Resenha: Lana Del Rey – Lust for Life

Lançamento: 21/07/2017
Gênero: Indie Pop, Dream Pop, Trip Hop
Gravadora: Polydor Records / Interscope Records
Produtores: Lana Del Rey, Rick Nowels, Benny Blanco, Boi-1da, Emile Haynie, Tim Larcombe, Sean Ono Lennon, Max Martin, Kieron Menzies, Metro Boomin, Mighty Mike, Drean Reid e Jahaan Sweet.

“Lust for Life” é um lembrete do quão cinematográfica é a música de Lana Del Rey. Sua voz e letras continuam sendo os principais métodos para invocar a contradição de sua vida. Entre arranjos melódicos e harmoniosos, e tensas narrativas, Del Rey combina sua estética com artistas como The Weeknd, Sean Ono Lennon, A$AP Rocky, Playboi Carti e Stevie Nicks. Com longas dezesseis faixas, alguns podem se perguntar o que mantém o álbum tão bom. Mas o seu grande comprimento é usado a seu favor. Misturando um pop vintage com hip-hop, ela está no seu território habitual. Enquanto o álbum demora para engrenar, a maioria do repertório compensa as pequenas falhas. Como mencionado, a produção é novamente embriagada pelo hip-hop, mas, desta vez, é decorada por referências dos anos 60. Seu estilo emocional foi atraído pela influência do rock dos anos 70 e do trip-hop. Lana Del Rey nunca pareceu mudar a indústria, mas ela sempre foi genuína e singular. Sua atitude pouco convencional é retrata em suas letras e na forma de cantar. Tal como Adele e Amy Winehouse, Del Rey sempre esconde uma história por trás de suas metáforas. “Lust for Life” é temperamental, atmosférico, belo, misterioso e vintage. Como sempre, as melodias de Lana Del Rey flutuam suavemente sobre sons eletrônicos, paisagens cinematográficas e tons acústicos.

Embora suas letras pareçam reflexões surrealistas, elas são ponderadas pela verdade que possuem. “Lust for Life” apresenta um novo giro sobre Del Rey, mostrando uma América nebulosa, triste e em luto. Com “Love”, o primeiro single do álbum, ela mantém uma estética cinematográfica e dramática, mas com um som mais expansivo e atmosférico. É basicamente tudo que você poderia esperar da cantora. É um single que soa parecido com os seus trabalhos anteriores, mais em consonância com o “Born to Die”. A produção se acumula muito bem, enquanto os tambores do refrão lhe dão uma qualidade mais consistente. A voz sonhadora e vintage de Lana Del Rey está emparelhada com uma progressão de acordes bem simples. É uma canção pop que captura seu som de assinatura blues, misturado com um ar de tristeza e tédio. Toda a produção combina perfeitamente bem com o contexto esperançoso, romantizado e reconfortante das letras. “Você se prepara, se arruma todo / Para ir a lugar nenhum em particular / De volta ao trabalho ou à cafeteria / Não importa, pois é suficiente / Ser jovem e apaixonado”, ela proclama no refrão. Ademais, a influência dos anos 50 e 60 permeia através de cada segundo de “Love”. As cordas doloridas e os tambores sobrecarregados exalam um sentimento retrô.

É uma faixa muito íntima e com lindos vocais, que serve como uma reminiscência do seu primeiro álbum. O estilo trip-hop que elevou suas músicas mais conhecidas estão ausentes. Entretanto, “Love” ainda presta um verdadeiro e tocante tributo aos seus primeiros trabalhos. Indo numa direção ainda maior, “Lust for Life”, com The Weeknd, entrega um som maravilhosamente direto. Um número dream-pop com uma adição discreta de influências de hip-hop e R&B. Seguindo por uma nota sombria, “13 Beaches” vê Del Rey no seu estado mais vulnerável. É uma canção igualmente devastadora e poderosa, onde um piano e uma orquestra contribuem para a fragilidade e vulnerabilidade das letras. Em “Cherry”, a cantora torna-se um personagem diferente e mais obscuro. A guitarra e tambor subjugado escorrega na escuridão, enquanto a produção pega emprestado algumas batidas de trap e hip-hop. “Summer Bummer”, com A$AP Rocky e Playboi Carti, traz Del Rey completamente para o mundo do hip-hop. Sua harmonia devidamente sinistra funcionou e casou perfeitamente com os vocais. Permanecendo no território hip-hop, “Groupie Love”, novamente com A$AP Rocky, possui notas subordinadas, produção mais sutil e qualidade sonhadora. As coisas ficam mais emocionantes na segunda metade do álbum, onde algumas canções possuem um teor político.

O single promocional “Coachella – Woodstock in My Mind”, divulgado anteriormente, é uma faixa trap que fala sobre ter bons momentos em festivais, enquanto os Estados Unidos parece estar caminhando para uma guerra. “God Bless America – and All the Beautiful Women in It” é uma ode para a irmandade em tempos que os líderes de estado não parecem preocupados com os direitos das mulheres. Essa relaxada canção fornece uma guitarra sutil e vocais de fundo inspirados pelas baladas dos anos 90. Enquanto “Beautiful People Beautiful Problems”, com Stevie Nicks, vê suas vozes entrelaçadas brilhantemente, “Tomorrow Never Came”, com Sean Ono Lennon (filho de John Lennon), mostra os dois flutuando sobre um pop vintage. Nesta canção, Del Rey e Sean refletem sobre a triste realidade do mundo sobre algumas melodias simbólicas dos anos 60. Ademais, há uma inegável vibração de rock clássico e dos Beatles por toda parte. A balada “Change”, por sua vez, é um simples movimento que aproveita o máximo de seu piano. Delicada e gentil, essa canção pode ser considerada o momento mais doce do álbum. Para quem espera por alguns sons tradicionais de Lana Del Rey, há muita coisa para aproveitar aqui. “Lust for Life” não é um material transformador, pois a estética de Del Rey pouco mudou. Ela simplesmente lançou o seu álbum mais consistente, diversificado e interessante até a data. Em outras palavras, é um clássico disco de Lana Del Rey, porém, com algumas reviravoltas.

Favorite Tracks: “Love”, “Lust for Life (feat. The Weeknd)” e “Coachella – Woodstock In My Mind”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.