Resenha: Lee Ann Womack – The Lonely, the Lonesome & the Gone

Lançamento: 27/10/2017
Gênero: Country, Blues, Soul, Americana
Gravadora: ATO Records
Produtor: Frank Liddell.

Com um catálogo que inclui vários sucessos como “The Fool”, “A Little Past Little Rock” e “I Hope You Dance”, Lee Ann Womack ganhou o direito de gravar qualquer álbum que quisesse. Com “The Lonely, The Lonesome & The Gone”, o seu mais novo LP, ela fez muito mais do que o esperado. Tal como sempre, a cantora tende a falar sobre situações da vida real e as lutas que praticamente todo mundo atravessa. A maior parte deste álbum encontra Womack em uma era passada, algo que ela realmente prefere. A cantora é conhecida por sua voz encantadora, que costuma estender-se pela raízes do country, blues e soul. A artista, que atualmente mora no Texas, expõe muitos de seus contemporâneos com uma agilidade vocal quase incomparável. Neste novo LP, Womack nos lembra que ela é muito mais do que apenas uma voz apaixonada. “The Lonely, The Lonesome & The Gone” tem uma qualidade quase cinematográfica, algo impulsionado por arranjos exuberantes e dinâmicos vocais. Demorou um período de seis anos entre o álbum “Call Me Crazy” (2008) e o seu próximo lançamento, o excelente “The Way I’m Livin'” (2014). A troca de gravadora no meio tempo que separa esses discos, resultou num material muito mais sombrio.

“The Way I’m Livin'” (2014) possui covers impressionantes de compositores como Neil Young, Mindy Smith e Hayes Carll. Não por coincidência, ela resolveu trabalhar novamente com Frank Liddell, notável produtor que também é o seu marido. Após outra mudança de rótulo, Lee Ann Womack pousa sobre um som country-blues, country-soul e americana. Enquanto Womack continua a aprimorar um território mais sombrio, desta vez ela contribui para a composição, co-escrevendo seis das quatorze faixas do repertório. Dito isto, a maneira como sua voz envolve os arranjos ocasionalmente mais complicados, revela toda a sua gama e talento. O álbum começa, apropriadamente, com apenas a voz de Womack. “All the Trouble” possui um verso quase acapela e evoca uma calma misteriosa e relaxante, que pré-anuncia o grande conteúdo lírico. Aqui, a cantora atinge um posto verdadeiramente emocional. A faixa-título, “The Lonely, The Lonesome & The Gone”, anseia por uma era de ouro da música, enquanto Womack apenas adiciona a quantidade certa de melancolia. Ela também surpreende com as belas interpretações dos covers de “He Called Me Baby” (Harlan Howard) e “Long Black Veil” (Lefty Frizzell). Definitivamente, há um pouco de tudo neste álbum.

“Hollywood”, por exemplo, beneficia-se da ótima produção de Frank Liddell e escrita countrypolitan de Womack. Liricamente, a cantora acusa o marido de ser um grande ator, por fingir ser feliz num casamento que parece estar desmoronando. O cover de “Shine On Rainy Day” (Andrew Combs) possui arranjos obscuros e mostra mais da voz cristalina de Womack. Enquanto “Wicked” traz à mente algumas das maiores músicas country da história, “Sunday” fornece uma grande quantidade de angústia sobre uma mulher que precisa fugir de seus demônios internos. A última faixa, “Take the Devil Out of Me”, é um cover gospel de George Jones, escrita originalmente em 1959. É uma canção curta que termina rapidamente e desaparece apenas com a voz de Womack sobre um violão elétrico. Enquanto a voz de Lee Ann Womack é excelente, a produção de Lidell é de primeira qualidade. Dito isto, “The Lonely, The Lonesome & The Gone” é um forte candidato para aparecer na lista de melhores discos do ano. É um álbum que mostra o porquê Womack é considerada uma das principais artistas de raiz americana e boa o suficiente para contar qualquer história. Se você passou a curtir country recentemente, você precisa ouvir mais da discografia de Lee Ann Womack, pois é uma vocalista com habilidades vocais fora dos padrões.

Favorite Tracks: “All the Trouble”, “The Lonely, The Lonesome & The Gone” e “Hollywood.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.