Resenha: Liam Gallagher – As You Were

Lançamento: 06/10/2017
Gênero: Britpop
Gravadora: Warner Bros. Records
Produtores: Greg Kurstin, Dan Grech-Marguerat e Andrew Wyatt.

Liam Gallagher é um músico impetuoso que faz o que quiser sem se importar com o que os outros vão pensam. Esta é uma das razões pelo qual ele é um dos rockstars mais queridos do Reino Unido. Entretanto, esta também é uma das razões pela qual ele é um dos homens mais odiados da história do rock and roll. Liam Gallagher e a sua ex-banda, Oasis, possuem apenas dois álbuns aclamados, entretanto, ele age como se fosse a encarnação de John Lennon. Faz sentido que o seu álbum de estreia solo seja intitulado “As You Were”, pois é um registro casual e muito seguro. Co-produzido por Greg Kurstin, que recentemente ficou responsável pelo novo disco do Foo Fighters, “As You Were” mostra Gallagher em total zona de conforto. Riffs de guitarra familiares com um sulco clássico, baladas acústicas com tamborins ao fundo e vocais altos e orgulhosos. Este é basicamente o resumo do álbum. Assim como os últimos discos do Oasis, este registro fica preso num terreno bastante familiar. Por este motivo, os problemas com o repertório começam a surgir quando ele fica muito dependente das glórias do passado de Liam Gallagher. Isto faz o álbum cair nas mesmas falhas que assombraram o Oasis e o supergrupo Beady Eye em seus últimos anos.

Portanto, podemos afirmar que “As You Were” não acrescenta nada de novo e memorável à carreira de Gallagher. Em grande parte, o conteúdo lírico possui muitas falhas, mas devida às deficiências do próprio artista. Em contrapartida, há muito coisa que me agradou neste álbum, porque o cantor conhece seus limites e utilizou os seus pontos fortes. Os altos vocais são os elementos mais proeminentes de cada música, seja no blues-rock “Wall of Glass” ou no rock-psicodélico “Chinatown”. A intimidade emocionante dos primeiros singles do Oasis, a propósito, marcam presença no citado primeiro single “Wall of Glass”. E, mesmo quando certas faixas têm uma produção pesada, como “Greedy Soul” e “Universal Gleam”, a voz de Liam Gallagher torna-se a característica mais onipresente do álbum. Por um lado, é bom ouvir o cantor tentar parecer um jovem rebelde em “Greedy Soul” vinte anos depois do single “Cigarettes & Alcohol”. “Eles estão me cavando por ouro / Bem, se a verdade for dita / Você tem que espalhar tudo / Espero que você vá para o inferno”, ele canta aqui. Mesmo aos 45 anos, Liam Gallagher continua sendo um cantor muito forte. Consequentemente, é impressionante ouvi-lo segurar as notas das baladas “For What It’s Worth” e “When I’m in Need”.

Enquanto a primeira possui um conteúdo lírico catártico e confessional, a segunda exala uma brisa mais discreta através de letras como: “Ela é uma névoa tão roxa, você sabe o que quero dizer / Eu estou contando os dias até que ela seja minha”. Em faixas mais lentas e emocionais, como “Paper Crown” e “I’ve All I Need”, Liam destaca-se ao exibir a sua vulnerabilidade e vontade de refletir. A personalidade excêntrica do cantor com certeza tornou o trabalho de Greg Kurstin e Dan Grech-Marguerat relativamente mais fácil. Afinal, a maioria das canções foram conscientemente escritas na perspectiva de Liam Gallagher. Faixas como “You Better Run” e “I Get By”, por exemplo, são bons indicativos disto, pois parece que nós já ouvimos várias versões delas antes. Isto me faz pensar que ele está muito mais interessado no passado do que na vontade de abraçar novos sons. Por fim, fortes vibrações de rock and roll aparecem em “Come Back to Me”, onde Liam cria um poderoso efeito sobre um loop de piano e alguns bons solos de guitarra. “As You Were” não é um disco perfeito por qualquer meio, pois entre as melhores canções há algumas faixas fillers. De qualquer forma, este registro é exatamente o que poderíamos esperar de Liam Gallagher em pleno ano de 2017. Ele não mudou ao longo dos anos, para melhor ou pior, e continua criando algumas músicas poderosas.

Favorite Tracks: “Wall of Glass”, “For What It’s Worth” e “Come Back to Me”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.