Resenha: Macklemore – GEMINI

Lançamento: 22/09/2017
Gênero: Hip-Hop, Rap, Pop
Gravadora: Bendo LLC
Produtores: Budo, Joshua Karp e Tyler Dopps.

Um ano antes de começar a colaborar com Ryan Lewis, Macklemore lançou o seu primeiro álbum solo, “The Language of My World” (2005), ao mesmo tempo que criou um nome para si em Seattle. Ele e Ryan Lewis tornariam-se uma dupla quatro vezes premiada no Grammy e com muitos hits conhecidos, tais como “Thrift Shop” e “Can’t Hold Us”. Tudo parecia estar indo bem para a dupla, até que eles anunciaram um hiato indefinido. “Ryan Lewis é meu irmão para sempre. Trabalhamos juntos quase todos os dias durante nove anos e sentimos que era o momento certo”, Macklemore disse a respeito da separação. Desde que ele vendeu sua música peculiar, o público cativou-se facilmente pelo som exclusivo de canções como “Thrift Shop” e “Same Love”. Macklemore é muito influenciado pelo hip-hop old-school, enquanto o seu tom musical é bastante semelhante em cada álbum ou música. Entretanto, isto pode ser considerado benéfico para ele como artista, uma vez que cria um senso de individualidade. Surpreendentemente, após doze anos, ele retornou com um novo disco solo, intitulado “GEMINI”. Um registro extremamente longo, com cerca de 1 hora de duração, que oferece o mesmo som criado por ele e Ryan Lewis. De nenhuma forma “GEMINI” é impecável ou impactante. Pelo contrário, mesmo que não seja drasticamente diferente, ele não possui a mesma força do “The Heist” (2012).

“Ain’t Gonna Die Tonight”, com Eric Nally, é uma faixa assertiva, saltitante e alegre que dá início ao repertório. Uma canção de auto-motivação que traz os mesmos vocais arranhados de “Downtown”, primeiro single do álbum “This Unruly Mess I’ve Made” (2016). O primeiro e mais conhecido single, “Glorious”, com Skylar Grey, possui boas vibrações e mantém as raízes do som que ele aperfeiçoou ao longo dos anos. Mesmo que Macklemore pareça no pilo automático, a canção oferece letras esperançosas e um refrão de capacitação. O segundo single, “Marmalade”, com Lil Yachty, é completamente oposta à faixa anterior. Gravada na noite de eleições, enquanto os dois estavam otimistas que Hillary Clinton ganharia, é uma canção bastante lista liderada pelo piano e registro superior dos rappers. Mesmo com um colaborador improvável como Lil Yachty e algumas batidas modernas, é uma faixa inofensiva e liricamente inerente. Por falar em colaboradores improváveis, a faixa “Willy Wonka” combina o rap de Macklemore com Offset, membro do grupo Migos. Aqui, Macklemore apresenta um fluxo assassino e extremamente ágil, enquanto Offset o complementa soberbamente. Conhecido por sua idiossincrasia e letras eficientes, o rapper de Seattle consegue fornecer um pouco de diversão. “Willy Wonka” é inegavelmente uma música muito estanha, com muitas referências a um dos personagens principais do filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.

Musicalmente, esta faixa possui um rap tradicional e adição instrumental exclusiva que incorpora sintetizadores maliciosos, trombones incisivos e fortes drops EDM. O terceiro single, “Good Old Days”, é uma colaboração pop com a cantora Kesha. Recentemente, ela recebeu muita atenção positiva por conta do seu novo álbum, consequentemente, foi uma boa ideia colaborar com a mesma. Ambos acrescentam uma sensação íntima à melodia, enquanto a letra reflete sobre o envelhecimento através das provações da vida. É uma canção empoderante e eufórica, com letras como: “Queria que alguém tivesse me falado que / Um dia, estes seriam os bons velhos tempos / Todo o amor que você não vai esquecer / E as noites inconsequentes que não vai se arrepender”. As faixas “Intentions”“Firebreather”, “How to Play the Flute”, “Ten Million” e “Corner Store” são liricamente peculiares, entretanto, devido à produção abaixo da média e estrutura pobre, dificilmente irão se tornar memoráveis. Em contrapartida, “Over It”, com Donna Missal, possui uma vibração diferente da maior parte do álbum. Essa vibração experimental é um contraste bem-vindo e dá uma sacudida extra no repertório. Missal fornece vocais expressivos, enquanto todo trabalho de produção contém lindos toques instrumentais.

Provavelmente, “Over It” possui um dos refrões mais fortes do álbum: “Nós conseguimos esse amor ruim, mas gosto de remédio / Eu nunca tive amor, então eu aprendi a resolver rápido / Acho que nunca pensei que tivesse que escolher / Entre o paraíso e você”. A décima segunda faixa, “Zara”, também é centrada em torno do amor e sexo. É uma canção lisa, doce e sensual, mas sem ser necessariamente criativa ou transformadora. “Miracle” e “Church” são canções que concentram-se em questões maiores. Além de incorporar corais gospel, a produção soul de “Church” possui linhas de baixo e trompete. Encerrar com “Excavate” foi uma boa decisão, pois é um banger sólido com letras incrivelmente apaixonadas. Além dos vocais autênticos de Saint Claire no pensativo refrão, a faixa possui referências à paternidade de Macklemore. A principal falha deste registro é o seu enorme comprimento. Sem dúvida, este álbum poderia ter sido melhor editado. “GEMINI” possui uma celebração geral e um senso de gratidão que Macklemore tem por esta fase de sua vida. É um álbum que não mostra qualquer crescimento, já que todas as músicas parecem faixas anteriormente lançadas por Macklemore & Ryan Lewis. No geral, é um projeto com algumas composições sinceras e bons momentos de capacitação. No entanto, as etapas mais medíocres superam as partes mais cativantes do álbum. Como já mencionado, se o repertório tivesse sido refinado ele teria um maior impacto.

Favorite Tracks: “Glorious (feat. Skylar Grey)”, “Good Old Days (feat. Kesha)” e “Excavate (feat. Saint Claire)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.