Resenha: La Roux – Trouble In Paradise

Lançamento: 18/07/2014
Gênero: Synthpop, Disco, Dance, New Wave
Gravadora: Polydor
Produtores: Ellya Jackson, Ian Sherwin e Al Shux.

A cantora inglesa Ellya Jackson, profissionalmente conhecida como La Roux, lançou em 2014 o seu segundo álbum de estúdio, nomeado de “Trouble In Paradise”. Após o seu parceiro Ben Langmaid deixar o duo em 2012, La Roux finalizou o seu novo trabalho ao lado do produtor Ian Sherwin durante os últimos estágios de produção. O “Trouble In Paradise” estreou em #20 na Billboard 200, vendendo na primeira semana 12 mil cópias e em #6 no Reino Unido, com vendas estimadas em 8,5 mil cópias. O primeiro single do álbum, a faixa “Uptight Downtown”, estreou na BBC Radio 1 no dia 27 de maio e foi lançada digitalmente no dia seguinte. O álbum ao todo conta com 9 faixas e foi muito elogiado pelos críticos de músicas, ressaltando a melhora se comparado com o seu antecessor.

E, definitivamente, La Roux expandiu os seus horizontes, com um trabalho bastante consistente e com boas composições. Com um sythpop sexy e agradável, o álbum inicia com a encantadora e melhor faixa “Uptight Downtown”, um som pop tropical completo, com guitarras funky e ritmos calypso, que nos remete a imagens de palmeiras, praia e feriado. “Uptight Downtown” é gentilmente eufórica, o seu incrível refrão é interpretado com falsetes crescentes e, liricamente, fala sobre a triste visão da maioria das metrópoles. Em “Kiss and Not Tell”, Jackson dança em torno de especulações sobre sua sexualidade, “All along I’ve had feelings I can’t help / And all I want is to come out of my shell”, outra magnífica canção. É uma música gloriosa, sexy, que combina riffs de guitarras e sintetizadores com uma postura cheia de atitude.

“Cruel Sexuality” é outra excelente canção, que se transformou em uma trinca perfeita junto com as duas primeiras faixas. Com uma voz fina, Jackson de forma mais sofisticada descreve um relacionamento torturado: “When passion turns into greed (…) / “Why do you keep me in a prison at night”. “Cruel Sexuality” começa com um número de funky e mantém uma estática energia até o refrão, enquanto Jackson mostra como o seu vocal melhorou desde a sua estreia. “Paradise Is You” é outra grande música, dessa vez construída através de uma hipnotizante melodia no piano. Nessa faixa, percebemos uma grande interação vocal de Jackson com uma vibe oitentista e bem opressiva:“Darling, it’s only you who can stop my heart from crying”. Uma linda canção de amor e majestosa balada, que ainda possui um exuberante e envolvente arranjo.

La Roux

“Sexotheque”, por sua vez, é um pop-funky que possui melodias incríveis e, sem dúvida, é um dos pontos altos do álbum. Acompanhada de uma batida exuberante e sincopada, Jackson soa natural como sempre e canta sob uma narrativa muito triste. Até aqui, podemos perceber que o sentimento de êxtase e as vibes tropicais perneiam em todo o registro, desde a arte da capa até as músicas. Outro grande exemplo disso é a faixa seguinte: “Tropical Chancer”. Uma canção muito bem construída que flutua sobre o eletropop e o reggae, e acaba por ser uma mudança muito bem-vinda. O álbum não perde o brilho e continua com o bom ritmo na sequência de “Silent Partner” e “Let Me Down Gently”. A primeira possui influências de David Bowie e Grace Jones, de uma forma bem inusitada e com um refrão grudento. Um épico eletropop de sete minutos, construído a base de teclados pulsantes que soam modernos e sexy.

“Let Me Down Gently”, oitava faixa, é a mais dramática do álbum, graças a grande carga emocional e honestidade de sua letra: “Turn me into someone good, that’s what I really need”, ela implora. Uma balada que faz uma pausa na sua metade para, em seguida, ser impulsionada por um saxofone e explodir em um maravilhoso synthpop. “The Feeling” encerra o disco com uma harmonia suave e doce. Apesar de ficar aquém das outras faixas e deixar o ouvinte com sensação de que falta algo, não afeta negativamente o bom nível do álbum. Depois da separação de Ben Langmaid, foi esse o caminho que La Roux tomou: elaborar um som quente de verão, elegantemente discreto, com boas melodias e que acena para trabalhos de Nile Rodgers e David Bowie.

Ela nos presenteou com canções muito sensuais e estabeleceu, definitivamente, uma identidade como artista. Conseguiu manter uma sonoridade essencial para que o La Roux seja reconhecível e sem repetir a fórmula de músicas dance genéricas. Mesmo possuindo apenas nove faixas, esse álbum consegue mostrar uma consistência impressionante. Elly Jackson tem evoluído, artisticamente, ao longo do tempo e sua voz melhorou desde o seu debut álbum. Ela voltou com um trabalho divertido, nostálgico, colorido e com referências que pareciam esquecidas no cenário musical. Um retorno confiante e melhor que seu antecessor, mesmo não possuindo um single tão grande como o hit “Bulletproof”. Em suma, ressalto, que com o “Trouble In Paradise”, a britânica só comprovou ser uma talentosa cantora e produtora, que conseguiu fazer uma obra extremamente auto-confiante e atraente.

77

Favorite Tracks: “Uptight Downtown”, “Kiss and Not Tell”, “Cruel Sexuality”, “Sexotheque”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.