Resenha: Lil Yachty – Teenage Emotions

Lançamento: 26/05/2017
Gênero: Hip-Hop, Trap, Rap
Gravadora: Quality Countrol Music / Capitol Records / Motown
Produtores: Pierre “Pee” Thomas, Kevin “Coach K” Carter, 30 Roc, BLSSD, Dawn Golden, Dashiell Tortoriello, D33J, Digital Nas, Diplo, Earl, Free School, ILoveUPeter, K Swisha, Lex Luger, Mitus, Pi’erre Bourne, Ricky Racks, Reefer Alston, TheGoodPerry, The Stereotypes,Tillie, TrapMoneyBenny, WondaGurl e R!O.

Miles Parks McCollum, mais conhecido por Lil Yachty, é um rapper americano de Atlanta, Geórgia. Yachty começou a ganhar reconhecimento em agosto de 2015, quando lançou os singles “One Night” e “Minnesota” do seu EP “Summer Songs”. No entanto, ele é mais conhecido pelos singles “Broccoli” e “iSpy”, com D.R.A.M. e Kyle, respectivamente. Lil Yachty é muito novo, mas muito polarizante também. Recentemente, ele foi franco ao falar sobre sua falta de interesse pelo hip-hop old-school. Tanto que chegou a admitir que não consegue nomear cinco músicas de 2Pac ou Biggie. Entretanto, o rapper tem sido persistente em sua carreira e suas opiniões controversas. Enquanto ele recusa a olhar para o passado e se inspirar em grandes nomes do hip-hop, o seu álbum de estreia chamou a atenção para si. Adequadamente intitulado “Teenage Emotions”, o registro o encontra falando muitas vezes de forma grosseira sobre garotas, sexo, dinheiro e festas. Definitivamente, esse álbum não possui um repertório tão frágil quanto o título sugere.

Ainda assim, ele resume sucintamente as prioridades da vida de um adolescente. O problema é que “Teenage Emotions” é ironicamente carente de emoção. É uma compilação de músicas superficiais que nem sempre conseguem atingir algum pico. Liricamente, Lil Yachty não traz nada de novo ao jogo, enquanto o maior ponto positivo é a cadência de sua voz. Certamente, o que o diferencia da maioria dos outros rappers de hoje é a sua voz. Mas, apesar de uma sensação palpável de diversão e as constantes melodias de fácil escuta, “Teenage Emotions” luta para estabelecer uma atmosfera coesa no decorrer de suas 21 faixas. Sem dúvida, o rapper poderia ter cortado pelo menos 10 músicas do álbum, pois é um LP extremamente longo. O álbum também parece um pouco denso, particularmente na primeira metade. No entanto, ele recupera um pouco do equilíbrio nas músicas que exploram suas maiores forças. Apesar das várias letras insensatas e desnecessárias (“ela sopra o meu pau como um violoncelo” “você é fedido e sujo como um peido”), o álbum é um bom seguimento para a mixtape “Lil Boat” (2016).

Em “Like a Star” o rapper fala insolentemente sobre “seis putas diferentes”. Eu até entendo que as letras nem sempre precisam ser o aspecto mais importante de uma música, mas em “Like a Star” a produção também não surpreende. Em “DN Freestyle” e “Peek a Boo” Yachty faz movimentos flexíveis e padronizados com batidas trap tradicionais. Infelizmente, em ambas faixas ele não trabalha com a qualidade natural de sua voz. Lançada como primeiro single, “Peek a Boo” contém uma batida noturna marcante e a participação do grupo Migos. Essa canção obteve muita atenção, principalmente, devido a linha “ela sopra o meu pau como um violoncelo”. Além das letras corajosas e indecentes, o refrão é um pouco irritante e o fluxo entediante. Enquanto “Harley” é uma música alegre e divertida, graças à sua batida rítmica e efusiva, as letras novamente a levam para baixo. De qualquer forma, um bom conteúdo lírico não é algo que deveríamos esperar de um álbum do Lil Yachty.

“Say My Name” e “All You Had to Say” são duas músicas medianas, não sendo boas o suficiente para serem consideradas ótimas, mas também não chegam a serem terríveis. A nona faixa, “Better”, com Stefflon Don, é talvez um dos destaques do álbum. Uma música tingida de dancehall, que oferece uma sensação verdadeiramente calorosa. Ela é relaxada e lembra o ouvinte de coisas que eles mantém por perto, como momentos com os amigos, verão e viagens. “Better” é seguida por outra canção interessante, chamada “Forever Young”. Surpreendentemente produzido por Diplo, o ótimo instrumental eletrônico é acompanhado por uma forte reverberação da voz de Lil Yachty. “Better”, “Forever Young” e a próxima faixa, “Lady in Yellow”, são exemplos onde Yachty consegue conectar-se com os jovens. Ele consegue captar a atenção de uma maneira simples, mas de um jeito igualmente memorável. Embora “Lady in Yellow” seja outro caso de lirismo preguiçoso, ela mostra novamente a versatilidade do rapper.

Uma música com influências rock, que fornece uma atmosfera grunge, instrumentação potente e fortes tambores. Um padrão começa a se formar quando “Moments in Time” se apresenta como uma música criativa e agradável. O seu padrão emergente e cantado, mostra que canções menos orientadas para o rap são justamente as mais cativantes. Enquanto faltam letras substanciais em “X Men”, com Evander Griiim, ela traz à mesa uma batida trap agressiva e impõe uma sensação de caos, algo que não costuma ser encontrado nas músicas de Lil Yachty. “Running With a Ghost”, com a cantora Grace, por sua vez, fornece uma ligeira desigualdade. Aparentemente, é uma música interpretada pelo personagem Lil Boat. Felizmente, o canto de Grace está no ponto e soa muito cativante. Em contrapartida, “No More” e “Made of Glass” são duas faixas bem decepcionantes. São músicas relaxadas que não trazem nada de interessante para o registro. Isso nos faz perceber o quanto esse álbum foi potencialmente maior do que deveria ter sido. A última faixa do disco, “Momma (Outro), com Sonyae Elise, felizmente destaca-se em som e conteúdo.

Nesta balada melódica, Yachty canta para a sua mãe, chamando-a de sua “melhor amiga” e “primeira dama”. É uma faixa sincera e inesperadamente doce, apesar de vir na sequência de três músicas liricamente vulgares. Como dito antes, “Teenage Emotions” é um bom acompanhamento para a mixtape “Lil Boat”, mesmo não sendo musicalmente tão sólido quanto. Lil Yachty conseguiu provar a sua versatilidade, algo que talvez seja o que o mantém relevante na indústria atual. “Teenage Emotions” não oferece uma boa narrativa dos altos e baixos da adolescência, mas também não é carente de uma autoconsciência. Apesar de ser atualmente uma das figuras mais polarizadoras do hip-hop, o próprio Lil Yachty não se leva a sério demais. Ele é quem é, com suas metáforas genéricas, referências mal concebidas e linguagem indecente. No geral, “Teenage Emotions” atendeu às expectativas de muitos, independentemente do quão alto eram essas expectativas. O álbum é muito polarizante, mas um material de estréia substancial para um alguém tão novo como Lil Yachty.

Favorite Tracks: “All Around Me (feat. YG & Kamaiyah)”, “Forever Young (feat. Diplo)” e “Running with a Ghost (feat. Grace)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.