Resenha: Linkin Park – The Hunting Party

Lançamento: 13/06/2014
Gênero: Hard Rock, Metal Alternativo, Rap
Gravadora: Warner Bros. / Machine Shop
Produtores: Brad Delson, Mike Shinoda, Emile Haynie e Rob Cavallo.

Em 13 de junho de 2014, a famosa banda americana Linkin Park lançou o seu sexto álbum de estúdio sob o título “The Hunting Party”. Foi auto-produzido pelos membros Mike Shinoda e Brad Delson, sendo o primeiro álbum desde o “Meteora” que não foi produzido com Rick Rubin. O nome do álbum é uma metáfora, que diz que o Linkin Park é “a caça” para trazer de volta a energia e a alma do rock. “The Hunting Party” estreou no número #3 da Billboard 200, abaixo dos trabalhos de Lana Del Rey e Sam Smith, com vendas na primeira semana de 110 mil cópias. Apesar de ser descrito simplesmente como “um disco de rock” por Shinoda, o registro ainda contém um pouco do som eletrônico que esteve presente nos dois últimos álbuns da banda.

Tem participações de Daron Malakian do System of a Down, Tom Morello da Rise Against the Machine, Page Hamilton, cantor e guitarrista da banda Helmet, e do rapper Rakim. A hardcore, meio punk e rápida “Keys to the Kingdom”, abre o repertório de forma apropriada e com gritos histéricos. Mas, logo em seguida, é levada de volta para o nu-metal com os versos de Shinoda. As faixas seguintes ficam muito bem agregadas com as participações de Page Hamilton e Rakim, respectivamente. A primeira, “All For Nothing”, possui guitarras pesadas e bons tambores acompanhando as rimas ágeis de Shinoda. Hamilton, do Helmet, durante o refrão consegue dá mais credibilidade do qualquer coisa nesta canção, uma das melhores do disco.

Com participação do veterano Rakim, temos “Guilty All the Same”, primeiro single do álbum, que apresenta um ritmo pesado e complexo durante os versos do rapper. No restante, a banda segue com versos de Bennington, quase na modalidade metal sinfônico, implorando para alguém desconhecido (“Tell us all again / What you think we should be / What the answers are / What it is we can’t see”). Com exatamente 1 minuto de duração temos a faixa “The Summoning”, um interlúdio estático que prepara o ouvinte para tensão da canção seguinte: “War”. Essa última, infelizmente, não consegue convencer, pois os vocais de Chester Bennington se perdem em meio à uma sonoridade tumultuada. Uma música punk bem dispensável, com pausas dramáticas e um curto tempo de duração que, inclusive, me fez sentir uma falta de identidade ao ouvi-lá.

Linkin Park 3

“Wastelands” é meio mecânica, porém, ao mesmo tempo possui uma boa produção, emparelhada por ótimas guitarras e um afiado ambiente eletrônico. Em uma atmosfera melodramática, “Until It’s Gone” oferece um instrumental agradável com teclados em evidência, mas também alguns clichês líricos (“You don’t know what you’ve got / Until it’s gone”). Não é uma canção ruim, mas a presença de algumas mesmices fez transparecer como algo que o grupo já fez antes. Depois de um riff introdutivo e mastigado, ouvimos a canção “Rebellion”, com participação de Daron Malakian, guitarrista da banda System of a Down. É, talvez, a melhor faixa do disco e nos lembra bastante o som do SOAD, em especial, os álbuns “Mesmerize” e “Hypnotize”.

“Mark the Graves” e “A Line In the Sand” (última faixa) são movimentos corajosos para uma banda que nadou profundamente no território experimental e eletrônico nos seus dois últimos álbuns. Tom Morello da Rise Against the Machine deveria ter sido melhor aproveitado no instrumental de “Drawbar”. Afinal, sua única contribuição foi uma linha mansa de guitarra ao longo de quase três minutos de um piano melancólico. “Final Masquerade”, por sua vez, é uma ótima balada mid-tempo com uma sutil abordagem. Seu refrão hard rock, envolvido por sintetizadores e guitarras, me agradou bastante. O retorno ao hard rock com certeza alegrou os fãs e fez o Linkin Park parecer rejuvenescido ao voltar às suas raízes.

Isso também fez a banda voltar a fazer algo mais próximo do excelente disco de estreia, “Hybrid Theory” (2000), deixando transparecer que eles ficam bem mais a vontade e confiantes dentro desse gênero. Como resultado, “The Hunting Party” é um registro agressivo, em muitos momentos, e com colaborações contribuindo positivamente para isso. Comercialmente, ele não vai bem se comparado com seus antecessores, boa parte disso se deve a brusca queda das vendas na indústria fonográfica. Linkin Park, certamente, conhece bem o seu público e sua fã base, portanto, eles sabem que agradaram ao voltar para o hard rock. O lançamento do “The Hunting Party” valeu pela boa ousadia e terminou com um saldo bem positivo.

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Favorite Tracks: “All For Nothing (feat. Page Hamilton)”, “Guilty All the Same (feat. Rakim)”, “Rebellion (feat. Daron Malakian)” e “Final Masquerade”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.