Resenha: Lea Michele – Places

Lançamento: 28/04/2017
Gênero: Pop
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Xandy Barry, Andrew Hollander, Toby Gad, Jon Levine, Kyle Moorman, John Shanks e Jesse Shatkin.

Lea Michele chegou a fama como Rachel Berry na famosa série Glee de Ryan Murphy. Cada episódio apresentou a atriz e cantora interpretando músicas de diferentes estilos musicais. Foi sua crescente e poderosa voz que fez os fãs se apaixonarem por ela. Antes de Glee, ela adquiriu muita experiência na Broadway e, depois da série, apareceu em duas temporadas de Scream Queens. Michele lançou o seu primeiro álbum, “Louder”, em 2014, e conseguiu críticas bem mistas da mídia e público. Um álbum com um som pop desigual e sem foco, que deixou a proeza vocal de Michele um pouco escondida. Três anos depois, a cantora resolveu lançar um novo álbum, intitulado “Places”. Ela o chamou de um retorno às suas raízes teatrais. Dessa vez, ela aparentemente se conectou melhor com a emoção das letras e pureza de seus vocais. Seu álbum de estréia saiu logo após a morte de Cory Monteith, e incluía baladas doloridas sobre ele. Mas, desde o início, “Places” distingue-se como um álbum muito mais maduro.

Ele possui produções mais despojadas, abundância de piano e cordas e a voz de Michele tomando o centro do palco. Ela começou a gravá-lo em 2015, apenas um ano depois de lançar o “Louder”. “Places” tenta mostra os vocais de Michele de forma mais crua, sem sintetizadores ou outros elementos sonoros exagerados. O álbum apresenta letras mais profundas, mas sempre usa uma mesma fórmula, com notas altas, guitarra e piano como melodia. É um registro mais maduro que mostra um ligeiro crescimento de Lea Michele. Entretanto, soa um pouco decepcionante, porque não atinge o objetivo e contém músicas extremamente parecidas. O primeiro single, “Love Is Alive”, estabelece o tom para o álbum, soando como uma trilha sonora de algum musical. Ele combina todos os elementos que fizeram de Michele um nome familiar. Um piano, cordas de violino e lindos vocais combinam-se para produzir uma atmosfera quase cinematográfica. Liricamente, “Love is Alive” é uma balada sobre acreditar no amor e ser feliz. Infelizmente, “Places” contém alguns números tão frustantes quanto o “Louder”.

Embora tecnicamente não há nada de errado com as 11 faixas, você percebe que ainda falta algo. Os problemas começam a surgir com a segunda faixa “Heavy Love” e, quando você estiver na última canção, perceberá que a falta de variedade torna difícil distinguir uma música da outra. A balada “Proud” tem, como esperado, o piano e sua voz transmitindo as devidas emoções. A força de sua voz dá arrepios, mas, assim como as demais, é uma música que não se destaca de forma única porque os sons e melodia são muito semelhantes. Definitivamente, não há uma canção revolucionária ou de grande destaque por aqui. “Believer” contém uma ruptura emocional nos vocais de Michele, uma música mid-tempo disfarçada de balada. Liricamente vitoriosa, ela traz uma mensagem inspiradora e toques dramáticos. Mudando um pouco e ligeiramente o tom do álbum, “Run to You” é uma balada sombria que mostra um vocal mais doloroso de Lea Michele. Mais tarde, “Heavenly” surge com um som pop-tradicional, apresentando alguns toques de violão acústico e influência blues no refrão.

Em seguida, a cantora apresenta sua luta para avançar e sobreviver em meio as tribulações da vida na faixa “Anything’s Possible”. Essa canção, em especial, possui letras universais e um refrão realmente atraente. A próxima faixa, “Getaway Car”, é outra balada de piano escassa, com Michele cantando sobre o primeiro amor de forma inocente. Infelizmente, as faixas seguintes, “Sentimental Memories” e “Tornado”, caem de forma plana pela falta de algum força motriz por trás. O disco termina com “Hey You”, uma ode escrita para o ex-namorado de Michele, Cory Monteith, que faleceu tragicamente de uma overdose de drogas em 2013. É uma música sincera que retrata a dificuldade da perda, mas de uma forma esperançosa. Depois de abrir com um agradável e repetitivo riff de piano, é a sua voz que carrega as devidas emoções da música. Apesar dos incríveis e potentes vocais de Lea Michele, “Places” simplesmente não prende o ouvinte. Ele sente-se incompleto e monótomo. Não é o registro que eu esperava que fosse destacar os pontos fortes da cantora. Tecnicamente, ela é uma vocalista notável, mas, infelizmente, ela ainda não encontrou o material que a permite brilhar.

Favorite Tracks: “Love Is Alive”, “Heavenly” e “Anything’s Possible”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.