Pop, Dance-Pop
Gravadora: Universal Music Brasil
Produtores: Pedro Dash, Marcelo Ferraz, Mãozinha, Umberto Tavares e Tropkillaz.

Baseado na capa sensual, que lembra o disco “Revival” de Selena Gomez, esse é provavelmente o álbum mais maduro da Manu Gavassi. A cantora paulista de 24 anos começou sua carreira artística na revista Capricho e, desde então, já lançou três álbuns de estúdio. O último deles, “Manu”, foi lançado em 21 de abril de 2017. É o primeiro disco lançado pela Universal Music, após o término de contrato com a Midas Music. “Manu” foi produzido por nomes conhecidos, como Pedro Dash, Tropkillaz (conhecido por produzir para Karol Conka), Mãozinha e Umberto Tavares (produtores de Anitta e Ludmilla). Manu Gavassi sempre teve um grande público teen desde o início de sua carreira. Portanto, é interessante ver o quanto ela cresceu e amadureceu com este novo projeto. Aparentemente, “Manu” serve como um recomeço para a cantora dona de hits como “Garoto Errado” e “Planos Impossíveis”. Manu escreveu todas as doze músicas do álbum, e em apenas três delas divide os créditos com Ana Caetano, da dupla sensação Anavitória. Segundo a própria cantora, “1989” (Taylor Swift) e “Revival” (Selena Gomez) foram as grandes inspirações para o seu novo álbum. Para quem acompanha Gavassi desde o seu primeiro álbum, deve ter se surpreendido com a mudança de imagem e som. Aqui, ela oferece um pop mais consistente e sem perder a sua identidade. Apesar de liricamente o repertório abordar praticamente o mesmo assunto, é muito cativante e animado. O álbum abre com “Hey”, um reggaeton com influências de tropical-house, com grande ênfase no sintetizador e teclado.

É uma boa faixa de abertura, embora explore um estilo tão saturado quanto o tropical-house. O primeiro single, “Hipnose”, é uma canção muito melhor. Um synthpop mais sensual e cativante, com saxofone, batidas de R&B e sintetizadores mais fortes. O clipe é muito bem feito, mas gerou polêmica por conta da acusação de plágio da americana Zella Day. Posteriormente, Manu deu os devidos créditos à ela e disse que foi apenas uma inspiração. O registro realmente expande o território sonoro de Gavassi, como podemos notar na pegada reggae de “Perigo” (segunda canção co-escrita por Ana Caetano). Enquanto “Me Beija” é uma doce canção mid-tempo com linhas de baixo, “23” é uma balada vulnerável com boas batidas de tambor. O folk de “Fora de Foco”, por sua vez, é provavelmente uma das faixas mais fracas do repertório. Aqui, através de uma melodia sonífera e notas de guitarra acústica, a cantora retorna aos seus tempos de adolescente. “Mentiras Bonitas”, produzida por Tropkillaz, Dash e Marcelo Ferraz, por outro lado, é mais interessante mesmo em meio a letras repetitivas. Uma canção com natureza envolvente, harmonias vocais distorcidas e ótimas batidas. Apesar do título em inglês, o dance-pop radio-friendly de “Heart Song” possui letras em português. Em meio a adoráveis vocais e sintetizadores cintilantes, Manu fala sobre apenas querer dançar e ser feliz. “É livre quem dança sem saber por quê, por quê”, ela canta aqui. Depois da provocativa e maçante “Ninguém Vai Saber”, temos uma balada encantadora chamada “Antes do Fim”.

Uma canção dirigida pelo violão que fala sobre um possível fim de relacionamento. “Não era pra você ficar / Não era pra ser tão bom / Não era pra eu acordar te pedindo pra não ir / Então, se quiser pode ficar / Antes disso ter um fim”, Manu canta no refrão. A última faixa do álbum, “Aqui Estamos Nós”, é a canção favorita da própria cantora. Essa música possui uma das melhores letras do registro, visto que é mais madura e faz uma leve crítica aos relacionamentos do mundo moderno. “Nós somos a geração da solidão”, ela canta no pré-refrão. Além da letra, os pontos fortes da música é o sintetizador, vocais e a batida tão bem pontuada. Há anos o pop no Brasil não esteve tão em alta como agora. Nomes como Anitta, Ludmilla e Pablo Vittar estão fazendo esse gênero tornar-se novamente popular no nosso país. Em meio ao domínio do sertanejo, o pop e o funk estão encontrando um maior espaço nas rádios e internet. Manu Gavassi também pode ser inclusa nesse pequeno grupo, após a criação desse álbum tão cativante. A cantora cresceu, amadureceu e conseguiu progredir como artista. Depois da mudança de gravadora, ela está passando por uma transição inevitável. Sua fase teen passou e ela percebeu que precisa crescer. “Manu” é um álbum que mostra uma artista mais confiante e envolvente. O repertório ainda é marcado por letras clichês, porém, em menor quantidade do que antes. Melodias cativantes e influências do pop americano também marcam presença, e dão um apelo comercial para o registro. Em última análise, digo que é o seu melhor trabalho até à data.

Favorite Tracks: “Hipnose”, “Me Beija” e “Heart Song”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.