Resenha: Kings of Leon – WALLS

Lançamento: 14/10/2016
Gênero: Rock, Rock Alternativo
Gravadora: RCA Records
Produtor: Markus Daves.

Em outubro de 2016, a banda Kings of Leon – que inclui os irmãos Caleb, Nathan e Jared Followill, juntamente com seu primo Matthew Followill – lançou seu novo álbum. Intitulado “WALLS” (sigla para We Are Like Love Songs), é um álbum clássico do Kings of Leon, que exibe o quanto a banda mudou desde que surgiu há 17 anos. Como um grupo, Kings of Leon emite um senso de romantismo, em seu som e letras. Eles chegaram ao sucesso mainstream com o disco “Only by the Night” (2008), e hits como “Sex On Fire” e “Use Somebody”. Seus dois últimos discos, “Come Around Sundown” (2010) e “Mechanical Bull” (2013), fez eles retornaram aos riffs simples e um som menos comercial. Kings of Leon não é uma banda inovadora, tanto que seu som sempre foi considerado seguro e, alguns vezes, repetitivo. A produção do “WALLS”, de responsabilidade de Markus Daves (Arcade Fire, Mumford & Sons e Florence + the Machine), não trouxe nada de novo.

É algo completamente normal para a banda, ou seja, contém riffs grandes e lisos, plena voz de Caleb, ganchos movidos a guitarra, seção rítmica de Nathan, etc. Em 47 minutos e 10 faixas, é o álbum mais curto da banda com algumas das suas músicas mais rápidas. A primeira faixa do álbum, “Waste a Moment”, é um número complexo que torna-se mais interessante quando você assiste ao vídeo que o acompanha. É de longe um dos momentos mais cativantes do “WALLS”. O refrão é agradável, os tambores up-tempo e a linha de guitarra muito energética. Os seus “woah oh oh’s” são super catchy e, no geral, é uma canção reminiscente de alguns de seus principais hits, como “Sex On Fire”. Para prestar uma homenagem às suas raízes, a banda apresenta um som familiar de guitarra elétrica e ritmos de percussão contínuos. Sua estrutura pop e sulco rock são bem simples, mas é algo igualmente eficaz. Enquanto “Waste a Moment” é bem produzida e cativante, também poderia ser descrita como repetitiva. De algum modo, Kings of Leon retrabalhou clichês rock e não saíram de sua zona de conforto.

Uma energia vívida aparece ao longo de “Reverend”, uma balada muito suave. O riff de guitarra no fundo, acompanhada pela voz de Caleb Followill, é bastante atraente. Vocalmente, ele transmite uma certa carga de vulnerabilidade. É uma faixa honesta e melancólica, com riffs atendendo perfeitamente o refrão. Em torno de um som otimista e energético temos a faixa “Around the World”, terceiro single oficial. É uma música que baseia-se pesadamente nos instrumentais flutuantes da banda. Aqui, temos fortes vibrações old-school sobre a guitarra elétrica e um ritmo bem funky. “Find Me” apresenta Caleb Followill cantando sobre ser perseguido por algo. Liricamente, é uma faixa que fica aberta a interpretações. Uma canção mid-tempo bastante habitual, que recorre a alguns riffs repetitivos. Não é tão interessante quanto as três primeiras faixas, uma vez que não possui uma melodia de destaque. Metade das pistas do “WALLS” possuem menos de quatro minutos de duração, com apenas duas faixas ultrapassando a marca de 5 minutos.

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Uma delas, “Over”, arrasta-se por mais de 6 minutos sem nunca ir para alguma direção interessante. Com um ritmo mais lento do que as faixas anteriores, ela age como uma pausa para o álbum. Seu conteúdo é mais sinistro e reflexivo, pois fala sobre as pressões da fama e o estilo de vida das celebridades. Possui acordes escuros e vocais que parecem querer imitar a banda Interpol. É uma música que acumula-se lentamente, com batidas retrô, guitarras repetitivas, ritmos ecoando e súbitos violões. Em seguida, Kings of Leon mostra que tentou experimentar novos sons com a faixa “Muchacho”. Nessa canção há um pouco de tudo e, sonoramente, é diferente de qualquer coisa que a banda já lançou. Apesar disso, ela não oferece nada de novo liricamente falando. Como o título indica, essa canção tem influências latinas, com a percussão acrescentando algo de novo. Os tambores enchem nossos ouvidos com sensações caribenhas, usando algumas amostras para criar uma atraente percussão. Da mesma forma, a guitarra também é utilizada de forma inegavelmente irresistível.

Por fim, “Muchacho” termina com calmantes assobios. A guitarra elétrica é um instrumento muito proeminente ao longo deste álbum. Em “Conversation Piece”, por exemplo, temos uma guitarra bem simples assumindo a liderança. Há alguma melancolia em volta dessa música, tanto na escrita quanto na melodia repetitiva. Embora tenha alguns toques interessantes na produção, como os violinos em segundo plano, também contém uma série de clichês líricos. “Eyes on You”, por sua vez, nos leva de volta para alguns adornos do gênero pop. É uma música que lembra algumas faixas do disco “Come Around Sundown”, embora também seja similar a “Waste a Moment”. Possui uma estrutura bem comum, além de oferecer um solo de Matthew antes do verso final. Músicas mais lentas, como “Wild”, fornecem um lado mais suave para o álbum. Embora seja um pouco otimista, não oferece nada mais do que previsibilidade. É uma canção com melodias meio grunge, efeitos de rock e uma vibração gelada na voz de Caleb.

Particularmente, eu acho uma música um pouco chata e desinteressante. A faixa-título, “WALLS”, é um número soft-rock que fecha o disco com uma nota sombria. É uma simples e reconfortante balada de piano com algumas melodias de guitarra acústica. Onde a guitarra elétrica é proeminente nas outras canções, aqui o piano torna-se mais relevante. Apesar da boa combinação entre o piano, guitarra acústica e voz de Caleb, eu não posso negar que achei “WALLS” um pouco chata e monótoma. Porque é uma balada lenta que não atinge qualquer ponto alto ou grande clímax. Faltou algo para realmente tornar-se uma canção de destaque. Não há nada de particularmente inovador no “WALLS”, pois é apenas Kings of Leon sendo eles mesmos. E, embora seja um pouco decepcionante eles não tentarem algo ousado, os fãs provavelmente gostaram muito do álbum. Mesmo não oferecendo nada de novo, “WALLS” possui a mesma veia enérgica de álbuns como “Only by the Nighr” e “Come Around Sundown”.

65

Favorite Tracks: “Waste a Moment”, “Reverend” e “Around the World”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.