Resenha: Lady Gaga – ARTPOP

Lançamento: 06/11/2013
Gênero: Pop, EDM
Gravadora: Interscope Records
Produtores: Lady Gaga, DJ White Shadow, Zedd, Hugo Leclercq, Nick Monson, Rick Rubin, Giorgio Tuinfort, Dino Zisis, Infected Mushroom, will.i.am e David Guetta.

Lançado em 06 de novembro de 2013, através da Interscope Records, “ARTPOP” é o terceiro álbum de estúdio de Lady Gaga. A cantora começou a planejar o sucessor do “Born This Way” no final de 2011 e o descreveu como “uma celebração e jornada musical poética”. Para a sua criação, Gaga recorreu à colaboradores de longa data, incluindo DJ White Shadow e RedOne, além de parceiros mais recentes como will.i.am e o DJ Zedd. As letras giram em torno de seus pontos de vistas à respeito da fama, amor, feminismo, auto-capacitação e sexo. Em seu conceito, o “ARTPOP” faz referências a mitologia grega e romana, enquanto o repertório inclui colaborações com T.I., Too $hort, Twista e R. Kelly. Nos Estados Unidos, o álbum estreou em #1 na Billboard 200 com vendas na primeira semana de 258 mil cópias. O primeiro single foi “Applause”, canção lançada em 12 de agosto de 2013 e apresentada pela primeira vez no Video Music Awards da MTV. Desde que estourou com os hits “Just Dance” e “Poker Face”, Lady Gaga mostrou ser uma artista extremamente talentosa e sagaz. Nos últimos anos, ela esteve nos holofotes da música pop e ainda construiu uma enorme e fiel fã base, os Little Monsters.

Ela sempre teve uma forte presença nas maiores premiações musicais e causava um reboliço com sua maneira inusitada de se vestir. Definitivamente, Stefani Germanotta foi uma dos maiores fenômenos da música mundial da última década. Ela é uma das cantores mais premiadas dos últimos anos, para efeito de curiosidade, em sua prateleira encontram-se, atualmente, 6 Grammy Awards, 1 AMA, 7 Billboard Music Awards, 3 BRIT Awards, 13 VMA e 8 EMA. Quando o “ARTPOP” foi lançado em 2013 todos apontavam como mais um álbum de enorme sucesso de Lady Gaga. Entretanto, as coisas não foram bem assim, pois comparado aos seus antecessores, ele ficou muito abaixo da média. Nos Estados Unidos, por exemplo, o “ARTPOP” ainda não conseguiu o certificado de platina e vendeu somente 748 mil cópias. Para o mercado atual, isso pode parecer bons números, mas, se comparamos com o “Born This Way”, que vendeu 2,3 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos, são números um tanto quanto decepcionantes. Ao longo do caminho, “ARTPOP” apresenta algumas faixas bem genéricas e nenhum sinal de qualquer evolução musical.

Mas, felizmente, também encontramos melodias extremamente cativantes e refrões memoráveis que só Gaga faz com maestria. As músicas se esbaldam no universo EDM, o que acabou tornando-o um pouco barulhento, porém, como um material pop, é bem executado e cumpre o seu papel. O repertório é formado por quinze canções, a começar por “Aura”, a primeira música vazada do álbum. Aqui, Gaga pergunta: “Você quer ver a garota que vive por de trás da aura?”. Em meio a uma letra relacionada com a cultura muçulmana e uma série de batidas nervosas, o que mais se destaca em “Aura” é o maravilhoso refrão. É extremamente viciante, cativante e o melhor refrão de todo álbum. “Venus”, por sua vez, é um dance-pop que apresenta uma mistura de astrologia, mitologia romana e sexo. Gaga parece realmente se identificar com o conceito da música, mas pecou em sua letra. O ritmo é empolgante e possui boas melodias, no entanto, em alguns momentos lembra muito “Judas”. “G.U.Y.”, abreviação de “Girl Under You”, foi comandada por Zedd e, embora não traga nada de novo, é muito bem executada por Gaga. O ponto alto é o refrão, enquanto a letra ironiza situações como amor, relações sexuais e luxúria.

