Resenha: Lupe Fiasco – DROGAS Light

Lançamento: 10/02/2017
Gênero: Hip-Hop, Trap
Gravadora: 1st & 15 Entertainment / Thirty Tigers
Produtores: Soundtrakk, S-X, StreetRunner, Azzouz, BSides, Simon Sayz, Floss & Flame, D’Mile, Ty Dolla $ign, iSHi, Jacob Torrey, Purps, CyFyre e BHam.

O ano de 2016 não foi fácil para Lupe Fiasco. O rapper de Chicago se envolveu em várias controvérsias, adiou o lançamento do novo álbum e chegou até anunciar a aposentadoria. Mas, apesar do ano estranho, o esperado álbum “DROGAS Light” foi finalmente lançado. É o sucessor do “Tetsuo & Youth” (2015), o seu criticamente aclamado quinto álbum de estúdio. “Tetsuo & Youth” é um dos maiores discos de hip-hop da década, até então. Os talentos de Fiasco como artista manifestou-se fortemente naquele álbum. Lançado em fevereiro, “DROGAS Light” é o primeiro dos três lançamentos planejados por Lupe Fiasco para 2017. Por esse motivo, as expectativas para este álbum foram muito altas. Expectativas que foram atendidas, mas não superadas. Desde que o seu antecessor, “Tetsuo & Youth”, foi tão conceituado e temático, eu esperava que o “DROGAS Light” tomasse uma abordagem semelhante. Em 14 faixas, esse registro abrange uma quantidade de sons, que vão desde um trap robusto até elementos mais otimistas e soulful. Lupe Fiasco já foi muitas vezes criticado por sua inconsistência. Consequentemente, ouvintes que esperavam algo mais tradicional, sem dúvida, ficaram desapontadas. “DROGAS Light” possui mais convidados do que o esperado, entre eles Ty Dolla $ign, Big K.R.I.T. e Rick Ross. Tecnicamente, é complicado dizer o que Lupe Fiasco tentou alcançar com este álbum. Porque a primeira metade possui muitas batidas trap e refrões repetitivos, enquanto a segunda explora outros gêneros musicais.

Liricamente, Fiasco continua tão variado como sempre foi. Nesse quesito o rapper não decepciona. Ele é sempre esforçado ou pensativo no que tenta expressar, seja abordando temas como pobreza, racismo ou vida pessoal. “DROGAS Light” começa bem forte, com duas faixas cheias de potentes batidas trap: “Dopamine Lit (Intro)” e “NGL”. Ambas faixas soam muito diferentes do Lupe Fiasco maduro do passado, entretanto, não deixam de ser energéticas e cativantes. Em “NGL”, Fiasco bate forte como sempre e prova que ainda tem muita energia para mostrar ao público. Sua composição casa um comentário social agressivo com um refrão soulful cantado por Ty Dolla $ign. Além de abraçar os estilos mais modernos e populares da atualidade, Fiasco exibe uma auto-confiança em “Promise”. Aqui temos vocais auto-ajustados, um ritmo mais lento e uma forte melodia de staccato. A abordagem do rapper nessa música lembra um pouco os estilos adotados por Drake e The Weeknd. A próxima faixa, “Made in the USA”, pode ser considerada uma das falhas do álbum, principalmente por causa do refrão irritante. Em contrapartida, “Jump” é uma das faixas mais interessantes do registro. Apesar de ser repetitiva, é uma canção cativante complementada por uma emocionante narrativa sobre perseguições de carros. As duas faixas seguintes, “City of the Year” e “High (Interlude)”, não conseguem impressionar tanto. “City of the Year” tem um refrão assassino e grudento, porém, a música como um todo, não consegue ser um grande destaque.

“High (Interlude)”, por sua vez, tem alguns problemas parecidos, como a melodia excessivamente rítmica. Embora as letras sobre prostituição não sejam tão interessantes, o fluxo de Lupe Fiasco consegue entreter. Mas é a colaboração com Big K.R.I.T. e Rick Ross em “Tranquillo” que mais desperta a atenção, uma vez que possui uma boa paleta sonora e vocais mais sólidos. Liricamente, essa canção usa as drogas para fazer algumas analogias (“Eu não estou falando sobre drogas / Eu estou falando sobre esse amor / Para mim e todos os meus manos”). “Tranquillo” é seguida pela faixa “Kill”, com Ty Dolla $ign e Victoria Monét, que possui mais de 7 minutos de duração. Um grande número de G-Funk, com batidas sutis e vocais soulful. É uma canção incrível, caracterizada por um toque consciente e elementos gospel. Lupe nos leva de volta para sons do passado em “Law”, certamente para satisfazer aqueles que são fãs do disco “Lupe Fiasco’s The Cool” (2007). Não é nenhuma “Superstar”, mas “Law” funciona muito bem com a mistura de hip-hop e música eletrônica. Lupe Fiasco flui muito bem sobre sons de disco em “It’s Not Design”, entretanto, é uma faixa meio deslocada do restante do repertório. O mesmo pode ser dito de faixas pop-influenciadas como “Pick Up the Phone” e “Wild Child”. Sem dúvida, “DROGAS Light” consegue prender a atenção de qualquer fã de hip-hop, pois tem alguns momentos incríveis. Está longe de ser perfeito, mas possui letras interessantes e dinâmicas, e altos valores de produção. Em suma, “DROGAS Light” é um registro com mais destaques do que falhas, que vale a pena ouvir.

Favorite Tracks: “NGL (feat. Ty Dolla $ign)”, “Tranquillo (feat. Big K.R.I.T. & Rick Ross)” e “Kill (feat. Ty Dolla $ign & Victoria Monét)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.