Resenha: Leonard Cohen – You Want It Darker

Lançamento: 21/10/2016
Gênero: Rock, Soft Rock, Folk
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Leonard Cohen, Adam Cohen e Patrick Leonard.

Leonard Cohen foi um lendário cantor, compositor e poeta canadense, que explorou a religião, política, sexualidade e os relacionamentos pessoais em sua música. Ele morreu em 07 de setembro de 2016 aos 82 anos na sua casa em Los Angeles. No ano em que perdemos artistas da magnitude de David Bowie e Prince, perder Leonard Cohen foi tão comovente e triste quanto. Ele influenciou artistas de várias gerações e lançou o seu último álbum, “You Want it Darker”, em 21 de outubro de 2016. Curiosamente, é o seu terceiro disco nos últimos cinco anos. Produzido principalmente por seu filho Adam Cohen, o álbum explora suas habilidades musicais mais eficazes. Há uma sensação de presságio em seu título e, embora não seja tão escuro quanto seus álbuns mais recentes, segue um modelo semelhante.

Poucos artistas nessa idade fez discos tão bons quanto Leonard Cohen. Mesmo com 82 anos, seus vocais e letras permanecem de outro mundo. Portanto, o simples fato de Cohen ter sido capaz de produzir músicas com essa qualidade nessa idade, foi algo notável. Sua voz grave e profunda e seu elaborado conteúdo literário, que mistura reflexões românticas com temas espirituais, são incríveis. Uma linha de baixo crua e o poderoso barítono de Cohen conduzem “You Want It Darker”, a faixa-título do álbum. Uma canção excepcional, com um belo coro ao fundo, um órgão sutil e uma declaração religiosa. A palavra hebraica Hineni, que significa “aqui estou”, é repetida por toda parte. Hineni foram as palavras que Abraão falou para Deus, quando declarou prontidão para sacrificar seu filho.

“Exaltado e santificado seja o Teu sagrado nome / Desprezado e crucificado quando na forma humana / Um milhão de velas queimando pela ajuda que nunca veio / Você deseja mais escuridão / Aqui estou, aqui estou / Estou pronto, meu Senhor”, Cohen entoa no refrão. “Treaty” é uma das peças centrais do álbum, com uma melodia reminiscente do disco “The Future” (1992). É uma bela e discreta música, com piano, teclado, backing vocals e cordas ocasionais. Mais uma vez, a profunda voz de Leonard Cohen domina a canção. Em “On the Level”, por outro lado, temos um reconfortante vocal feminino distraindo a entrega esboçada de Cohen. “Leaving the Table”, por sua vez, é uma música country que ilustra a preferência de Cohen por composições minimalistas.

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Sua voz parece extremamente cansada, mas mesmo assim funciona muito bem. A pista é guiada por uma guitarra, bandolim e um apoio suave de cordas. Seu arranjo musical é muito agradável e acrescenta um sentimento de coesão à música. “If I Didn’t Have Your Love” está entre os momentos mais sombrios do álbum, embora também possua um inegável charme. A faixa seguinte, “Traveling Light”, apresenta uma dinâmica entre a guitarra e o violino, a fim de gerar uma atmosfera nervosa. É um número folk mais tradicional, que certamente poderia servir de trilha sonora para algum namoro do passado de Leonard Cohen. “It Seemed the Better Way” apresenta um violino proeminente em sua composição, enquanto “Steer Your Way” é tão elegante quanto o homem que a escreveu.

Essa música é um destaque a parte, uma vez que o violino passa de uma breve introdução barroca para algo muito maior. Depois do instrumental “String Reprise”, o álbum conclui com a música “Treaty”, uma represália da segunda faixa do repertório. O décimo quarto álbum de estúdio de Leonard Cohen é reflexivo, íntimo e completamente nostálgico. É quase uma obra-prima, que serviu como a despedida do cantor que praticou uma revolução espiritual e criativa em sua vida artística. “You Want It Darker” leva apenas 36 minutos para entregar 9 belíssimas canções. É difícil encontrar falhas na composição desse álbum, da mesma forma que não é difícil elogiar um poeta premiado como Cohen. Produzido por seu filho Adam e o colaborador de longa data Patrick Leonard, o álbum permite o ouvinte se envolver profundamente.

O humor sombrio das letras e voz de Cohen é perfeitamente combinado por acompanhamentos corais e discretas seções de cordas. As auto-citações e reflexões líricas desse álbum só poderiam ter vindo de um verdadeiro mestre como Leonard Cohen. Enquanto isso, o seu barítono tem sido a espinha dorsal dos seus últimos discos lançados. Aqui nesse registro isso não foi diferente, uma vez que seus grunhidos e poderoso barítono complementaram de forma eficaz todo o conteúdo lírico promovido. Sem dúvida, o canadense carregou um legado que foi construído para durar séculos. “You Want It Darker”, o último álbum de estúdio de Leonard Cohen, surgiu como uma grande declaração final. Não é apenas o seu melhor álbum em anos, mas também um dos melhores que já fez.

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Favorite Tracks: “You Want It Darker”, “Treaty” e “Leaving the Table”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.