Na synthpop “Sexxx Dreams” a cantora está completamente obcecada por sexo. É uma das canções mais viciantes, onde a sexualidade e os prazeres de Lady Gaga florescem através de bons sintetizadores. “Jewels n’ Drugs” apresenta os rappers T.I., Too $hort e Twista como convidados especiais. A música pisa levemente no hip-hop, talvez uma tentativa de ostentar a versatilidade de Gaga, entretanto, não se sobressai perante as melhores faixas do registro. A sexta faixa, “MANiCURE”, parecia ser uma escolha óbvia para single, pois é uma das mais radiofônicas. É uma canção glamourosa, com um bom jogo de palavras, solos de guitarra elétrica e um refrão arrebatador. A próxima faixa, “Do What U Want”, é definitivamente, o grande trunfo do repertório. É um dueto sensual com o cantor R. Kelly que foi lançado como segundo single, mas, estranhamente sem um clipe oficial (provavelmente devido a vida social polêmica do astro do R&B). A música possui um instrumental grudento, bons versos melódicos de ambas partes e elementos urbanos que mesclaram de forma eficaz à assinatura EDM de Gaga. “Meu artpop poderia significar qualquer coisa”, ela canta na techno “ARTPOP”. Musicalmente, possui um ritmo mais lento e cansativo, além de parecer uma versão retrabalhada de “Love You Like a Love Song” de Selena Gomez.

A nona faixa, “Swine”, é um dubstep incrivelmente irritante e provavelmente a pior música da carreira de Lady Gaga. É uma canção barulhenta, desordenada e com uma letra banal cheias de metáforas com porcos. O trabalho de Zedd e a performance de Gaga em “Donatella” também ficaram aquém do esperado, porque apenas o refrão se sobressai. Provavelmente, o seu título seja direcionado à estilista italiana Donatella Versace. Por outro lado, “Fashion!” consegue cativar, pois além de possuir uma ótima introdução no piano, fornece arranjos que acenam para David Bowie e algumas músicas dos anos 80. “Mary Jane Holland” possui uma boa produção, batidas latejantes e letras sobre alguém que está transformado por fumar maconha. Não é um grande destaque, entretanto, é uma música divertida que proporciona um dinamismo ao surgir com guitarras durante a ponte. Produzida por Rick Rubin, “Dope” é uma balada eletrônica com bons vocais e uma atmosfera eficaz. Sua letra é confessional e uma manifestação anti-drogas, mostrando o quanto substâncias ilícitas podem prejudicar um relacionamento (“Eu preciso de você mais que heroína”).

Entretanto, eu achei que faltou algo para “Dope” realmente ser uma canção memorável, é aquele tipo de balada dramática que não engata. Em contrapartida, “Gypsy” é a melhor balada do registro, uma música europop arrepiante e com aspecto de hino: “Eu não quero ficar só para sempre / Mas eu posso esta noite”. É praticamente uma reminiscência das melhores faixas do “Born This Way”, uma verdadeira ode ao amor. Ela começa com um simples piano e depois apresenta um som eletrônico de alta energia. Encerramento o registro, temos nada menos que a faixa “Applause”, o hit e primeiro single do álbum. A letra aborda a fama e, musicalmente, é um eletropop pegajoso com um refrão irresistível. Enfim, “ARTPOP” não elevou a carreira da Gaga em um nível acima, porque apesar de ter uma produção bem elaborada, possui uma sonoridade que, por muitas vezes, soa confusa e difícil de encantar. Embora seja um trabalho que consegue entreter, “ARTPOP” carece de uma forte conexão pessoal e não é memorável como “The Fame” ou “Born This Way”. Felizmente, Gaga conseguiu permanecer atraente e ambiciosa durante todo o registro. Ninguém pode negar que ela é uma cantora singular, seja por suas músicas ou pela personalidade excêntrica.

Favorite Tracks: “Sexxx Dreams”, “Do What U Want (feat. R. Kelly)” e “Applause”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.