Resenha: Little Dragon – Nabuma Rubberband

Lançamento: 09/05/2014
Gênero: Trip hop, Pop, Soul, Synthpop
Gravadora: Because Music
Produtores: Little Dragon e Robin Hannibal.

Little Dragon é uma banda de música eletrônica de Gotemburgo, Suécia. É composta pelos membros Yukimi Nagano (vocal e percussão), Erik Bodin (bateria), Fredrik Källgren Wallin (baixo) e Håkan Wirenstrand (teclados). O quarto álbum de estúdio da banda, “Nabuma Rubberband”, foi lançado em maio de 2014 através da gravadora Because Music. O disco foi nomeado para a categoria Best Dance/Electronic Album no 57th Grammy Awards e foi bastante elogiado pela crítica internacional. Gravado em Gotemburgo, cidade nativa do grupo, o álbum parece ter sido afetado pelo clima sombrio e gelado da região. A sua sonoridade utiliza tons eletrônicos artificiais e esparsos, melodias irregulares e uma fixação retrô. Os três primeiros álbuns do Little Dragon foram bastante despojados, muitas vezes com apenas algumas notas de sintetizadores e batidas básicas, enquanto por trás usavam pensamentos enigmáticos sobre romance e luxo.

O “Nabuma Rubberband” é desenvolvido de forma ainda mais intrigante e fascinante, pois oferece uma boa mistura de trip-hop, pop e soul. Ele flerta esses gêneros alegremente, enquanto a vocalista Yukimi Nagano, que cresceu no Japão, oferece um excelente suporte para sua produção. Nagano possui uma gama impressionante, tanto em termos de tom quanto de emoção. O grupo, liderado por ela, encontra um ponto perfeito para a utilização do trip-hop, enquanto os seus vocais frios são explorados de forma sensual. Durante as 11 canções do repertório, a banda sueca acentua sua diversidade musical e permite que as faixas sejam atraentes, misteriosas e sedutoras, sem perder o equilíbrio. Little Dragon trocou suas rígidas batidas eletrônicas para uma música mais acessível, mas não menos excêntrica. “Mirror”, co-escrita por Dave Jolicoeur do grupo De La Soul, abre o álbum. Uma canção com batidas desoladas e sombrias, onde Nagano suspira: “Veja como você está me fazendo nada? / Você sabe que é melhor do que isso”

Em seguida, “Mirror” dá lugar para a fantástica “Klapp Klapp”, primeiro single do álbum. Essa é mais dançante, possui uma corrente de sinterizadores, uma boa percussão e um refrão contagiante. O vocal de Nagano está maravilhoso, mas o baixista Fredrik Källgren Wallin e o baterista Erik Bodin fizeram um dueto de alta energia, e roubaram a cena. A terceira faixa, “Pretty Girls”, é um número suave que desacelera o ritmo e apresenta uma vibe oitentista ao lado de uma batida de hip-hop e funky. “Suas camisas brancas / Ainda penduradas em linhas na porta do armário / Ela ainda dói / Fragmentos de você vive em”, canta Nagano na estrofe de abertura da faixa “Underbart”. Sua batida frenética e o riff de baixo são exuberantes e envolventes, e fazem dela uma das melhores canções do álbum. “Cat Rider” é um número sinuoso e confuso com um arranjo extremamente delicado. É uma música hipnótica, no entanto, sua presença não é tão marcante como o esperado.

Little Dragon

Por outro lado, a saudosa “Paris”, com uma sonoridade mais pop, é ágil e possui versos rápidos que correspondem à energia dos instrumentos. Aqui, Nagano emprega um sussurro sombrio e medita sobre um rompimento, e acaba soando poderosamente melancólica. A faixa-título, “Nabuma Rubberband”, vem logo após “Lurad”, um pequeníssimo interlúdio de 8 segundos. Outra boa canção, muito bem produzida, memorável e com alguns dos melhores vocais do álbum. “Only One” é uma faixa mais abstrata e profunda, animada apenas pela percussão sutilmente nervosa. O seu final é impulsionado por uma batida rígida que, consequentemente, prepara o terreno para os teclados retorcidos da faixa “Killing Me”. Essa é outro grande destaque, um número efervescente com uma arrogância sexy transparecendo pelos vocais de Nagano. Seu conteúdo lírico fala sobre um relacionamento instável, um dos principais temas do álbum.

“Pink Cloud” é uma faixa hipnótica que apresenta instrumentos mais orgânicos. É um momento verdadeiramente bonito que exibe a extremidade superior do vocal de Nagano. O terceiro single, “Let Go”, é a faixa de encerramento e uma das minhas favoritas do álbum. É a canção mais viciante do “Nabuma Rubberband”, um número suave apresentado sob uma camada de sintetizadores vidrados. Também é um bom exemplo da capacidade da banda para utilizar com maestria elementos do trance. “Nabuma Rubberband” é uma obra dramática, brilhantemente discreta, bem produzida, com melodias inteligentes e, muitas vezes, sensuais e sexy. É um jogada hábil, que estabelece a banda como uma que está sempre em constante evolução. Alguns dos melhores momentos do álbum acabaram ofuscando outras faixas e, consequentemente, fizeram o disco não manter uma qualidade constante.

No entanto, isso é da natureza de registros com faixas de grande destaque como este. A composição, até certo ponto, não consegue manter o ritmo paralelamente com a ambição da banda, mas é algo que não atrapalhou na construção de um bom material. Pois eles abraçaram novos sons, agradáveis por sinal, e mantiveram ferramentas eficazes, como a combinação grudenta de eletrônica, dance e R&B, com a voz suave da vocalista Yukimi Nagano. Os seus vocais são uma das características mais marcantes do repertório, sendo apoiada por uma banda que sabe moldar de forma excepcional a música eletrônica. A bateria e os sintetizadores estão mais refinados, sutis, discretos e as linhas do baixo mais proeminentes. Com o lançamento do “Nabuma Rubberband”, Little Dragon completou uma transformação lenta em algo marcante e sólido. Eles são mais um excelente ato, entre os vários que a Suécia exporta para o mundo.

74

Favorite Tracks: “Klapp Klapp”, “Underbart”, “Paris”, “Nabuma Rubberband” e “Let Go”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.