Resenha: Lukas Graham – Lukas Graham

Lançamento: 01/04/2016
Gênero: Pop, Soul
Gravadora: Copenhagen Records / Warner Bros.
Produtores: Future Animals, Hedegaard e Pilo.

A banda dinamarquesa Lukas Graham, em homenagem ao vocalista Lukas Graham Forchahmmer, ganhou atenção internacional por causa do hit “7 Years”. É quase impossível você ainda não ter escutado essa canção, pois fez sucesso em diversos países. Lukas Graham produz um som soulful, com elementos de música popular irlandesa, provavelmente decorrentes das raízes de Forchhammer. Além do vocalista, a banda é formada por Mark Falgren, Magnus Larsson e Morten Ristorp. Seu segundo álbum de estúdio, “Lukas Graham”, foi lançado nos Estados Unidos em 01 de abril de 2016. É um registro pop e soul com letras muito autobiográficas e sinceras. Forchhammer fala sobre crescimento, consumo de álcool, drogas, desgostos amorosos e a morte do seu pai. Uma grande parte do registro é realmente dedicado a perda do seu pai. Algumas vezes, o disco é moldado de uma forma que é quase doloroso.

Há muita tristeza misturada com um pouco de alegria, aceitação e otimismo. Claro, o álbum não é completamente direcionado a isso, mas, certamente, é um tema que domina o repertório. As letras contam algumas histórias, no entanto, é o canto de Forchhammer a principal razão pelo som poderoso. Clichês são evitados quando o tom é sério, algo que ofusca qualquer sentimento de negatividade. Este álbum realmente parece uma versão musical da vida de Lukas Graham até o momento. Sonoramente, o disco não assume muitas influências musicais diferentes. Compilado em 11 canções, o álbum é basicamente uma combinação de pop, soul, piano e emoção. “7 Years” é um soul-pop muito cativante e pegajoso, uma canção bem construída com letras incrivelmente relacionáveis. “Quando eu tinha 7 anos, minha mãe disse / Faça alguns amigos / Ou acabará sozinho”, Forchhammer canta inicialmente.

Liricamente, é uma música marcada por memórias do passado, ansiedade e esperanças para o futuro: “Logo, teremos 30 anos / E nossas músicas foram vendidas / Teremos viajado pelo mundo / E ainda não teremos rumo”. Lukas Graham viaja para o seu passado e tenta olhar para realizações que espera realizar no futuro: “Logo terei 60 anos / Será que acharei o mundo frio? / Ou terei muitos filhos /Que conseguem me aquecer?”. Os vocais e melodia de “7 Years” são incríveis e perfeitamente criadas. É uma balada mid-tempo com influências de hip-hop, guiada por um piano, bateria e cordas sintetizadas. Durante “Take the World by Storm” a banda fala sobre seus sonhos para conquistar o mundo. É uma canção edificante, com uma boa percussão, que incentiva o ouvinte a realizar seus objetivos. O single “Mama Said” é outra música muito bem trabalhada com um refrão brilhante. É mais uma canção que dá uma espiada no passado de Graham, conforme ele fala sobre humildade e família. Sonoramente, temos a incorporação de um piano alegre, viciantes melodias e alguns corais infantis.

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Outra canção familiar e com um tema emocionante é a quarta faixa “Happy Home”. Aqui, o vocalista agradece aos amigos que estavam com ele quando seu pai faleceu. É uma canção fortemente guiada pelo piano, onde a banda apresenta um momento de reflexão. Nem tudo é sentimental, como podemos ver Lukas falando sobre apaixonar-se e beber na faixa “Drunk in the Morning”. É uma faixa pop com elementos de R&B e soul, e uma instrumentação baseada em piano, baixo e metais. A sexta faixa, “Better Than Yourself (Criminal Mind, Pt. 2)”, é uma pista com uma composição incrivelmente hipnotizante. Com um forte piano e leve percussão, essa canção emocionalmente expressiva tem tudo para destacar-se. Se você acha “7 Years” emocional, certamente vai achar o mesmo dessa música. Afinal, Lukas Graham fala sobre a vida de um amigo que está preso. “Eu espero que você saiba que não está sozinho naquele inferno”, ele canta aqui.

“Don’t You Worry ‘Bout Me” tem uma atmosfera soulful e gospel, que a diferencia das outras faixas. Ela começa no piano e órgão e, mais tarde, transforma-se num número soul otimista. Em seguida, “What Happened to Perfect” fala sobre duas pessoas que estão se afastando. Suas letras subliminares são muito bem escritas e convincentes. Contemplada por belas cordas, essa música me lembrou alguns performances vocais de Ed Sheeran. Liricamente, “Strip No More” é muito parecida com “Drunk In the Morning”, pois é brincalhona e inocentemente otimista. Com essa música, Lukas Graham tenta animar o humor do álbum, através de melodias brincalhonas e letras engraçadas. A penúltima faixa do registro, “You’re Not There”, é dedicada ao pai de Forchahmmer. Embora seu pai não possa mais ver o seu sucesso, o cantor deve muito a ele. Na letra ouvimos ele mencionar como não é justo que seu pai nunca vai saber o homem que ele se tornou. De qualquer maneira, percebemos que Forchahmmer nunca vai esquece-lo. É uma bela canção.

Em “Funeral”, uma balada agridoce no piano, Lukas Graham diz que quando morrer não quer que as pessoas fiquem tristes por ele. Sua entrega é bastante passional, conforme ele canta: “Todos bem-vindos ao meu funeral (…) / Porque do jeito que eu vivia, foi incrível / Todos os meus amigos estão na sala / Festa para mim, eu festejo também”. Depois de ouvir 11 faixas, você não vai sentir que está faltando algo nesse disco. Lukas Graham incluiu todos os elementos necessários para criar um álbum muito cativante. Em torno do soul, pop e bons acordes de piano, Forchahmmer criou um repertório coeso que contam histórias de sua vida. Enquanto liricamente ainda há um caminho para percorrer, a variedade de instrumentos e melodias mantém o álbum fresco conforme progride. Piano, cordas orquestrais e instrumentos de metais ficam a cargo de erguer qualquer faixa de enchimento. Em última análise, “Lukas Graham” é uma ótima introdução internacional para essa talentosa banda dinamarquesa.

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Favorite Tracks: “7 Years”, “Take the World By Storm”, “Mama Said”, “Better Than Yourself (Criminal Mind, Pt. 2)” e “What Happened to Perfect”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.