Resenha: Madonna – Madonna

Lançamento: 27/07/1983
Gênero: Pop, Dance, Disco
Gravadora: Sire / Warner Bros.
Produtores: John “Jellybean” Benitez, Mark Kamins e Reggie Lucas.

A cantora Madonna estreou no mundo da música com o seu álbum homônimo, lançado em 27 de julho de 1983 pela gravadora Sire Records. Foi o disco responsável por anunciar a chegada de Madonna, que posteriormente viria a ter uma carreira brilhante. Tudo começou em 1982, logo após a cantora começar a se apresentar no centro de Nova York. Madonna conheceu Seymour Stein, presidente da Sire Records, que assinou um contrato com a ela após ouvir o seu single “Everybody”. Influenciado em grande parte por estilos musicais como dance-pop, disco e pop rock, o álbum é divergente, de certa forma otimista e utilizou algumas das novas tecnologias da época, como a máquina de tambor Linn, baixo Moog e o sintetizador Oberheim OB-X. Aqui, o vocal de Madonna está ótimo e liricamente o disco fala sobre amor e relacionamentos.

Foi um trabalho responsável pela popularização do gênero dance como música mainstream. Com ele, Madonna estabeleceu um padrão para o dance-pop, utilizando o seu carisma, ousadia e sex appeal que, consequentemente, influenciou uma série de cantoras. Ao todo o álbum vendeu mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo, sendo 5 milhões apenas nos Estados Unidos. Esse álbum fez Madonna ser um nome familiar ao público e foi um importante instrumento na introdução de seu poder como estrela pop. O seu som seria fortemente copiado nos próximos anos e anunciou a chegada de uma diva pop com uma forte personalidade e força singular. O álbum abre com “Lucky Star”, uma canção destinada às pistas de danças, começando com um sintetizador e, em seguida, por batidas de bateria eletrônica e palmas. A música gira em torno do verso “Starlight, starbright”, por mais de um minuto antes de chegar no refrão.

A letra é repetitiva e insana, girando em torno da ambiguidade transparente das estrelas e a justaposição do homem ser um corpo celeste no céu. A segunda faixa é a doce “Borderline“, uma canção sentimental que fala de uma amor que nunca é cumprido. Aqui, Madonna utiliza um vocal refinado e expressivo, apoiado por instrumentações de Reggie Lucas. A sequência de acordes da música, foram inspirados pelo som disco da década de 1970 e o estilo musical de Elton John. Algumas partes da música aparentam ser um revolta contra o machismo, “Something in the way you love me won’t let me be / I don’t want to be your prisoner so baby won’t you set me free?”. A terceira faixa, “Burning Up”, possui um arranjo mais gritante, provocado pelo baixo, guitarra e a bateria eletrônica Linn. O seu refrão é uma repetição, enquanto a ponte é composta por duplos sentidos.

Madonna

Liricamente, “Burning Up” descreve Madonna como alguém individualista e desinibida, e o que ela está preparada para fazer por seu amante. Essa, juntamente de “Lucky Star”, são canções que apresentam um estilo de música dance otimista, que seria particularmente atraente para um futuro público gay. “I Know It” tem um ritmo suave e o seu instrumental é composto por piano e saxofone, enquanto os versos provocam uma mudança no acorde. A próxima faixa, “Holiday”, é composta por violões, bateria eletrônica e palmas produzidas em Oberheim DMX. Liricamente, a canção expressa o sentimento universal de que todos precisam de um feriado. O seu final possui uma mudança no arranjo onde uma ruptura de piano é claramente ouvida. Em “Think of Me”, Madonna adverte seu amante que ela vai embora, caso ele não pense nela (“Think of me / ‘Cause I’ll be gone and then you’ll / Think of me”). A canção consiste em excelentes batidas e um envolvente interlúdio de saxofone.

Madonna canta com uma voz mais estridente na penúltima faixa, “Psysical Attraction”, que fala sobre a atração entre ela e um rapaz. Uma canção mid-tempo com baixo e uma boa linha de guitarra. A última canção do álbum é “Everybody”, que também foi o primeiro single lançado. Uma música grudenta e difícil de resistir, onde a cantora convida à todos para dançar. Bem, os videoclipes dos singles foram eficazes na introdução de Madonna para o resto do mundo. Os vídeos de “Burning Up”, “Borderline” e “Lucky Star”, por exemplo, estabeleceram ela como uma mulher atrevida e inteligente. “Borderline”, em especial, foi altamente popularizado com ajuda da MTV que o transmitia em alta rotação. No geral, o álbum não é particularmente forte, mas é um bom disco de estreia com músicas unicamente envolventes. Os versos e batidas cintilantes fizeram deste um marcante álbum do início dos anos 1980. E mesmo após 30 anos de seu lançamento, faixas como “Everybody”, “Borderline” e “Lucky Star” continuam irresistíveis.

A capacidade de fundir batidas de boates com o pop são inigualáveis, graças a ajuda de uma fina seleção de produtores, remixadores e DJs, que cooperaram para Madonna surgir com um som descaradamente incrível. Foi um álbum que anunciou o movimento synthpop, que mesmo após todo esse tempo, ainda soa tão descolado como aconteceu há três décadas. Madonna reinventou a imagem da música pop, suas produções musicais e videoclipes são conhecidos por induzir controvérsias e serem aclamados pelos críticos e público em geral. Muitas vezes referida como “Rainha do Pop”, ela sempre é citada como uma influência para outros artistas ao redor do mundo. A segurança e experiente abordagem dos seus vídeos a ajudaram dar um grande salto em sua carreira musical. E as músicas revelaram várias tendências, incluindo uma forte linguagem baseada em dança, ritmos cativantes, bons arranjos e um estilo vocal único.

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Favorite Tracks: “Lucky Star”, “Borderline” e “Everybody”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.