Resenha: Leighton Meester – Heartstrings

Lançamento: 28/10/2014
Gênero: Folk, Indie Pop
Gravadora: Hotly Wanting
Produtores: Jeff Trott.

A cantora e atriz Leighton Meester lançou o seu primeiro álbum de estúdio, “Heartstrings”, em outubro de 2014. Famosa por estrelar como Blair Waldorf na série de drama teen Gossip Girl, Leighton Meester já havia se aventurado na música anteriormente, com destaque para sua colaboração com a banda Cobra Starship no hit “Good Girls Go Bad” de 2009. Ela também já lançou outros singles, bem como já gravou várias músicas para trilhas sonoras, no entanto, nos últimos anos ela mudou seu som do pop para o folk. Inclusive, em 2012 embarcou em uma mini turnê com a banda de folk Check in the Dark, com quem já estava trabalhando desde 2010. Entre vários trabalhos como atriz, Meester apareceu em filmes como “Country Strong” (2010), o thriller The Roommate (2011), a comédia romântica “Monte Carlo” (2011) e as comédias “The Oranges” (2011) e “That’s My Boy” (2012). Ela também entrou na Broadway em 2014, estrelando como a esposa de Curley ao lado de James Franco e Chris O’Dowd em “Of Mice and Men”.

“Heartstrings” foi lançado pela gravadora Hotly Wanting, produzido por Jeff Trott (conhecido por trabalhar com Sheryl Crow, Colbie Caillat e Jason Mraz) e é composto de nove faixas, todas escritas por Leighton Meester. Nos Estados Unidos, o disco estreou na modesta posição #139 da Billboard 200. Dois singles lançados por Meester que e, particularmente adoro é “Somebody to Love” com Robin Thicke e “Your Love’s a Drug”. Duas músicas pop extremamente cativantes e radiofônicas, sendo surpreendente não terem feito sucesso em território americano. Outra canção com participação da cantora que eu acho muito boa é “She Said”, do cantor Stephen Jerzak, do seu disco “Miles and Miles” lançado em 2010. O fato dessas músicas serem muito agradáveis foi um ponto crucial pelo meu interesse em escutar o seu primeiro álbum de estúdio. “Heartstrings” traz um repertório com músicas despojadas, descontraídas e envolventes, além de suaves melodias. Elementos musicais dos anos 1970 também marcam presença, além claro, dos seus bons vocais e charme vintage. Após envolver-se em muitos sons, Meester encontrou o seu nicho na música com este álbum folk-pop.

“Heartstrings”, surpreendentemente, é um material muito engajado em sua simplicidade, caracterizando Meester como uma cantora e compositora, mergulhando em letras sinceras e conjugadas, e um repertório formado por simples progressões de acordes. Liricamente, “Heartstrings” não é exatamente algo revolucionário, mas é, sem dúvida, um reflexo direto de Leighton Meester como pessoa, ao contrário de sua persona pública. As nove músicas do disco são sobre relacionamentos e amores perdidos, coisas que todos nós podemos nos relacionar. A faixa-título, lançada como primeiro single, abre o álbum e é um resumo perfeito para todo o restante, pois é pura, folclórica e linda. A voz de Leighton Meester está arejada, enquanto é acompanhada por uma guitarra suave e uma percussão constante. A letra trata-se de alguém que está tentando reconquistar o coração de Meester, mas ela se recusa a entregar seu coração novamente para aquele que o machucou. Uma música realmente bem escrita e interpretada, que ainda ganhou um videoclipe bem charmoso.

Leighton Meester (1)

A segunda faixa, “Run Away”, começa com um ritmo forte na bateria antes de liberar a melodia principal. Suas letras são honestas e relacionáveis, “Run away home with me. Run away into our past / Run away lets figure it out”, uma música sólida do começo ao fim. As guitarras também contribuem para o ambiente, levemente polvilhadas para dar a exata textura. Em termos simples, “Run Away” faz você querer fazer exatamente isso: fugir e sair da sua atual circunstância, um meio de escapar e experimentar algo novo. “Good for One Thing”, por sua vez, é a faixa mais otimista do álbum, onde dificilmente você não vai começar a bater palmas ou o pé junto com a batida. Sua letra, em alguns versos, chega a ser engraçada com Leighton Meester basicamente dizendo: “You’re pretty / But that’s all / Stop talking, please” (“Você é bonito / Mas isso é tudo / Pare de falar, por favor”). O seu ritmo é mais rápido do que as duas primeiras faixas, acompanhado por tambores contundentes que dão um frescor para o álbum e ainda mantém a sensação folk.

