Resenha: Lana Del Rey – Ultraviolence

Lançamento: 13/06/2014
Gênero: Pop, Indie Rock, Blues Rock
Gravadora: Polydor UK / Interscope
Produtores: Dan Auerbach, Lana Del Rey, Paul Epworth, Lee Foster, Daniel Heath, Greg Kurstin, Rick Nowels e Blake Stranathan.

“Ultraviolence” é o terceiro álbum de estúdio de Lana Del Rey, lançado dia 13 de junho de 2014 sob produções de Dan Auerbach, Paul Epworth, Rick Nowels e Greg Kurstin. O álbum estreou em #1 na Billboard 200 dos Estados Unidos com vendas de 182 mil cópias, tornando-se o primeiro álbum dela a conseguir a primeira posição. Diferente do “Born to Die”, esse novo trabalho tem uma sonoridade mais ligada ao rock. Lana Del Rey o descreveu antes do seu lançamento como “mais despojado, porém ainda cinematográfico e escuro (…) Trabalhei nele bem devagar, mas eu amo tudo o que eu fiz”. O “Ultraviolence” é muito coeso, possui melodias bonitas e consegue transmitir bastante confiança nos vocais. É melancólico, triste, íntimo e percebemos uma sexualidade provocante transparecendo pelas canções.

Tudo que vem de Lana Del Rey parece ser elegante e quase todas suas canções possui um mágico tom nostálgico. Ela costuma flertar com as décadas 1950 e 1960, envolvendo o seu público com melodias psicodélicas e letras um tanto quanto dramáticas. E, como já esperado, a cantora continua seguindo a mesma temática de outros trabalhos. A maravilhosa faixa de abertura, “Cruel World”, já consegue definir o conceito para o restante do material. Pois é estérea, calma e sem pressa, onde a voz dela hipnotiza com seu estado angelical. A faixa-título, “Ultraviolence” possui um lindo refrão e, liricamente, fala sobre um relacionamento romântico e doloroso. É, particularmente, uma das melhores canções de todo álbum. Aqui, ela foge do pseudo-feminismo ao fundir sexo e agressão com aspectos emocionais e perturbadores. Em “Shades of Cool” ela treme com um coração partido, de uma forma nunca cantada antes.

A letra que cerca essa canção parece até artificial, porém, a forma como Del Rey interpreta traz ela para a vida. Os vocais foram realmente muito bem trabalhados em “Shades of Cool”, que juntando com a influência do jazz dos anos 1970 e o poderoso solo de guitarra no final, a deixou com aspecto de hino. Na faixa “Brooklyn Baby”, Del Rey se esbalda com refrões curtos e os mesmos elementos de hip-hop que impulsionaram a sua estreia. A melodia e os vários instrumentos utilizados, em especial guitarra e violão, combinaram perfeitamente com a voz suave da cantora. “West Coast”, primeiro single, tem uma produção incrível, madura e bem diferente do que ouvimos atualmente na música pop. Uma faixa sombria, extremamente lenta, que ainda possui influências de jazz e blues. Essa musica foi uma cortesia do produtor Dan Auerbach, vocalista da banda The Black Keys.

Lana Del Rey

“Sad Girl”, por sua vez, é uma balada interpretada sob um tom profundamente magoado. Seu tema é mais voltado para a sonoridade do “Paradise”, com versos de blues-rock que narram a vida de uma prostituta apaixonada. “Pretty When You Cry” é obscura, fanhosa e fala sobre um homem que sempre a deixa triste. Uma bela canção construída de forma mais crua e que possui uma guitarra presente na última ponte. Quando estamos quase chegando no final do álbum, temos a maravilhosa “Money Power Glory”. Uma música encantadora, com um refrão esplêndido e repleta de incríveis melodias. Seus acordes são parecidos com os de “Blue Jeans”, porém, a letra fala da troca da liberdade pelo dinheiro, poder e glória. Lana Del Rey costuma ser muito sincera e aqui foi ainda mais, afinal, nunca foi problema para ela falar à respeito de dinheiro. “Fucked My Way Up to the Top” é outra canção complexa e, provavelmente, a mais polêmica e sarcástica do álbum. Fala sobre uma cantora que zombou do seu estilo supostamente não autêntico, mas que depois a copiou.

Logo nos primeiros versos Del Rey canta: “Life is awesome, I confess / What I do, I do best / You got nothing, I got tested / And I’m best, yes”. E mais tarde: “Don’t even know what you’re good for / Mimickin’ me’s a fuckin’ bore”. Em “Old Money” a cantora vai longe demais na direção oposta, transformando-a em uma balada sutil cuja letra é bem vaga. O seu acorde é simples e quase não sofre modificações ao longo de quatro minutos, enquanto a melodia é romântica e triste. Lana Del Rey possui um grande talento para recontextualizar baladas vintage e conceituais, em “The Other Woman”, por exemplo, ela faz um cover impecável do final da década de 1950, da cantora Nina Simon. Liricamente, essa canção faz comparações entre duas mulheres, provavelmente uma esposa e uma amante. O jeito como Lana Del Rey canta é hipnotizante, e no “Ultraviolence” ela fez bom uso da sua artificialidade à favor de uma teatralidade auto consciente e um cinismo inexpressivo, para inventar assustadoramente narrativas reais.

O produtor Dan Auerbach colaborou significativamente nesse trabalho, pois conseguiu moldar essa obra de forma ainda mais dramática. A versão de luxo ainda possui mais três faixas: “Black Beauty”, “Guns and Roses” e “Florida Kilos”, que auxiliaram para exaltar ainda mais Lana Del Rey como uma artista ímpar e surpreendente. Um trabalho autêntico com um punhado de faixas sólidas à nossa disposição. A estética triste está presente nas 11 faixas do disco, que permanecem, liricamente, entre a ironia e o auto-conhecimento. Aqui, você encontra com facilidade muitas baladas majestosas e solos de guitarra ocasionais, que destacam ainda mais a belíssima voz da cantora. O único ponto negativo que consegui encontrar, foi que a tendência muito lenta e sombria das faixas podem soar um pouco repetitivo ou cansativo. Mas ressalto que, dificilmente, você não ficará viciado em suas músicas, que surgiram para Lana Del Rey como algo puramente genuíno e, acima de tudo, encaixando-se perfeitamente em sua identidade musical.

78

Favorite Tracks: “Ultraviolence”, “Brooklyn Baby”, “West Coast”, “Pretty When You Cry” e “Money Power Glory”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.