Resenha: Lady Antebellum – 747

Lançamento: 30/09/2014
Gênero: Country, Pop
Gravadora: Capitol Nashville
Produtores: Nathan Chapman, Lady Antebellum, Eric Kinney, Dave Thompson e Busbee.

O grupo country Lady Antebellum, formado em 2006, é composto por Hillary Scott, Charles Kelley e Dave Haywood. Em setembro de 2014, eles lançaram o seu quinto álbum de estúdio, intitulado “747”. O trio, formado em Nashville, já conquistou 7 Grammy Awards e são, atualmente, um dos atos country mais populares dos Estados Unidos. O álbum foi produzido com Nathan Chapman, tornando-se o seu primeiro álbum a não ser co-produzido por Paul Worley, colaborador de longa data do grupo. Hillary Scott disse à Billboard que eles escolheram o título do álbum, após escreveram a canção “747”, porque “a faixa em si está dirigindo o nosso espírito, ela resume a nossa atitude no momento. Estamos sendo empurrados como uma banda e como compositores, indo para fora da nossa zona de conforto e sem nos levarmos muito a sério”.

Comercialmente, “747” estreou em #2 lugar na Billboard 200, ao vender 74 mil cópias na primeira semana. Até a presente data, o disco já vendeu 235 mil cópias apenas nos Estados Unidos. Lady Antebellum já tem o status de um grupo crossover, com grandes hits como “Need You Now” e “Just a Kiss”. O poder vocal de Hillary Scott e Charles Kelley certamente dá a banda uma forte vantagem no mundo country-pop. Kelley tem um vocal que brilha em faixas mais tradicionais, enquanto Scott tem uma voz suave que eleva canções como “American Honey” ou “Dancing Away with My Heart”. Quando combinados, os dois têm trazidos algumas das melhores canções adult contemporary do gênero, como “I Run to You” e, principalmente, “Need You Now”.

No entanto, por algum motivo, o trio sempre liberta alguma música country na moda new-age e, com esse disco, não foi diferente. A faixa de abertura, “Long Stretch of Love”, é um número rápido, intenso e nervoso. Uma música up-tempo com um toque de rock clássico, que destaca-se pela auto-confiança exalada. O primeiro single, “Bartender”, é outra boa faixa que conta a história de uma mulher que foi para um bar com os amigos, a fim de esquecer o homem que machucou o seu coração. Uma canção que utiliza o baixo, bateria e um banjo para criar uma combinação única. “Lie With Me” é um conto agridoce sobre um casal, principalmente o homem, querendo mais uma noite juntos antes do fim da relação. Uma boa mid-tempo, com uma pesada percussão e guitarras conduzindo a forte melodia.

Lady Antebellum

“Freestyle”, por sua vez, é uma faixa descontraída, que foi lançada como segundo single oficial. É uma das faixas mais fracas do disco, mas, por outro lado, também é divertida e foca mais no ritmo e nas letras. “Down South” é outra canção de amor, excessivamente sentimental, que traz a presença de bandolins e violões. “One Great Mystery” é uma balada apaixonada interpretada tanto por Chales como por Hillary. Para mim, está entre as melhores faixas do álbum, em especial, por causa da boa guitarra e do ritmo mais lento. “Sounded Good At the Time” mantém as coisas um pouco mais contemporâneas, enquanto apresenta o uso mais pesado de guitarras elétricas. Uma canção radio-friendly, cativante e, possivelmente, a canção mais influenciada pelo pop.

Apesar de ser uma canção mais delicada, “She Is” ainda possui um ritmo rápido, riffs de guitarra, solos distorcidos e uma percussão pesada. A letra descreve uma garota de Boston, que tem o seu próprio senso de direito e costuma atrair os homens. “Damn You Seventeen”, nona faixa, é a melhor música do álbum. Uma canção que fala sobre um jovem casal que está nervoso com o fato de ter relações sexuais. Os vocais de Charles e Hillary estão ótimos, as melodias são doces, a instrumentação é despojada e a composição muito boa. “E o meu coração ainda está parado em um sinal vermelho / Com você sentado ao meu lado / E o sinal vermelho não vai abrir / Não vai abrir / Malditos 17 anos / Malditos 17 anos”, eles cantam ao fechar o refrão. A faixa-título, “747”, é outra canção bem escrita, que incorpora todo o espírito do álbum através de uma grande energia e intensidade.

O álbum fecha com “Just a Girl”, uma canção relativamente boa, que fala sobre a forma como a narradora percebe que não é apenas um objeto de uma noite. O banjo destemido da música é entregue a partir do ponto de vista dessa mulher desprezada. O movimento do grupo para longe de sua zona de conforto é algo digno. E o álbum, como um todo, é um passeio agradável através de bons números country e pop. O produtor Nathan Chapman, mais conhecido por seus trabalhos de sucesso com Taylor Swift, ajudou o grupo a trazer uma nova energia e variadas influências para o “747”. Os vocais não estão tão fortes quanto nos álbuns anteriores, percebe-se que eles optaram por focar mais na produção das músicas. Mas, por outro lado, conseguiram criar um álbum diversificado e consistente o suficiente para manter a boa média do trio.

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Favorite Tracks: “Long Stretch of Love”, “Bartender”, “One Great Mystery”, “Sounded Good At the Time” e “Damn You Seventeen”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.