Resenha: Lea Michele – Louder

Lançamento: 28/02/2014
Gênero: Pop, Pop Rock, Dance-Pop
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Josh Abraham, Benny Blanco, Chris Braide, Scott Cutler, David Hodges, Matt Rad, The Messengers, Monsters & Strangerz, Colin Munroe, Oliver “Oligee” Goldstein, Ali Payami, John Shanks, Sir Nolan, Stargate e Sean Walsh.

Lea Michele é uma cantora e atriz americana, muito conhecida por seu desempenho, de 2009 a 2015, como Rachel Berry na série Glee da Fox. Durante sua participação em Glee, Lea Michele foi muito elogiada pela crítica e ganhou dois prêmios no Globo de Ouro por “Melhor Atriz de Série de Televisão – Comédia ou Musical”, em 2010 e 2011, e uma indicação ao Emmy Awards de “Melhor Atriz em Série de Comédia” em 2010. Ela começou a trabalhar profissionalmente como atriz infantil na Broadway em produções como Les Misérables, Ragtime e Fiddler on the Roof. Em fevereiro de 2014, Michele lançou o seu primeiro álbum solo, intitulado “Louder”, após assinar como artista solo um contrato com gravadora Columbia Records. “Louder” estreou em #4 na Billboard 200 dos Estados Unidos, vendendo pouco mais de 62 mil cópias em sua primeira semana de lançamento.

Para sua criação, Michele colaborou com muitos compositores e produtores, entre eles, Stargate e The Monsters & Strangerz, que já trabalharam com artistas como Demi Lovato, Katy Perry e Rihanna. Musicalmente, o “Louder” é um disco pop com influências de gêneros dance-pop e pop rock. Enquanto liricamente, ele fala de relacionamentos amorosos, emponderamento, força interior e perdas no amor. “É mais do que apenas um álbum para mim”, disse Lea Michele à revista Billboard. “É um pedaço da minha vida que estou feliz que está aqui para eu ter para sempre. Agora que ele está feito, é inacreditável”, finalizou. Aparentemente, foi um lançamento um tanto quanto atrasado da estrela de Glee, visto que a série já estava no ar há 5 anos. A veterana da Broadway, atualmente com 28 anos, arrumou uma forma de colocar o seu poderoso soprano em ritmos dançantes, baladas crescentes e músicas pop mid-tempo, que seguem uma linha entre canções de Katy Perry e Céline Dion.

Como o próprio título do álbum sugere, o repertório possui uma característica de seu talento distinto como vocalista. Entretanto, no geral, o registro é composto por músicas sem personalidade e produções altamente semelhantes à de outras cantoras pop da atualidade. Ao escutar várias vezes, fica cada vez mais claro que não há nada de brilhante ou inovador sobre este trabalho de Michele. Poucas faixas aqui conseguem realmente cativar ou atrair o ouvinte. “Cannonball”, primeiro single e faixa de abertura, é uma delas. Uma balada pop, composta por Sia e produzida por Stargate, onde ela fala sobre a superação de obstáculos e faz algumas analogias à explosão e impacto que provoca uma bala de canhão. A segunda faixa, “One My Way”, começa com um vocal lento, mas rapidamente se transforma em uma música orientada para o dance. Sua letra fala sobre voltar para alguém que não é certo pra você. Lutas contra o amor e comparações com sobriedade são feitas de forma desenfreada por toda parte como, por exemplo, no verso: “And my heart’s too drunk to drive”.

Lea Michele

“Burn with You”, terceira pista, começa de forma delicada e segue como um número meloso e dramático. Segundo a própria Lea Michele, essa era a canção favorita de Cory Monteith, seu namorado e companheiro de série que faleceu em julho de 2013. A letra da canção narra um conto de dois amantes de forma bem trágica, como ouvimos nos versos: “I don’t want to go to heaven if you’re going to hell / I will burn with you”. A balada “Battlefield” é o tipo de música que encaixe-se fortemente ao talento vocal de Michele, pois é mais simples e tem apenas como apoio um escasso piano. É uma bela canção, embora sua letra siga uma metáfora cansativa sobre amor e guerra. “You’re Mine”, por sua vez, é tingida com um romance inocente e é o momento mais musicalmente complexo do álbum. Uma mid-tempo propagada por uma batida nebulosa, que combinou muito bem com a sutil orquestração e os vocais exuberantes de Michele.

A sexta faixa, “Thousand Needles”, é a canção mais obscura do disco, a começar por sua percussão discreta. Aqui, a cantora fala sobre sentir como se estivesse com milhares de agulhas em seu coração (“Like thousand needles in my heart”). É realmente uma balada que transmite uma imagem dramática sobre a dor, o sofrimento e a exaustão de perder alguém. Por outro lado, na faixa-título a cantora traz uma mensagem de capacitação pessoal cantando: “Why don’t you scream a little louder?”. É uma canção mais animada que as demais, porém, encontramos Michele novamente cantando sobre superação de adversidades. “Cue the Rain”, oitava faixa, a cantora entrega mais uma canção com contraste EDM, transmitindo uma sensação de redundância para o ouvinte. O lado bom é que não parece fora do lugar e é uma das músicas da qual Lea Michele foi co-autora. No entanto, se há uma música que deveria ter sido cortada do álbum é “Don’t Let Go”, uma canção pop sem graça, genérica e com uma letra extremamente banal, a exemplo do verso: “Flying high as a kite, don’t ground me low” (“Voando alto como uma pipa, não me deixe no chão”).

“Empty Handed” (co-escrita por Christina Perri), oferece alguns picos de energia e está entre as poucas músicas convincentes do repertório. Sonoramente, possui uma sintonia pop-rock e uma bela melodia no piano, enquanto sua letra fala acerca de deixar alguém te amar. A última faixa do “Louder” é “If You Say So”, segunda música co-escrita por Sia Furler e que fala sobre a morte de Cory Monteith. É uma balada no piano que, naturalmente, sente-se como a canção mais pessoal do disco. É a única música que Michele tem créditos de composição parcial, ao acrescentar suas palavras para expressar a devastação e dor que sentiu à respeito da morte relacionada à drogas do seu namorado. O elenco de Glee é o ato com mais músicas, num total de 207, com entradas na parada da Billboard Hot 100 dos Estados Unidos, o que prova a grande popularidade e audiência acima da média que a série conseguiu. Entretanto, esse álbum de estreia solo de Lea Michele não é tão expressivo quanto as regravações do elenco de Glee. “Louder” é um registro composto gradualmente de músicas previsíveis e sem atrativo, o que é algo lamentável, visto que Michele é bastante talentosa. Outra questão que pude observar, é que seu tom de voz, definitivamente, parece ser muito mais apropriado para o teatro e os palcos da Broadway.

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Favorite Tracks: “Cannonball”, “You’re Mine”, “Empty Handed” e “If You Say So”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.