Resenha: Mac Miller – The Divine Feminine

Lançamento: 16/09/2016
Gênero: Hip-Hop Alternativo, Jazz Rap
Gravadora: Warner Bros. Records
Produtores: Aja Grant, Dâm-Funk, DJ Dahi, Frank Dukes, Garcia Bros., Gitty, ID Labs, JMSN, MusicManTy, MisterNeek, Pomo, Santos Colón, Tae Beast e Vinylz.

O álbum de estreia de Mac Miller, “Blue Slide Park”, era exatamente o que você esperaria de um artista de 19 anos de idade. No ano passado, Malcolm McCormick lançou “GO:OD AM”, um álbum introspectivo, refinado e mais maduro do que o habitual. Agora, exatamente 1 ano depois, o rapper de Pittsburgo cria uma base sólida para futuros trabalhos através do disco “The Divine Feminine”. Este mais recente álbum possui uma atmosfera clara e suave do início ao fim. Enquanto suas músicas mais antigas são adequadas para festas, este novo álbum é mais apropriado para um ambiente calmo e relaxante. O tom menos agressivo, sem dúvida, dá uma lufada de ar fresco na discografia de Mac Miller. No geral, “The Divine Feminine” é um registro conceitual que aborda o feminismo, amor e sexo. O título pode ser enganoso para alguns, porque ele não fala apenas sobre o feminismo.

Miller referiu-se ao álbum como abrangente, onde o foco é “a energia feminina do planeta”. Ao lado dos vocais de Miller, você encontrará artistas como Ariana Grande, Kendrick Lamar, Ty Dolla $ign, Anderson .Paak e Cee Lo Green. “The Divine Feminine” é certamente o melhor trabalho de Mac Miller, para não mencionar a ótima arte da capa. Ao juntar brilhantes melodias de piano e batidas de hip-hop, Miller criou um ótimo disco. Trompas são utilizadas em todo o repertório, a fim de dar ao álbum uma sensação jazzy e soulful. Além disso, no meio de cordas suaves e pontes afiadas, o álbum nos oferece algo além do convencional. A influência jazz de Miller é muito mais evidente no “The Divine Feminine” do que em qualquer outro dos seus álbuns. Há anos Mac Miller tem lutado contra o abuso de substâncias, muitas das quais estavam abertas ao público.

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Seus álbuns anteriores refletem isso, com suas pesadas referências ao uso de drogas e estados mentais que correspondem ao abuso de substâncias. Em entrevistas recentes, Mac Miller falou sobre seus vícios passados e explicou que ele está enfrentando tudo de frente. “The Divine Feminine” apresenta as mesmas velhas letras cruas que fez Mac Miller ser conhecido. O título do álbum define a história, incluindo mensagens sobre mulheres e sua vida amorosa. Mac compartilha seus pensamentos sobre o amor, beleza e desejos, sem soar degradante, em comparação com outros rappers que sexualizam as mulheres e abusam de tons misóginos. Sonoramente, além do som alternativo, Miller utiliza muitos elementos de R&B, raps psicodélicos e sintetizadores. A primeira faixa, “Congratulations”, com Bilal, tem um lindo instrumental baseado numa poderosa pontuação de piano e violinos.

O rapper define o tom calmamente, mencionando o amor que tem por uma garota especial. Miller fala sobre a história dele e o futuro que deseja ter com ela. A faixa seguinte, “Dang!”, com Anderson .Paak, é certamente a melhor música do repertório. Paak traz um fluxo energético e divertido para a canção, o que a torna irresistível. Mac Miller, por sua vez, utiliza um rap mais interessante, uma vez que a batida o favorece. “Dang!” é muito suave e funk, enquanto o refrão possui uma tristeza real. O fluxo de Miller é mais confiante, relaxado e sedutor, algo reminiscente de Chance the Rapper. Além disso, a música possui um sulco excelente, algo que nenhuma música do álbum tem. Em seguida, Miller implora para uma garota ficar na sua vida na faixa “Stay”. Uma vez que ele estabelece o quão importante essa garota é, Miller também passa a descrever o que quer fazer para dar-lhe prazer emocional e sexual.

Liricamente, “Stay” tem uma vibe muito repetitiva, enquanto é incrivelmente mundana. Uma canção com fortes elementos jazz, guiada por vocais de apoio e saxofone. Depois de amostras de gemido femininos no final de “Stay”, temos o início de “Skin”. Essa faixa, por sua vez, é um ótimo número de hip-hop infundido de soul, algo reminiscente de Kanye West. É uma das minhas canções favoritas do álbum, especialmente pela batida relaxante e melhora vocal. Enquanto “Cinderella” com Ty Dolla $ign é um pouco vulgar e pegajosa, “Planet God Damn” é a música mais suave e sedutora, graças a ótima presença de Njomza. A sétima faixa, “Soulmate”, tem um som muito peculiar e instrumental funk, onde Mac Miller abandona o rap completamente. Outra canção muito atraente é “We”, com características de Cee Lo Green.

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Ela incorpora uma sensação clássica do R&B que pode deixar os ouvintes encantados. Uma das melhores partes é quando a poderosa voz de Cee Lo Green diz: “Não há mais eu e você, querida”. A penúltima faixa do registro é “My Favorite Part”, em colaboração com sua namorada Ariana Grande. Uma canção neo-soul que inicia com uma batida contundente, ancorada por uma produção souful e linhas atraentes. O primeiro verso de Mac Miller está em uma veia similar. Curiosamente, seu tom mais suave também é perceptivelmente lírico, enquanto Grande tem sua chance de brilhar, especialmente durante a ponte. Esta não é a primeira vez que ambos artistas colaboram. Em 2013, o atual casal uniu-se em favor de “The Way”, single de estreia de Ariana Grande. “My Favorite Part” é uma versão amadurecida dessa faixa, com letras românticas e uma conexão genuína.

Uma maior maturidade lírica é exibida em “God Is Fair, Sexy, Nasty”, com Kendrick Lamar. A dupla traz um bom fluxo para esta faixa, com um rap espirituoso e batidas cativantes. Esta última faixa mostra o forte lirismo de Miller e termina o álbum com uma poderosa mensagem de amor. Em “The Divine Feminine”, Mac Miller tenta mostrar que ele tem habilidades para criar canções mais intricadas. Ele realmente amadureceu com o passar dos anos, e sua música também. Seu fluxo casual e rap suave soam excelentes na maior parte do repertório. Miller realmente soa confortável e acabou conseguindo criar um projeto bem coeso. No geral, o registro faz uso de influências jazz e funk, e apoia-se fortemente nas clássicas raízes do hip-hop. “The Divine Feminine” é um passo na direção certa e o melhor álbum de Mac Miller até a presente data.

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Favorite Tracks: “Dang! (feat. Anderson .Paak)”, “Skin” e “My Favorite Part (feat. Ariana Grande)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.