Resenha: Little Mix – Glory Days

Lançamento: 18/11/2016
Gênero: Pop, Dance-Pop, Eletrônica, R&B
Gravadora: Syco Music / Columbia Records
Produtores: Adam Midgley, Charlie Puth, Cutfather, Dan Bartlett, Daniel Davidsen, Electric, Freedo, JMIKE, Johan Carlsson, Kuya, Matt Rad, MNEK, Nick Atkinson, Peter Wallevik, Robopop, Steve James, Steve Robson e Tommy Baxter.

Little Mix, formado por Perrie Edwards, Jesy Nelson, Leigh-Anne Pinnock e Jade Thirlwall, continua a ser o único grupo a ter ganhado o The X-Factor. Depois de sua vitória em 2011, o grupo passou a lançar discos platinados no Reino Unido. Até a data, o seu álbum de estreia, “DNA”, vendeu mais de 403 mil cópias em território britânico, enquanto “Salute” chegou a marca de 337 mil. Após o lançamento do “Salute”, as coisas pareciam um pouco incertas para o futuro do Little Mix. Entretanto, tudo mudou quando elas lançaram o “Get Weird”, o seu álbum mais vendido até o momento. O sucesso de “Black Magic”, que tornou-se o terceiro número #1 do grupo, e o bom desempenho de “Love Me Like You”, “Secret Love Song” e “Hair”, ajudou o álbum a vender mais de 684 mil cópias no Reino Unido. Após marcar o seu quarto single número #1 com “Shout Out to My Ex”, o grupo finalmente chegou ao topo das paradas de álbuns com o lançamento do seu quarto álbum de estúdio, intitulado “Glory Days”. Para a minha surpresa, esse álbum é um projeto muito sólido. Um disco coeso, confiante, cheio de energia e o mais maduro do grupo. Musicalmente, é um registro pop e R&B, porém, com algumas influências de outros gêneros, como hip-hop, trap e EDM. Nem todas as 12 faixas atingem um pico memorável, mas, no geral, é um álbum muito doce e agradável. O quarteto começou a afastar-se de seu status de boa moça e passou a desenvolver um som mais arriscado.

Por este motivo, “Glory Days” pode ser considerado uma nova fronteira para o Little Mix. “Get Weird” fez uma mistura sólida de produções R&B e pop retrô, mostrando a versatilidade do grupo. “Glory Days” tem uma diferença significativa de “Get Weird”, uma vez que apresenta um som mais synthpop e dance. De qualquer maneira, o estilo retrô do “Get Weird” ainda permanece intacto. Os temas do “Glory Days” são mais maduros do que os dos álbuns anteriores, enquanto exploram emponderamento e a importância do amor próprio. “Shout Out to My Ex”, primeiro single do álbum, inicia as coisas da melhor maneira possível. Uma canção altamente energética, com versos cativantes, uma mensagem relacionável e um refrão dance-pop poderoso. A boa guitarra acústica entre os versos exala uma certa positividade, enquanto o alto refrão é formado por poderosos sintetizadores e uma forte percussão. O segundo single, “Touch”, também destaca a boa química entre as garotas. Uma canção dancehall e dance-pop, com uma boa batida e crescentes harmonias. “Touch” é outra faixa que consegue mostrar a abordagem mais madura do grupo. Com uma clara influência dos anos 50, “F.U.” apresenta um som vintage que lembra “Love Me Like You”. O retrocesso usado na melodia e toda doçura da música são pontos muito interessantes. A inspiração dos anos 50, juntamente com as cordas arrebatadoras e lindas harmonias fazem dessa música um destaque.

A próxima faixa, “Oops”, apresenta Charlie Puth como a única colaboração do disco. Seus estilos vocais, felizmente, encaixaram-se perfeitamente bem em conjunto. Musicalmente, “Oops” é um número R&B com um instrumento de metal grosso que lhe dá uma energia extra. Também possui certa inspiração dos anos 50 e uma rotação doo-wop bem cativante. Em seguida, “You Gotta Not” apresenta um piano interessante e um refrão arejado, co-escrito por Meghan Trainor. Por conta disto, você pode perceber facilmente a influência de Trainor sobre essa canção. As batidas, as trompas e os incríveis vocais proporcionam uma grande mudança musical no fluxo do álbum. “Down & Dirty” é um grande ponto de virada do repertório, pois possui uma produção mais vigorosa, batidas pulsantes, vocais agressivos e elementos de hip-hop e trap. O grupo tenta ousar através de sua sensualidade e explora um som que nunca ouvimos delas anteriormente. O motor acelerando no início de “Power” resume facilmente a energia desta música. Igualmente a faixa anterior, também possui elementos de hip-hop e rap. É introduzida por Perrie Edwards, enquanto Jesy Nelson se une à ela para adicionar uma borda extra. Jade Thirlwall, por sua vez, assume o controle do refrão e estende as notas o máximo possível. O pós-refrão segue com fortes sintetizadores e impressiona pela sensação instrumental adquirida.

“Your Love” é um pouco repetitiva, mas ainda fornece uma escuta bastante adocicada. Os momentos mais esquecíveis do álbum aparecem quando o ritmo diminui, como a balada “Nobody Like You”. Uma canção rude, vulnerável e com uma produção exageradamente sutil. O mesmo pode ser dito de “No More Sad Songs”, uma faixa synthpop mid-tempo com batidas bem genéricas. Sua batida soa tão familiar que vai fazer você questionar se já não a ouviu anteriormente. Em contrapartida, “Private Show” é uma das mais fortes músicas do álbum. Ela possui uma sinfonia de trompetes e saxofone que, juntamente com o tema sedutor e vocais afiados, destaca-se facilmente. É uma música muito sexy, energética e reminiscente do começo dos anos 2000. As batidas, sem dúvida, nos fazem lembrar de algumas músicas do passado de Christina Aguilera e Janet Jackson. Em seguida, acontece uma transição inesperada para os anos 80, quando a faixa “Nothing Else Matters” aparece. Uma canção decente e com um bom refrão, que concentra-se em temas importantes, como amor, amizade e felicidade. Este álbum é definitivamente muito mais pessoal do que outros, e podendo muito bem ser considerado o seu melhor trabalho até à data. Little Mix ainda consegue entregar grandes refrões e canções pop mainstream cheias de atitude, confiança e personalidade. “Glory Days” é o Little Mix fazendo o que faz de melhor. Certamente, é um álbum voltado para as rádios e o consumo popular, mas feito de uma forma bastante interessante e bem organizada.

Favorite Tracks: “Shout Out to My Ex”, “Touch” e “F.U.”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.