Resenha: Lara Fabian – Camouflage

Lançamento: 06/10/2017
Gênero: Pop
Gravadora: Sony Music / Warner Music Group
Produtor: Moh Denebi.

Em 1988, a cantora belga-canadense Lara Fabian participou do Eurovision Song Contest em Dublin, Irlanda. Depois disso, sua carreira e popularidade na Bélgica, França e Canadá aumentou consideravelmente. Ela é uma cantora muito conhecida na Europa e tentou conquistar os Estados Unidos com um LP auto-intitulado em 1999. O single “I Will Love Again” fez um sucesso razoável e atingiu a trigésima segunda posição da Billboard Hot 100. Além de “I Will Love Again” ter conseguido a primeira posição na parada Hot Dance Club Songs, outros singles como “Adagio”, “I Am Who I Am” e “Love By Grace” tornaram-se hits em vários países e foram interpretados por artistas como Barbra Streisand e Josh Groban. Após este primeiro disco em inglês, Lara Fabian decidiu retornar à língua francesa, lançando o disco “Nue” (2001). Posteriormente, em 2004, ela resolveu lançar um segundo LP em inglês, intitulado “A Wonderful Life”, que incluiu auxílio de Gary Barlow e Desmond Child. Mais tarde, o piano e a sua voz íntima marcaram presença num outro álbum em inglês chamado “Every Woman in Me” (2009). Muito conhecida no Brasil pelo hit “Love by Grace”, trilha sonora da novela “Laços de Família”, Lara Fabian é muitas vezes comparada com Céline Dion. Em 2017, ela começou a se preparar para um outro retorno ao mundo da língua inglesa.

Depois de divulgar o single “Growing Wings” em agosto, ela lançou o álbum “Camouflage” em 06 de outubro. Composto por doze faixas, co-escritas em grande parte pela própria cantora, é um disco pop produzido unicamente pelo sueco Moh Denebi. Lara Fabian é uma artista multilíngue capaz de cantar em francês, italiano, polonês, russo, espanhol, português e inglês. Depois de “Le Secret” (2013) e “Ma Vie Dans la Tienne” (2015), o seu décimo terceiro álbum de estúdio mostra sua voz angelical totalmente em inglês. “Camouflage” é um registro moderno que une os vocais de Lara Fabian com uma produção eletrônica e orquestração clássica. Enquanto Sharon Vaughn (Willie Nelson, Dolly Parton, Boyzone) ajudou na escrita, o repertório foi todo moldado pela produção moderna e onipresente de Moh Denebi. Quando Fabian canta em inglês a maioria de suas canções são revestidas exclusivamente em poderosas baladas (“Love by Grace” é um perfeito exemplo disso). A faixa de abertura, a já citada “Growing Wings”, é uma balada pop conduzida por teclas de piano, batidas de tambor e um belo trabalho vocal. Lançada como primeiro single, é certamente a canção mais bela do álbum. Consequentemente, ela dita o humor do restante do repertório.

Liricamente, Fabian faz alguns questionamentos, tais como: “Você já enfrentou um oceano? / Embora você não tivesse nenhuma noção / Como nadar, mas você pulou de qualquer maneira”, “Você já beijou um amante? Sabendo que seu coração estava quebrado”, “Você já vagou num deserto / Onde as areias estavam sempre mudando / Mas os ventos te guiaram de qualquer maneira?” e “Você falou em um idioma? / Que você nunca ouviu antes / Mas sua memória entende de qualquer maneira”. Podemos perceber que tais perguntas questionam a impulsividade e coragem, mas por trás de um otimismo imensamente esperançoso. A segunda faixa, “Chameleon”, é igualmente sedutora, infecciosa e agradável, principalmente pela maravilhosa batida em efeito staccato. Enquanto os vocais angelicais e as cordas de “f I Let You Love Me” exalam uma tristeza apaziguadora, a orquestração solene de “Choose What You Love Most (Let It Kill You)” mostram a destreza lírica e grande alcance vocal da cantora. À medida que “We Are the Flyers” é conduzida por vocais mais relaxados e uma bela guitarra acústica, “Painting in the Rain” surge com um trabalho percussivo diferenciado. A combinação de tambores, cordas de violino e teclas de piano injetam um pouco de variedade ao repertório.

A faixa-título, “Camouflage”, repousa sobre as mesmas cordas orquestrais e piano da maioria do repertório, ao passo que a curta “I’m Breakable” possui algumas das notas mais altas do álbum. Em “Keep the Animals Away”, Lara Fabian apresenta vocais mais dinâmicos e é novamente auxiliada por uma guitarra acústica. “We Are the Storm”, por sua vez, possui vocais mais robustos em contraste com as suaves teclas de piano, sintetizadores, tambores e poderosas cordas ao fundo. A melodia desta canção é um destaque a parte, especialmente durante o refrão. Da mesma forma, a melodia e vocais de “Perfect” são o seu maior atrativo. Uma música fabulosa e encantadora que lembra as melhores baladas de Lara Fabian. O registro encerra com a ligeiramente dançante “Communify”, uma canção eletropop com instrumentos de metal, sintetizadores e batidas sintetizadas. Mesmo preenchido por baladas e orquestração similar, Lara Fabian consegue afastar o álbum de qualquer tédio. O seu canto emocional e voz angelical, que a coloca lado a lado com algumas divas modernas como Céline Dion, são os maiores pontos fortes do álbum. No geral, como já mencionado, “Camouflage” é preenchido por grandes orquestrações e arranjos escassos, enquanto há sutis ecos eletrônicos ao fundo. Não é um álbum perfeito, mas possui algumas músicas maravilhosas escondidas no seu interior.

Favorite Tracks: “Growing Wings”, “Chameleon” e “Choose What You Love Most (Let It Kill You)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.