Resenha: Lykke Li – I Never Learn

Lançamento: 02/05/2014
Gênero: Indie Pop
Gravadora: LL Recordings / Atlantic Records
Produtores: Greg Kurstin, Lykke Li e Björk Yttling.

A cantora sueca Lykke Li, muito conhecida por seu hit “I Follow Rivers” que, inclusive, fez um sucesso considerável nas rádios brasileiras, lançou em maio de 2014 o “I Never Learn”, seu terceiro álbum de estúdio. Produzido por Li, Greg Kurstin e Björn Yttling, o álbum atingiu a posição #33 no Reino Unido, com 2.7 mil cópias vendidas, e tornou-se o seu maior pico na parada de álbuns de lá. Li anunciou que esse álbum é a parte final de uma trilogia de crônicas, que começou com os seus dois primeiros álbuns, “Youth Novels” (2008) e “Wounded Rhymes” (2011). Greg Kurstin produziu duas faixas do disco, enquanto Li e Björn Yttling dirigiram o restante. Ela descreveu o álbum como “sobre mim e da culpa, vergonha, dor, orgulho e confusão de ser mulher”. Nesse projeto, Lykke Li conseguiu fazer uma obra realmente maravilhosa, incrivelmente melancólica e muito madura. E não é apenas liricamente que o disco é coeso, porque, musicalmente, as faixas não oscilam e mantém o mesmo clima durante toda sua execução.

A faixa-título, “I Never Learn”, abre o registro com muito elegância, pois o ouvinte é bombardeado por uma espetacular avalanche de cordas e batidas acústicas. Essa faixa já nos dá uma visão do estilo exuberante do álbum, começando com uma performance vocal harmoniosa e terminando com arranjos orquestrais. “No Rest for the Wicked”, primeiro single do álbum, é carregada de belas melodias que nos remetem aos moldes clássicos de “I Follow Rivers”. Uma balada poderosa, escura e que, certamente, já está entre as melhores músicas do catálogo inteiro de Li. “Just Like a Dream” pode ser considerada outra canção marcante, um grande hino que ferve em meio a melodias obscuras. O drama das composições de Li aumentam logo no início da encantadora “Silver Line”, com a guitarra e percussão colaborando para isso (“Não acorde o sonhador / Não abale o eixo / Tenha fé, eu preciso disso / Eu rezo, eu acredito nisso”).

Lykke Li

O R&B de “Gunshot” é executada à plenos pulmões, com uma enorme melodia vocal e grandes tambores. Dirigida por Greg Kurstin, essa é uma faixa misteriosa, um pouco assustadora e, provavelmente, a mais otimista de todo o álbum. Depois de uma boa transição a próxima faixa é “Love Me Like I’m Not Made of Stone”, outro grande destaque do álbum. Com batidas profundas, essa belíssima balada nos fornece a voz acústica de Li cheia de emoção. É verdadeiramente uma canção muito comovente e totalmente convincente, pois Li se entrega de tal forma, que espanta. Em quase todos os momentos da música ela parece ser incapaz de segurar a sua tristeza. É simplesmente perfeita e de cortar o coração. Como se não bastasse, logo em seguida, temos a faixa “Never Gonna Love Again”, outra emocionante e maravilhosa canção.

Os seus versos são tremendamente tristes, introvertidos, enquanto o refrão é incrivelmente dramático e reforçado por lindos coros ao fundo. “Heart of Steel” também é fantástica com o seu grandioso coral gospel. Uma música íntima onde ela implora para alguém não a deixar sozinha: “Não me deixe encalhada / Não me deixe sozinha / Não me deixe morrendo / Sem um amante para segurar”. Em “Sleeping Alone” parece que Li não está apenas lamentando a perda de alguém, mas percebendo que está sozinha novamente. Essa é a última canção, um pouco mais suave que as demais, no entanto, não menos dolorosa. A letra é suficiente para derreter o mais duro dos corações, principalmente por causa do angustiado suspiro no final: “Vamos nos encontrar novamente, vamos nos encontrar novamente”. O “I Never Learn’ é relativamente um álbum curto para os padrões modernos, com apenas 33 minutos de duração e 9 músicas. No momento que a última faixa termina, você já está pronto para ouvir tudo novamente.

Li, agora com 28 anos, lidou recentemente com uma separação devastadora, uma tristeza que acabou resultando em um álbum maravilhoso e repleto de lindas baladas. Canções muito bem trabalhadas e com uma sonoridade que inspira e encanta quem ouve. Um trabalho que mostra sua vulnerabilidade, com foco no final decepcionante da juventude. É um material honesto e genuíno, onde percebemos o quão verdadeiro é o conteúdo expresso por Li. As letras, extremamente dolorosas, podem não expressar uma perspectiva inspiradora, mas elas definitivamente, retratam algo que provavelmente muitos já passaram. Lykke Li, no entanto, nos mostra que é sempre terapêutico saber que outras pessoas passam pelas mesmas coisas que nós. Com três álbuns narrando suas dores ao crescer, Li está se movendo cada vez mais em direção a um caminho pessoalmente singular e muito artístico.

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Favorite Tracks: “No Rest for the Wicked”, “Just Like a Dream”, “Love Me Like I’m Not Made of Stone”, “Never Gonna Love Again” e “Heart of Steel”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.