Resenha: Kylie Minogue – Body Language

Lançamento: 10/11/2003
Gênero: Dance-pop
Gravadora: Parlophone
Vendas: 1.5 milhão
Produtores: Baby Ash, Chris Braide, Cathy Dennis, Johnny Douglas, Electric J, Julian Gallagher, Kurtis Mantronik, Karen Poole, Rez, Richard Stannard e Sunnyroads.

Lançado em 10 de novembro de 2003, pela gravadora Parlophone, “Body Language” foi o nono álbum de estúdio da cantora australiana Kylie Minogue, Veio em sequência do enorme sucesso comercial do disco “Fever”, que gerou o grande hit de sua carreira: “Can’t Get You Out of My Head”. Para a criação deste álbum, Minogue recorreu a um grupo bem diversificado de escritos e produtores, entre eles Cathy Dennis, Dan Carey, Emiliana Torrini, Johnny Douglas e Mantronix. Influenciado por obras dos anos 1980 e artistas como Prince, “Body Language” difere um pouco de seus álbuns anteriores e explora gêneros como synthpop, R&B e hip hop. A maioria das músicas contém referências à músicas da década de 80 e, liricamente, aborda temas como diversão, paquera e sexo. Terminou por gerar um total de três singles: “Slow”, “Red Blooded Woman” e “Chocolate”. Na época, muitos elogiaram Minogue pela experimentação de novos gêneros e produção global do projeto.

Embora não tenha obtido o mesmo sucesso dos seus antecessores, “Fever” e “Light Years”, que foram responsáveis por cimentar Kylie Minogue como uma das principais artistas pop do mundo, o “Body Language” conseguiu um bom desempenho em mercados como Reino Unido e Austrália. No geral, o álbum mistura música dance e pop, que simplesmente faz você querer relaxar e dançar. Tal como acontece com a maioria das músicas pop, as letras não tiram o foco da música, mas há algumas boas escritas presentes aqui. É um trabalho elegante, retrô e com uma boa energia, que opta por expandir os horizontes da cantora. Possui elementos do eletroclash (gênero que funde o new wave e eletro retrô com o techno e eletropop), synthpop dos anos 80 e até mesmo uma pitada de hip hop. “Body Language”, ao contrário do “Fever”, é menos imediato e mais experimental, não é coincidência que é preenchido por referências oitentistas da música pop e rica em synthpop e disco da mesma década.

Kylie Minogue

Foi um movimento astuto de Kylie ao mergulhar em uma grande maré de batidas eletro e dance retirados do pop dos anos 80. Também é um álbum cheio de sons techno robóticos, batidas rígidas e sintetizadores exprimidos. O objetivo pareceu construir um novo e forte modelo para Kylie Minogue, a fim de exceder as expectativas vindas a partir do grande sucesso do “Fever”. Mas, por fim, o “Body Language” não foi um salto artístico enorme em sua carreira, mas sim uma dilatação do seu som e estilo. “Slow”, o primeiro single, é a faixa de abertura. Uma grande canção disco, embora seja necessário escutá-la várias vezes para acostumar-se e perceber o quão é boa. É apropriadamente intitulada e começa com uma introdução mínima de sintetizador, terminando por ser uma fusão eletropop com um disco minimalista. No geral, é uma música que possui vocais sexy e cativantes que acumulam-se, mas sem realmente decolarem.

É sedutor quando Kylie Minogue canta: “Soube que você estaria aqui hoje a noite / Então eu coloquei meu melhor vestido / Menino, eu estava tão certa”. Com alguns sintetizadores e guitarras funky, “Still Standing” aparece logo em seguida. Essa faixa segue com um número disco e dance que lembra o Prince e o duo Daft Punk, entretanto, mesmo sendo bem trabalhada, não está entre as melhores. “Secret (Take You Home)” contém uma experimentação onde ela tenta um rap distorcido, fundido com uma pancada simples de música EDM. A letra é legal e é uma música sofisticada, graças aos vocais de Minogue que soam bastante agradáveis. Uma mudança de ritmo acontece no pop doce de “Promises”, uma das faixas mais cativantes do registro. Produzida por Curtis Mantronix, aqui o ritmo desacelera, enquanto é adicionado várias camadas aos vocais de Kylie Minogue.

A letra é sobre promessas quebradas, algo muito simples, mas que combinou com a música, especialmente na melodia do ótimo refrão. A introdução de “Sweet Music” soa como uma canção de Michael Jackson, uma música com fortes batidas e impulsionada por um baixo muito pegajoso. Aqui, Minogue ainda demonstra sua maestria para duplos sentidos, cantando: “Então coloque suas vibrações na minha batida / E nós deixaremos assim”. Lançada como segundo single, “Red Blooded Woman” mistura uma sonoridade oitentista com batidas de hip hop, sem dúvida uma das canções mais fortes do álbum. Uma música irresistível, com uma boa linha vocal e que conta a história de uma mulher que se envolve em relações perigosas e sempre acaba emocionalmente abalada. O viciante e cativante refrão é a melhor parte da música: “Let me keep freaking around, I wanna get down (…)”.

Kylie Minogue

Em “Chocolate”, encontramos Minogue adotando um sussurro gracioso, através de uma brisa funky e estalar de dedos. É uma canção incrivelmente sensual e com uma instrumentação muito bem feita. Liricamente, é repleta de insinuações que comparam seu vício em amor com chocolate e doces. “Obsession”, por sua vez, é uma canção influenciada pelo R&B que fala sobre a necessidade de amar pelas razões erradas (“Você não precisa de amor / É uma questão de obsessão / Tão apegado a seu próprio reflexo / Você quer alguém / Como uma possessão pessoal / Para brilhar luz na sua perfeição”). É uma música bem dançante e, apesar do refrão ser clichê, é um dos mais viciantes do álbum. “I Feel For You” possui um fluxo muito bom e faz referência direta a era disco, graças aos riffs de guitarra e teclado saltitante. É uma canção quase atemporal que poderia, facilmente, ter feito sucesso se tivesse sido lançada na década de 80. “Someday” é outra música influenciada pelo R&B que, em alguns momentos, evoca uma grande melancolia.

Entretanto, tanto os versos quanto a melodia são ligeiramente esquecíveis. Em contrapartida, “Loving Days” é uma das minhas favoritas de todo o álbum. Sua introdução orquestral, seus efeitos ao fundo e o ótimo refrão, são bem interessantes e combinaram perfeitamente. Encerrando o repertório, temos uma contribuição sem brilho de Cathy Dennis, mesmo compositor e produtor de “Can’t Get You Out of My Head”, na faixa “After Dark”. Ela possui vocais sexy acompanhados por um ritmo funky, mas que soam muito familiares e deslocados. “Body Language” não é um registro surpreendente, pois é carente de um música realmente marcante. No entanto, é agradável e brilhante em outros pontos. É, por exemplo, surpreendentemente coeso, enquanto a devoção de Minogue ao processo e vontade de experimentar algo novo, mesmo que seja dentro dos seus limites, foi um fator admirável. “Body Language” foi um álbum essencial para sua carreira, que reafirmou, na época, a sua reputação como uma diva pop, ícone gay e estrela da música dance.

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Favorite Tracks: “Slow”, “Promises”, “Red Blooded Woman”, “Chocolate” e “Loving Days”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.