O título da quarta faixa, “Sweet”, praticamente define o que a música é: doce e sexy, tudo ao mesmo tempo. Uma canção sonhadora da forma mais simples possível, com vocais suaves e um ritmo lento. A sua letra é particularmente poética, afirmando: “My heart is bursting / My head is on overload / My lines are twisting / And I want more”. É uma canção sobre o anseio pelo amor, mesmo que seja algo torturante. A up-tempo “On My Side” possui uma letra bem repetitiva, mas é uma canção que permanece fiel ao tema do álbum, além de lembrar muito o pop-rock dos anos 1990. A melodia do refrão é bem composta, o que faz ela grudar com facilidade na cabeça. Às vezes parece que todo mundo tem uma canção que fala sobre a cidade em que vive, e com Leighton Meester não foi diferente. “L.A.” soa como uma verdadeira pista para o verão da cidade ensolarada. É uma faixa com uma sensação retrô inspiradora, uma vibe dos anos 1960 misturada com melodias contemporâneas.

Leighton Meester (3)

“L.A.” é realmente uma canção romântica, que fala sobre a falta que alguém especial faz na cidade da Costa Oeste dos Estados Unidos. Já a faixa “Dreaming” é exótica, onde ouvimos Meester cantando sobre algo que só é real em seus sonhos. O violão e o pandeiro combinados com os vocais sussurrados e sensuais, ficaram em uma boa sintonia. Em “Blue Afternoon” Leighton Meester mostra um alcance vocal decente e um arranjo agradável, mas ao passo que ainda possui o ritmo folk e as paisagens sonoras alternativas que ouvimos até agora, ela sente-se um pouco mais escura que as outras faixas. A percussão no seu início é uma das melhores, enquanto no meio da música o ritmo fica mais rápido na medida que ela explica porque não se importa com o passar do tempo (“I don’t mind wasting time/In your eyes, I fall asleep soundly”), liricamente, é um dos destaques.

A faixa final, “Entitled”, transmite uma sensação de mistério, similar aos créditos finais de um filme. A música começa com um ritmo estimulado pelo violão, seção de cordas da qual, durante a música, complementa muito bem cada linha melódica. Vocalmente, o destaque na música vem durante a linha: “Shame on you, shame on me too”. É seguro dizer que Leighton Meester me provou o contrário, porque este é, verdadeiramente, um registro com potencial para ganhar legitimidade entre os círculos indie. Embora as canções sejam suaves, elas também são robustas, o que significa que o disco foi uma boa surpresa. Um álbum adulto alternativo que atravessa o passado e o presente, que ganha poder a partir de seus elementos clássicos e da sensibilidade moderna, um material absolutamente calmante.

Uma das poucas coisas que, para mim, deixou a desejar foi a falta de um pouco mais de força nas canções, o que acabou causando em determinados momentos uma certa monotonia. Mas de qualquer maneira, o “Heartstrings” é completamente diferente de tudo que você já ouviu dela antes. Um material coeso, com cada música sendo sólida liricamente e musicalmente. Os instrumentais do álbum foram todos gravadas ao vivo no estúdio, e essa sensação orgânica foi capitada para dentro do álbum, ao mesmo tempo que a voz de Meester é sensual, suave e ainda vulnerável. Ela mostra confiança e profundidade em cada canção, e é evidente que finalmente sente-se em casa com a música folk. Estou bastante surpreso que Leighton Meester veio com um álbum tão profundo e pessoal, sem abusar de diferentes produtores e compositores. Há alguns momentos em que sua voz se revela demasiadamente leve, mas em sua maior parte, ela comunica bem suas filosofias com o ouvinte.

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Favorite Tracks: “Heartstrings”, “Run Away”, “Good for One Thing”, “On My Side” e “Blue Afternoon”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.