Resenha: Lindsey Stirling – Brave Enough

Lançamento: 19/08/2016
Gênero: Eletrônica, Clássico Crossover, Dubstep
Gravadora: Lindseystomp Records
Produtores: RUMOURS, Rock Mafia, Zedd, Robert DeLong, Josh Abraham, Andrew Goldstein, Nico Stadi, Marty Rod, SILAS, Vicetone e Nathaniel Motte.

Lindsey Stirling é uma talentosa violinista, cantora, dançarina e compositora americana, que começou sua carreira divulgando vídeos no YouTube. Ela executa uma variedade de estilos musicais, desde o clássico ao pop, rock e música eletrônica. Em 19 de agosto de 2016, sob o seu próprio selo, Stirtling lançou o seu terceiro álbum de estúdio, “Brave Enough”. A principal diferença entre esse novo álbum e os dois últimos, é a quantidade de cantores convidados. Seu som não mudou drasticamente desde o disco de estreia, mas “Brave Enough” inclui um grande número de vocalistas. Entre eles, temos nomes como Christina Perri, Rivers Cuomo, Lecrae e Dan + Shay. O repertório é dividido entre faixas solo de Stirling transportadas por melodias no violino, e músicas com algum vocalista convidado. Geralmente, o violino substitui o que seria um drop de sintetizador em alguma canção EDM, portanto, marca forte presença no álbum.

Felizmente, os vocalistas convidados não ofuscam Lindsey Stirling, eles apenas a complementam. O processo de gravação tomou uma abordagem mais otimista e suave, do que os contos sombrios dos seus trabalhos anteriores. O título em si é apropriado para o registro, uma vez que Stirling está tentando alumas coisas novas. Normalmente, suas canções são pesadas no violino e eletronicamente influenciadas. Entretanto, embora o violino ainda seja o toque principal, a americana diversificou os arranjos das músicas. Traços de dubstep e influência dance ainda podem ser encontradas em faixas como “Lost Girls” e “First Light”. “Lost Girls” começa onde o disco “Shatter Me” parou, mantendo uma abertura serena através do violino. É uma introdução suave e igualmente poderosa. Começa com uma nota íntima, à medida que o virtuoso violino acumula imagens vívidas na mente do ouvinte.

Lindsey Stirling

Durante “First Light” as coisas são abrandadas ligeiramente com o violino, conforme ela permanece dançante. Há uma certa repetição aqui, porém, tudo flui muito bem em conjunto. “Brave Enough”, com Christina Perri, é uma das minhas faixas favoritas. O equilíbrio entre as letras e instrumental é simplesmente perfeito. Dessa forma, faz jus ao título que está sendo usado para o álbum. Liricamente, é focada em um relacionamento perdido, mostrando que uma relação é construída sobre confiança. Perri mostra que é muitas vezes difícil se expressar e confessar suas emoções. “Brave Enough” é uma canção especialmente emotiva, principalmente por causa da melodia e movimentos escalados pelo violino de Stirling. “The Arena”, já lançada como single, destaca-se pelo instrumental encantador, uma peça verdadeiramente estonteante e bela. Sua melodia de estilo clássico é um destaque a parte.

A incrivelmente atmosférica “The Phoenix”, por sua vez, é uma peça profundamente expressiva e cinematográfica. A partir daqui, o álbum move-se através de uma sonoridade mais pop. “Where Do We Go”, com Carah Faye, fala sobre as dores do amadurecimento que muitas pessoas enfrentam. A reflexiva “Those Days”, com o duo country Dan + Shay, também merece um reconhecimento especial. É uma música contemporânea, com um estilo atmosférico que acrescenta um brilho calmante ao álbum. Em outros momentos, Lindsey não hesita em realmente experimentar. Ela incorpora elementos mais eletrônicos, ao lado do seu impecável violino, na faixa “Prism”. Essa música possui um som bem rítmico, conforme faz uma mistura de dance e techno. Produzida por Robert DeLong, a faixa é peculiarmente eletrônica e com algumas impressões de dusptep. As coisas ficam ainda mais quentes durante “Hold My Heart”, com a cantora ZZ Ward.

Os vocais são expressivos e provocantes, enquanto o violino de Stirling permanece no ponto. Outro destaque do repertório é “Mirage“, faixa onde Stirling é acompanhada pelo rapper Raja Kumari. É uma canção que mistura um som clássico, com influências musicais indianas e dusbtep. É incrível como essa faixa possui um toque único. É energética, colorida e muito cativante. A décima faixa, “Don’t Let This Feeling Fade”, apresenta Rivers Cuomo da banda Weezer e o rapper Lecrae. O conteúdo lírico dessa música é bastante positivo, mesmo abordando um tema comum que beira o clichê. De alguma forma, Lindsey Stirling fez a composição soar refrescante e adequada. Aqui, Lecrae se pergunta: “O que realmente importa na vida?”. Sonoramente, essa canção possui uma pitada de hip-hop, funky e dance. Uma das faixas mais fracas liricamente é “Love’s Just a Feeling”, produzida por Zedd.

Lindsey Stirling

Como um todo, possui um tema lírico pouco contemplativo e um tanto quanto clichê. Além de não ter um conteúdo lírico poderoso, como grande parte do álbum, também não é uma canção sonoramente marcante. É basicamente uma canção EDM romântica, que apresenta Rooty nos vocais e um violino durante os intervalos eletrônicos. Da mesma forma que a faixa anterior, “Something Wild” com Andrew McMahon, também é um pouco esquecível. É um número suave e emocional, que fala sobre buscar forças interiores para superar uma perda. A letra é exemplificada principalmente pela linha: “Já deixei você para baixo / Me senti tão errado / Então você encontrou uma outra maneira”. “Gavi’s Song” é uma canção mais lenta e suave, que mostra o lado mais clássico do repertório de Lindsey Stirling. Neste álbum, ela está tocando o seu violino em outro nível. Essa canção é verdadeiramente emocional, sensível e elegante.

É um tributo para Jason Gaviati, tecladista e amigo de Stirling que faleceu no ano passado. Aqui, ela toca seu violino sem qualquer batida de acompanhamento. É uma música profunda, cheia de escuridão, triste e pungente. É necessário muito talento para evocar tantas emoções sem pronunciar sequer uma palavra. No geral, “Brave Enough” é um ótima continuação do disco “Shatter Me”. Lindsey Stirling conseguiu mostrar sua criatividade desenfreada e confiança em sua arte. Outro ponto positivo é que, mesmo mantendo elementos sonoros de assinatura, é um álbum diferente dos anteriores. É energético, emocionante e abrange uma grande quantidade de influências, vocalistas e escritores. Stirling tem um grande senso de estilo, à medida que mistura com maestria elementos eletrônicos e clássicos modernos. Muitas vezes, seu desempenho, preenchido com elegantes melodias e harmonias, falam mais do que palavras são capazes de dizer.

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Favourite Tracks: “Brave Enough (feat. Christina Perri), “The Arena”, “Prism”, “Mirage (feat. Raja Kumari)” e “Gavin’s Song”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.