Resenha: Machine Gun Kelly – bloom

Lançamento: 12/05/2017
Gênero: Hip-Hop Alternativo, Indie Pop
Gravadora: Bad Boy Records / Interscope Records / EST 19XX
Produtores: SlimXX, Baze, H*Money, Edgar “JV” Etienne, The Runners, The Monarch, Happy Perez, Sonny Digital, The Futuristcs e Jesse Shatkin.

Colson Baker aka Machine Gun Kelly lançou o seu terceiro álbum de estúdio, “bloom”, em 12 de maio de 2017. Ele contém treze faixas e participações de James Arthur, Hailee Steinfeld, Quavo, Ty Dolla $ign e Camila Cabello. Machine Gun Kelly não é exatamente um exímio rapper dessa geração, mas pelo menos ele tenta. Muitas de suas tentativas, infelizmente, ainda não deram resultados tão frutíferos. Mesmo sem muito sucesso, dessa vez, ele tentou conseguir alguma coisa com “bloom”. É um registro que pode te surpreender por causa dos bons instrumentais, se essa for a questão. Kelly é muitas vezes tratado como um artista alternativo, embora “bloom” pise mais no território mainstream. Aqui temos muitas canções feitas para as rádios, algo que pode ser detectado depois de ver a lista de vocalistas convidados. Hailee Steinfeld e Camila Cabello, por exemplo, interpretam refrões chicletes com alguma personalidade. As falhas do álbum vem do próprio MGK, um rapper cuja fama veio da sua habilidade de produzir e cuspir fluxos muitos rápidos. Sua voz e fluxo implacável, a propósito, exalam algumas semelhanças com Eminem. Mas “bloom” mostra que Colson Baker simplesmente não é Marshall Bruce Mathers III. Suas letras não possuem nada de especial e, consequentemente, deixam o álbum meio desarticulado. Dada a produção que Kelly recebeu nesse projeto, não há muita coisa para se trabalhar. Os momentos de experimentação, como “Go for Broke”, a acústica “Rehab” e a pegada rock de “Let You Go”, incorporam algumas letras pessoais.

Kelly reflete sobre a sua fama, oferece uma mudança na instrumentação e técnicas musicais mais acentuadas. A incorporação de elementos de rock, melodias acústicas e as várias penetrações do piano oferecem uma experiência auditiva mais interessante. Em “Go for Broke”, particularmente, James Arthur empresta sua voz no refrão e realmente dá uma vida para a música. A melodia é groovy e o refrão muito sólido. A faixa de abertura, “The Gunner”, é certamente uma das mais memoráveis. Uma canção reminiscente de “Spotlight” do álbum “General Admission” (2015), que ainda sente-se diferente e única. As letras conseguem ser interessantes e a batida mais criativa do que as demais. Ela também apresenta acordes de piano assustadores e um ambiente sombrio. As camadas eletrônicas, sons de tiros, pulsações graves e guitarras tornam a música ainda maior e enérgica. “Wake + Bake” possui uma introdução cheia de vibrações gospel, embora MGK não seja tão revigorante quanto o instrumental. Ela possui um rap de assinatura de Kelly, com rimas e ritmos rápidos, mas uma narrativa relaxada e guitarra dissonante. “At My Best”, por outro lado, é mais convincente graças ao refrão cativante interpretado por Hailee Steinfeld. Enquanto a batida pode ser lenta às vezes, a música possui fortes vocais, mensagem poderosa, baixo, riffs de guitarra e um som mais eletrizante. Assim como “At My Best”, o single “Bad Things”, com Camila Cabello, é uma canção pop-rap bem radio-friendly.

Ela apresenta uma interpolação de “Out of My Head” da banda Fastball e um refrão bem pegajoso. “Bad Things” recebeu uma grande atenção comercial e pavimentou um caminho para o mainstream. Mais tarde, ele carrega seu peso em “Kiss the Sky”, se mostra arrogante no trap “Golden Gold” e apresenta sintetizadores sombrios na faixa “Can’t Walk”. Mesmo com auxílio de Quavo e Ty Dolla $ign, o rapper não conseguiu se sobressair em “Trap Paris”. Essa faixa possui um piano sólido, mas também letras genéricas e um instrumental bem boring. A faixa de encerramento, “27”, é um número sólido com uma batida simplista, piano e melodias sombrias. Felizmente, a produção permite o ouvinte concentrar-se no que Machine Gun Kelly está dizendo. “bloom” pode ser considerado um bom álbum, mas sem nada de especial. Nenhuma das faixas destacam-se como algo espetacular, tudo aqui está dentro da normalidade. É um registro sem coesão e que parece mais uma coleção de faixas aleatórias. Um disco coeso sempre tem um tema subjacente, coisa que o “bloom” não tem. Kelly ficou entre o pop radiofônico e o hip-hop alternativo, sem saber onde realmente focar. O álbum também peca pela falta de diversidade lírica e identidade marcante. Instrumentalmente, faltou um apelo artístico, onde qualquer guitarra adicional ou sintetizador são sufocados pela monotonia de suas palavras. Machine Gun Kelly tentou construir algum significado para o “bloom”, mas falhou na maioria das vezes. Há alguns bons momentos no álbum, mas, em última análise, “bloom” soa decepcionante.

Favorite Tracks: “The Gunner”, “At My Best (feat. Hailee Steinfeld)” e “Bad Things (feat. Camila Cabello)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.