Resenha: KT Tunstall – KIN

Lançamento: 09/09/2016
Gênero: Pop
Gravadora: Caroline Records
Produtor: Tony Hoffer.

Há exatamente doze anos desde o lançamento do seu álbum de estréia, “Eye to the Talescope”, a cantora KT Tunstall lança um novo LP. A escocesa prova mais uma vez que pode cativar os ouvidos do público, com um novo trabalho intitulado “KIN”. É o quinto álbum de estúdio da cantora que reivindica uma extravagância moderna em seu som acústico. A música de KT Tunstall certamente tem a capacidade de atingir todas as faixas etárias. Ao longo dos anos, os hits de rádio e fama que a acompanhavam pareciam em desacordo com o seu estilo. Uma artista solo que, muitas vezes, desenvolveu ganchos pop extremamente cativantes. Os doze anos desde a sua estréia viu a cantora seguir por uma direção progressivamente experimental.

A artista multi-platinada, em seguida, mudou-se para Los Angeles antes de prosseguir por uma carreira musical tranquila. No entanto, ela voltou com uma coleção de onze canções que sentem-se tão pop-rock quanto o seu debut álbum. Com um pouco mais de brilho e letras edificantes, “KIN” sente-se como uma partida mais lenta do melancólico disco “Invisible Empire // Crescent Moon”. A maior ênfase no pop não significa que KT Tunstall perdeu seu estilo único. Ela continua distinta no seu famoso dedilhado percussivo, enquanto sua voz ainda é muito evocativa. “KIN” também pode ser considerado o sucessor natural do “Eye to the Telescope”. Tunstall parece ter redescoberto a arrogância corajosa demonstrada no disco citado.

No seu melhor, “KIN” resgata a confiança dos seus sucessos anteriores, como a irresistível e onipresente “Suddenly I See”. É um álbum que marca um afastamento do estilo mais pesado e experimental, pelo qual Tunstall se interessou ao longo da última década. Se seus álbuns anteriores falavam sobre crescimento, “KIN” parece abordar sua maturidade e realização como artista. Tematicamente, a cantora segue por um território seguro. Em “Turned a Light On”, por exemplo, ela canta: “Só havia espaço em branco / Vida vivida em negativo / Não foi possível encontrar a minha cor”. Ela parece ter encontrado suas cores no “KIN” e, aparentemente, conseguiu mostrar uma versão mais autêntica de si mesma. Em “Turned a Light On” ela segue por um território suave e melancólico, conduzido por uma bela guitarra acústica.

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Em seguida, ótimas progressões de acordes são demonstradas na faixa “Maybe It’s a Good Thing”. Ela apresenta uma instrumentação polida, vocais sutis, floreios eletrônicos e ótimos alicerces folk. “Evil Eye” é uma canção muito otimista, guiada por guitarras e vocais mais pesados. Essa música, com seu riff insanamente cativante, teria se encaixado facilmente no disco “Tiger Suit”. A autobiográfica “It Took Me So Long to Get Here, But Here I Am” e a mid-tempo cintilante “Run on Home” possuem melodias intricadas e são apresentadas com o típico vocal rouco de KT Tunstall. “On My Star”, por sua vez, é uma das faixas mais calmas e introspectivas encontradas por aqui. Embora distancia-se das vibrações country do seu disco anterior, “Hard Girls” ainda possui elementos muito caraterísticos de Tunstall.

Aqui você encontra familiares riffs acústicos, tons modernistas e uma típica batida de condução. A sua confiança recém-descoberta atinge bons momentos, mas em algumas faixas sente-se um pouco exagerada. A composição de “Two Way”, seu dueto com James Bay, é um bom exemplo disso. Eles utilizam clichês líricos, o instrumental sente-se desorganizado e os sintetizadores parecem em desacordo com a linha de guitarra. Posteriormente, a faixa-título, “KIN”, mostra uma KT Tunstall muito mais madura. É uma lenta e profundamente atmosférica canção, onde lindas cordas e uma exigente guitarra transportam seus esforços vocais. Em seguida, durante a ótima “Everything Has Its Shape”, ela canta: “Enquanto nada pode durar para sempre / Tudo tem a sua forma / E, geralmente, é exatamente o que você precisa”.

Com o lançamento desse disco, Tunstall atendeu o seu próprio conselho e explorou sons mais desafiadores para si. Por fim, o álbum encerra com a linda “Love Is an Ocean”. Seja devido a escrita de Tunstall ou influência do produtor Tony Hoffer, “KIN” é um álbum altamente polido que consegue manter-se agradável mesmo quando parece antiquado. Graças a vasta experiência da cantora, no disco há espaço para uma conexão bem equilibrada com o ouvinte. Seguir por um som mais pop foi um acontecimento natural para a escocesa. Pouca coisa sente-se forçada por aqui, por isso “KIN” é um material tão gratificante de se ouvir. É um LP divertido, audível, cativante e vocalmente agradável. Enquanto ele não atinge a grandeza do “Eye to the Telescope” e/ou “Tiger Suit”, ainda tem muito para oferecer.

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Favorite Tracks: “Hard Girls”, “Turned a Light On”, “Maybe It’s a Good Thing”, “KIN” e “Everything Has Its Shape”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.