Resenha: Lenny Kravitz – Strut

Lançamento: 23/09/2014
Gênero: Rock, Soul, Funky, Blues
Gravadora: Roxie Records / Kobalt Label Services
Produtores: Lenny Kravitz.

“Strut” é o título do décimo álbum de estúdio de Lenny Kravitz, lançado dia 23 de setembro de 2014. É o primeiro lançamento por sua própria gravadora, a Roxie Records, com distribuição pela Kobalt Label Services. Lenny Kraviz já é um artista consagrado, um multi-instrumentista extremamente talentoso e vencedor de 4 prêmios Grammy na categoria “Melhor Performance Rock Vocal Masculino” por quatro anos consecutivos, de 1999 a 2002. Há sempre um resquício de medo quando você lança um novo material, após ter um catálogo tão grande e amado como o de Kravitz. Mas nesse décimo disco, ele não está tentando se reinventar e isso, em certo ponto, é algo bom. Ele sempre fez um som que incorpora um estilo retrô com elementos de rock, soul, funky, blues, reggae e psicodélico. E é isso que ouvimos no “Strut”, com um maior aceno para os anos 1970 e 1980. Kravitz é dono de grandes canções, como “Let Love Rule”, “It Ain’t Over Till It’s Over”, “Are You Gonna Go My Way”, “Fly Away” e “Again”. O cara já mostrou ser um músico exemplar.

Este último trabalho traz 12 canções (14 na versão deluxe), onde ele implanta todas as suas habilidades sônicas consideráveis em músicas que são, propositadamente, trashy e assumidamente divertidas, com um resultado final muito positivo. Diga o que quiser sobre Lenny Kravitz, mas talvez ele é o único homem no planeta com 50 anos que pode cantar – “Tire suas calcinhas para baixo / E me dar esse tesouro” – como ouvimos em “Dirty White Boots”, terceira faixa do álbum. Uma canção rock com elementos de tempos passados e estilo psicodélico. É uma boa faixa, embora fique um pouco enfadonha e repetitiva quando aproxima do seu final. “Dirty White Boots” lidera um conjunto de outras músicas que preenchem o restante do álbum de forma bem sexy. Mas isso não quer dizer nada, porque do outro lado dessa ponta de apelo sexual escandaloso temos um artista muito talentoso e resiliente.

Mesmo após anos de carreira, Kravitz ainda consegue impressionar e inspirar com outra coleção de ótimas músicas, que farão você querer dançar tanto quanto fazem você pensar. O cara é estimulado pelos sons evocativos dos Beatles, Jimi Hendrix e Prince, e sempre é efervescente com temas como amor e paz. Tal como seus esforços anteriores, “Strut” é escrito, arranjado, produzido e composto pela visão produtiva de Kravitz, ele sempre fez uma resinificação e modernização da música rock dos anos 1960 e 1970, em suma, ele gosta de homenagear e fazer o antigo soar novo outra vez. A primeira faixa é simplesmente intitulada “Sex”, exatamente o que esperaríamos, um funky muito divertido e contagiante. Os vocais de Lenny estão no ponto nesse número explosivo, que inclusive foi lançado como segundo single.

Lenny Kravitz

O destaque “The Chamber” é surpreendentemente new wave, com um baixo viciante marcando presença por toda sua execução. Uma balada realmente digna, com um inteligente jogo de palavras e um ritmo totalmente agradável. “New York City”, por sua vez, é um trabalho de bom gosto com a guitarra dançante de Lenny Kravitz liderando o caminho. O coro gospel e o saxofone foram elementos muito bem posicionados, um clássico rock & roll viciante de 6 minutos e 23 segundos. Em seguida, temos “The Pleasure and the Pain”, que é mais jogada para o lado jazz e blue, além de ser um pouco mais descontraída. Essa música ainda fornece uma grande melodia e um riff de guitarra memorável, enquanto sua letra fala sobre um caso amoroso que já passou por problemas, mas resistiu ao teste do tempo e da tentação.

Outro momento memorável é a rítmica e atrevida faixa-título, onde Lenny Kravitz deixa uma mensagem para si mesmo e pendura-se em um riff cativante e um forte gancho: “Strut, Let me see you work / This is your chance for you to go berserk!”. A segunda metade começa com um rumo diferente, mas mantendo-se na mesma sensação geral do álbum. “Frankenstein” tem um moagem mais lenta, enquanto Lenny canta sobre a dor de estar sozinho e transformá-lo de dentro para fora. Essa possui uma grande vibração rock que mantém o ouvinte em transe em sua totalidade, na mesma medida que os backing vocals femininos e o saxofone dão uma ótima sensação dos anos 70.

Lenny Kravitz

No outro lado do espectro, a balada “She’s a Beast” possui tons sexuais, além de trazer guitarras acústicas e um som influenciado pelo country. Uma canção de amor de destaque, onde a alma de Lenny realmente brilha com suas letra inspiradoras. Em seguida, temos a faixa “I’m a Believer”, quase uma imitação de “Shattered” da banda Rolling Stones. Esperamos que tenha sido de propósito, porque a música não é ruim. Pelo contrário, é uma faixa divertida e com uma boa energia, que fala sobre a forte crença cristã de Lenny Kravitz. Isto é seguido por “Happy Birthday”, que interrompe o bom fluxo, embora não o suficiente para arruinar a experiência global de escutar o álbum. Em boa parte possui um piano junto ao fundo e um solo legal de guitarra, porém, é estranha, um pouco forçada e não parece fluir bem.

Por outro lado, o solo de sax em “I Never Want to Let You Down” se encaixou perfeitamente com os riffs de guitarra, levantando o fluxo do disco novamente. Aqui, Lenny Kravitz foi responsável pela maioria dos instrumentos: vocais, bateria, pandeiro e violão (exceto alguns solos de Craig Ross). Para encerrar o álbum, Kravitz performa o clássico “Ooo Baby Baby” (1965) do The Miracles. O cantor atualizou a melodia com uma instrumentação mais corajosa e ainda conseguiu manter a vibração original da canção. Seu mais recente álbum, “Strut”, lançado 23 de setembro de 2014, marca o seu primeiro em três anos. Sua décima gravação de estúdio e a primeira em seu próprio selo, a Roxie Records Inc, uma homenagem à sua mãe.

Como em outros registros, ele perde um pouco o vapor uma vez que entra em sua segunda metade, mas ainda com alguns momentos bastante memoráveis. Suas canções continuam altamente polidas, faixas muito bem produzidas que desafiam o gênero. Nos dias de hoje, ele é amplamente conhecido por seus papéis de atuação, incluindo o Cinna da trilogia Jogos Vorazes, mas é com ofertas no campo musical que Kravitz deixa sua maior marca. “Strut” é definitivamente um registro muito consistente, mesmo possuindo alguns momentos em que sons particulares fiquem exaustos e levem o álbum para um caminho menos versátil. Os riffs de guitarra com certeza agradou os amantes de rock, na mesma proporção que os seus fãs devem ter amado os vocais inconfundíveis. Em um momento em que muitos gritam “O que aconteceu com o rock and roll?”, o “Strut” aparece e oferece isso.

75

Favorite Tracks: “Sex”, “The Chamber”, “The Pleasure and the Pain”, “Strut” e “She’s a Beast”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.