Resenha: Lily Allen – Sheezus

Lançamento: 02/05/2014
Gênero: Pop
Gravadora: Parlophone
Produtores: Paul Beard, DJ Dahi, Fryars, Greg Kurstin, Shellback e Fraser T. Smith.

A cantora inglesa Lily Allen lançou, em maio de 2014, o seu terceiro álbum de estúdio, o intitulado “Sheezus”. É o seu primeiro trabalho depois de um hiato de cinco anos, o seu último lançamento foi o “It’s Not Me, It’s You” em 2009. O álbum tem produções de colaboradores de longa data, como Greg Kurstin, Shellback, DJ Dahi e Fraser T Smith. Estreou no topo da parada de álbuns do Reino Unido, com vendas de 35 mil cópias, e na posição #12 da Billboard 200 dos Estados Unidos, com 17 mil cópias vendidas. Foi precedido pelo lançamentos de dois singles: “Hard Out Here” e “Air Baloon”, que atingiu o número #7 na parada de singles britânica. O conteúdo lírico do álbum é bom, porém, faltou uma certa consistência e acabou se diferenciando um pouco de seus trabalhos anteriores, que são bem melhores. No geral, o álbum possui comentários mal humorados, um pop sarcástico, canções chicletes e menções a outras cantoras. Um trabalho bem diversificado feito por uma artista que expõe sem perspectiva de medo as suas opiniões, ponto para Lily Allen.

No entanto, em alguns momentos faltou coerência, fazendo com que muitas vezes ela se perda em sua prórpia ironia. A confiança peculiar de Lily Allen é evidente logo na faixa-título, “Sheezus”, onde ela se inspirou no título do trabalho mais recente do rapper Kanye West, “Yeezus”. Uma canção cativante, onde a cantora compara-se ironicamente a outras artistas do sexo feminino, como Katy Perry, Rihanna e Lady Gaga. Com um toque mais pessoal, Allen fala em detalhes sobre o seu marido na faixa “L8 CMMR”. Um pop com pitadas de dancehall e batidas contagiantes o suficiente para te fazer dançar. “Air Baloon” é a música mais grudenta do registro, onde ela faz uma referência a Kurt Cobain. Uma faixa radio-friendly encantadora, que acena claramente para trabalhos de M.I.A., em especial, “Paper Planes”. “And we just wanna dance the night away / We don’t give a damn what people say”, assim Allen canta no refrão de “Our Time”.

Construída com elementos de synthpop, é facilmente um dos maiores acertos do disco, seja pela boa melodia, o ótimo refrão ou pelo conteúdo lírico debochado. “Insincerely Yours” tem bons elementos de R&B e muito sarcasmo, com ela fazendo críticas ao que a mídia se tornou atualmente. A primeira metade do disco termina na baladinha “Take My Place”, onde a cantora fala sobre as suas lutas para superar o aborto. Aqui, ela confessa a pressão que sofreu por conta disso: “How can life be so unfair? / I can’t breathe, in fact, I’m choking on the air”. Coberta com guitarras emotivas e tambores ao fundo, essa vulnerável canção foi uma mudança temática bem-vinda. A divertida “As Long As I Got You” contém uma introdução com gaitas, palmas e um ritmo bem rápido. Liricamente, fala sobre o quanto sua vida mudou depois que um cara apareceu e, musicalmente, lembra um pouco “Not Fair” do seu disco anterior.

Lily Allen

“Close Your Eyes”, por sua vez, é bem sedutora, graças ao seu soul envolvente e ritmo inspirado na década de 1990. “I’m gonna hypnotize you, then I’m gonna yank your chain”, ela promete no estilo mais irresistível. A nona faixa, “URL Badman”, é um pouco dispensável, principalmente por causa de sua letra. Ela cita a internet e diz coisas como, “I don’t troll, I make statements” ou “Keyboard warrior that can’t spell”. Sonoramente, revive o dubstep, entra no território EDM e possui um refrão de fácil digestão. A faixa seguinte, “Silver Spoon”, é a que mais lembra seus álbuns anteriores. Através de batidas de hip-hop ela faz sátiras das acusações sobre seu caminho para o sucesso e educação privilegiada (“So I went to posh school why would I deny it? / Silver spoon at the ready so don’t even try it / Yeah the house I grew up in, it was Georgian / 10 bedrooms, beautiful proportion”). Enquanto isso, a suavidade de “Take My Place” retorna na faixa “Life For Me”.

Uma canção que demonstra levemente o seu contentamento de ser mãe, combinado com uma sonoridade influenciada pela banda Vampire Weekend. Fechando a versão padrão do álbum temos “Hard Out Here”, canção que oferece uma batida chiclete e faz menções sobre a pressão que se sofre na indústria do entretenimento por conta da imagem corporal. Agressiva, irônica, feminista, “Hard Out Here” é, sem dúvida, uma das melhores faixas do álbum, tanto que foi o ponta pé inicial para o lançamento do “Sheezus”. Na versão de luxo além de mais quatro faixas, temos um cover de “Somewhere Only We Know” da banda Keane. Essa atingiu o primeiro lugar na parada de singles Reino Unido assim que foi lançada em novembro de 2013. A voz de Lily Allen, sem nenhum adorno, ajudou a definir o arranjo da canção, que possui basicamente uma melodia suave e um piano bastante delicado. Lily Allen continua com o status de uma das melhores cantoras britânicas da sua geração, ela é um tesouro para os ingleses, mesmo que esse novo material não tenha tanta qualidade em comparação com os seus antecessores.

Ela surgiu em 2006 e tornou-se uma grande estrela logo após o sucesso do álbum “Alright Still”. Em 2009, lançou o maravilhoso “It’s Not Me, It’s You”, que além de dinâmico e ousado, ainda demonstrou sua versatilidade como compositora. O “Sheezus” é o seu material mais maduro e ela está ainda mais ácida e defensiva, porém, logo de início ele soa muito confuso. Foi praticamente todo produzido por Greg Kurstin, colaborador de longa data que já produziu bons hits como “Alfie”, “The Fear”, “22” e “Not Fair”. Lily Allen possui um carisma inerente, seja por causa do sotaque, timbre ou da personalidade, ela consegue encantar mesmo não fazendo um trabalho tão forte. E isso acontece com o “Sheezus”, que está longe de ser o seu melhor. Em última análise, posso dizer que em meio a altos e baixos, ela nos presenteou com alguns excelentes momentos, em especial, a faixa “Our Time”.

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Favorite Tracks: “Air Balloon”, “Our Time”, “As Long As I Got You”, “Close Your Eyes” e “Hard Out Here”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.