Resenha: Linkin Park – One More Light

Lançamento: 19/05/2017
Gênero: Pop, Pop Rock, Eletropop
Gravadora: Warner Bros. Records / Machine Shop Recordings
Produtores: Brad Delson e Mike Shinoda.

Já faz alguns anos que o Linkin Park vem explorando gêneros musicais além de suas raízes. Três anos depois de lançar “The Hunting Party” (2014), a banda divulgou um novo álbum, chamado “One More Light”. O disco foi lançado pela Machine Shop, um rótulo formado pelos membros Mike Shinoda e Brad Delson sob tutela da Warner Bros. Liderado por Shinoda, a banda produziu “One More Light” no decorrer de 2015 e 2016. Linkin Park sempre muda o seu som a cada novo LP lançado, e com “One More Light” não foi diferente. Com este novo disco, a banda entrou de vez no território pop e utilizou ainda mais sons eletrônicos. É uma grande mudança para o Linkin Park, que não correu risco algum e jogou totalmente pelo lado seguro. A banda, formada no sul da Califórnia em 1996, já foi muito popular e recebeu diversos elogios no passado. O seu primeiro álbum, “Hybrid Theory” (2000), é o LP de estréia mais vendido deste século, visto que já ultrapassou a marca de 11 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos. Linkin Park, composto por Chester Bennington, Mike Shinoda, Brad Delson, Dave Farrell, Rob Bourdon e Joe Hahn, já ganhou 2 Grammy Awards, 5 American Music Awards, 4 MTV Video Music Awards e 10 MTV Europe Music Awards. E, com o seu sétimo álbum de estúdio, continua alterando o seu som tradicional. Ao ser lançado, “One More Light” recebeu muitos comentários negativos por parte da crítica e público, devido a sua natureza pop e eletrônica.

Enquanto este álbum não possui uma grande aptidão lírica, é um projeto experimental porque afasta a banda do seu som original. Estilisticamente, “One More Light” possui um som mais próximo do “A Thousand Suns” (2010), dado que este tinha muitas baladas eletrônicas. Entretanto, não é à toa que os fãs mais hard estão torcendo o nariz para esse novo LP. Afinal, ele possui um repertório muito fraco, superficial e esquecível. A maioria das faixas são radiofônicas e apresentam boas performances vocais. No entanto, o seu som pop/eletrônico soa datado e tedioso. A primeira faixa, “Nobody Can Save Me”, oferece uma introdução de sintetizador, vocais de Chester e um simples tambor em segundo plano. É uma música bastante cativante, mas que não possui nada de especial. Quando as guitarras aparecem no segundo verso, ela ganha um pouco mais de vida. Porém, esse som pop-rock não é algo que você realmente esperaria do Linkin Park. Isso nos leva para o rap-rock de “Good Goodbye”, outra canção apoiada por arranjos de sintetizadores. É uma faixa que funde o EDM, com rock, pop e hip-hop, e apresenta os rappers Pusha T e Stormzy. O rap funciona bem, mesmo que a estrutura se repita e fique monótoma. Sua edição é muito simples e, mesmo que os vocais sejam bons, as letras são mais uma vez esquecíveis. Na terceira faixa, “Talking to Myself”, temos outra melodia de sintetizador que progride ao lado de uma guitarra. É uma boa faixa, mas sem nada de surpreendente ou especial.

Basicamente, ela destaca-se por suas letras e nível de energia. Em sua totalidade, o álbum segue por essa tendência de pop-rock e música eletrônica. Da mesma forma, o pop-rock e eletropop “Battle Symphony” oferece uma estrutura simples, porém, com mais arranjos de guitarra. O seu refrão é infeccioso e gruda na cabeça facilmente. Essa canção, certamente, parece ser a faixa pop que mais encaixa-se no álbum. Embora não seja memorável, é uma canção um pouco mais inspiradora. Em seguida, “Invisible” começa com simples sintetizadores e alguns batidas de tambor, conforme Mike Shinota canta por toda parte. É uma faixa calmante, mas com nada de empolgante ou excitante. O primeiro single, “Heavy”, apresenta vocais da cantora Kiiara, mas não fornece nenhum novo terreno sonoro. É uma canção pop-rock com elementos de R&B e refrão cativante. Não deixa de ser uma balada agradável, com letras que perguntam o porquê da vida ser tão difícil. Felizmente, os vocais e harmonias de Chester e Kiiara funcionaram muito bem em conjunto. As próximas duas faixas, “Sorry for Now” e “Halfway Right”, permanecem dentro do território pop. “Sorry for Now”, particularmente, usa uma linha de sintetizador excessivamente simples e um drop genérico. Ambas faixas possuem fortes amostras eletrônicas e um fraco lirismo. “Halfway Right” ainda consegue soar semelhante a “Battle Symphony”, além de apresentar algum trabalho de piano.

A faixa-título, “One More Light”, é uma faixa soft-rock totalmente sintetizada e de ritmo mais lento. É uma balada musicalmente pungente com letras como: “Quem se importa quando o tempo de alguém acaba / Se um momento é tudo que somos? / Somos passageiros, passageiros / Quem se importa se mais uma luz se apagar? / Bem, eu me importo”. É uma canção que destaca mais os vocais e sons soberbos do Linkin Park. Sua suavidade é agradável, enquanto Bennington consegue transmitir mais emoção em sua voz. O álbum termina com “Sharp Edges”, uma faixa acústica com uma melodia maçante. Liricamente, é uma canção que nos deixa com uma sensação de esperança, ao oferecer alguns conselhos. Mas, no geral, o seu som acústico é dissonante e conduzido por um estilo folk extremamente irritante. “The Hunting Party” afastou a banda de suas raízes, mas “One More Light” definitivamente deixou todos os vestígios do passado para trás. Assim como muitos, eu encaro isso como um ligeiro declínio para uma banda como o Linkin Park. Eles simplesmente se esqueceram dos seus ótimos riffs de guitarra e assumiram uma produção totalmente eletrônica. Ao ouvir o “One More Light” completo, você percebe que tudo soa decepcionante. Sem dúvida, os maiores adeptos da banda ficaram atordoados com essa nova direção de som e estilo. Resumindo, “One More Light” é certamente o álbum mais fraco da discografia do Linkin Park. Definitivamente, não há nada no seu interior que se destaca.

Favorite Tracks: “Nobody Can Save Me”, “Battle Symphony” e “Heavy (feat. Kiiara)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.