Resenha: Korn – The Serenity of Suffering

Lançamento: 21/10/2016
Gênero: Nu Metal, Metal Alternativo
Gravadora: Roadrunner Records
Produtor: Nick Raskulinecz.

Em 21 de outubro de 2016, a banda de nu-metal Korn lançou o décimo segundo álbum de estúdio, intitulado “The Serenity of Suffering”. Depois de ficar com um estilo mais leve, eles retornam com um dos seus discos mais pesados. Parte do repertório é admiravelmente melódico, e as performances instrumentais muito sólidas. Além disso, a grande maioria das canções são bem arranjadas e produzidas. “The Serenity of Suffering” é certamente mais pesado e intenso do que seus esforços mais recentes, algo que deve ter agradado os fãs mais antigos. Ele soa como uma mistura entre “Untouchables” (2002) e “The Path of Totality” (2011). Tanto mais fresco quanto pesado, o registro cava fundo nas emoções humanas e ultrapassa a intensidade de alguns dos seus antecessores. Suas músicas são mais eficazes e escuras, transmitindo um som sinistro, familiar e evocativo. Todo o álbum flui bem, pois Korn criou algo igualmente bruto, vigoroso e obscuro, com fortes melodias e harmonias perturbadoras. Repleto de riffs poderosos, ganchos marcantes e ótimos vocais, “The Serenity of Suffering” é coeso e tem sua própria identidade.

Desde os anos 90, Korn progrediu através de inovações e, apesar de alguns discos abaixo do esperado, definiu o gênero nu-metal e serviu como influência para outras bandas. O produtor Nick Raskulinecz, que já trabalhou com Deftones e Alice in Chains, conseguiu capturar a agressividade implacável do Korn e vocais agonizantes de Jonathan Davis. As manobras do baixo de Reginald “Fieldy” Arvizu, por sua vez, ainda continuam marcantes. Talvez a maior falha desse álbum pode ser encontrada nas letras, que são muitas vezes demasiadamente vagas e desconfortáveis. Temas como solidão e raiva poderiam ter sido melhores explorados, caso Korn tivesse optado por um lirismo mais profundo ou singular. Felizmente, a instrumentação decente e produção bem trabalhada compensa as falhas mais evidentes do registro. Sem perder tempo, a banda abre com um grunhido poderoso de Jonathan Davis na faixa “Insane”. Essa música é incrivelmente explosiva, seja pelo baixo, guitarra ou bateria.

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Os instrumentos estão tão bem equilibrados que conseguem criar um grande impacto e uma excelente seção rítmica. Canções como o primeiro single, “Rotting in Vain”, e a excepcionalmente cativante “Take Me”, são incríveis em termos de agressividade. Seus riffs são destaques a parte, graças aos tons poderosamente pesados e escuros. Podemos coloca-las no mesmo nível estabelecido pelo Korn em singles como “Falling Away from Me” e “Did My Time”. Mesmo com as fortes guitarras e bateria na introdução, “Black Is the Soul” diminui o ritmo um pouco antes da chegada do refrão. Nesse álbum, Korn também deu espaço para momentos mais melódicos, como “The Hating” e “Everything Falls Apart”. Ambas faixas exalam alguns sinais de maturidade, sem parecerem forçadas. Um destaque inegável do álbum é “A Different World”, com Corey Taylor das bandas Slipknot e Stone Sour. Uma canção potente que, indiscutivelmente, beneficia-se do poderoso canto de Taylor. Os fragmentos de som digitalmente gerados em “A Different World”, são elementos que ajudam a dar um tom mais sensível e reflexivo.

Logo após os riffs intrigantes ancorados em “Die Yet Another Night”, temos pesados graves e notas de guitarra na faixa “When You’re Not There”. A penúltima faixa, “Next in Line”, por sua vez, consegue construir uma grande tensão à medida que Davis alterna sua voz entre cantos e gritos. Por fim, “Please Come for Me” encerra o repertório com uma mistura de pesados ritmos e vocais maníacos de Davis. “The Serenity of Suffering” captura os melhores momentos do velho e novo Korn, uma vez que funde o passado e presente numa boa e reflexiva coleção musical. É um álbum essencial para o catálogo da banda, tanto que pode rivalizar de frente com seus melhores trabalhos. Esse registro é, sem dúvida, um bom retorno ao clássico som do Korn. A dor e sofrimento que sempre apareceu em suas letras estão lá, bem como os tons de assinatura que fizeram deles quem são. “The Serenity of Suffering” apresenta cadências e complexidades sonoras desafiadoras que destacam-se por si só. É, certamente, o disco mais completo e ousado que a banda criou nos últimos dez anos.

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Favorite Tracks: “Insane”, “Rotting In Vain” e “Take Me”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.