Resenha: King Krule – The OOZ

Lançamento: 13/10/2017
Gênero: Indie Rock, Punk Jazz, Post-Punk, Trip-Hop
Gravadora: True Panther Sounds / XL Recordings
Produtores: Dilip Harris e Archy Marshall.

Archy Ivan Marshall, também conhecido por seu nome artístico King Krule, é um músico inglês de apenas 23 anos. Ele começou a gravar música em 2010 e, no ano seguinte, adotou o seu atual nome. Sua música mistura elementos de rock, punk, jazz, hip-hop, darkwave e trip-hop. Quatro anos depois de lançar o seu disco de estreia, “6 Feet Beneath the Moon” (2013), um projeto que misturou diferentes estilos, Archy Marshall voltou como King Krule no maravilhoso álbum “The OOZ”. Um registro rico, submerso e emocionante que o classifica como um dos artistas mais interessantes da atualidade. “The OOZ” está longe de ser um disco fácil de se ouvir, afinal os instrumentos fora de sintonia, poesia complexa os grunhidos e sussurros de King Krule são extremamente sombrios e impenetráveis. Depois de lançar um álbum fortemente influenciado pelo hip-hop sob o seu nome de nascimento, King Krule mostra o quanto é criativo. “The OOZ” é facilmente o seu material mais extenso e multifacetado. Aqui, Archy Marshall saboreou muitas influências musicais e colocou a sua arte completamente à frente. O enorme comprimento do repertório às vezes atrapalha, mas, sem dúvida, possui muitas coisas boas dentro dele. King Krule estabeleceu a sua própria posição na vanguarda da música, mesmo sendo tão novo.

Ele é notavelmente talentoso e fornece um estilo de produção que chama muito a atenção. Com “The OOZ”, Marshall conseguiu inesperadamente superar os seus dois primeiros discos. Sobre batidas imprevisíveis, ele mostra que antes de qualquer coisa, é um verdadeiro poeta. Aliás, suas letras estão cada vez mais diretas. Em “The Locomotive”, Marshall está assustador, principalmente quando ele canta: “Estou sozinho, estou sozinho / Em um profundo isolamento / No meio da noite, no meio da noite / Esperando o trem”. Da mesma forma, faixas como “Sublunary” e “Midnight 01 (Deep Sea Diver)” são completamente íntimas e mostram Krule tocando para si mesmo. “Por que você me deixou por causa da minha depressão / Você costumava me completar, mas acho que aprendi uma lição”, ele canta dolorosamente em “Midnight 01 (Deep Sea Diver)” sem disfarçar a imensa vulnerabilidade. O espetacular segundo single, “Dum Surfer”, é incrivelmente infeccioso e o mostra mergulhando na cena musical britânica. No vídeo desta canção, Marshall toca em uma banda de mortos-vivos, enquanto faz uma mistura de música psicodélica e jazz. “Lonely Blue” e “Half Man Half Shark” também funcionam perfeitamente dentro do contexto do álbum, enquanto “Bermondsey Bosom (Left)” e “Bermondsey Bosom (Right)” atuam como interlúdios de refrigeração.

“Slush Puppy”, por sua vez, revela a nova extensão de sua gama vocal, onde um falsete postulante gradualmente cede e racha sua voz. Ademais, a sua inclinação para o jazz está fortemente presente. A nona faixa, “Cadet Limbo”, é carregada pelo saxofone, guitarra e inesperadamente aplausos de salsa, ao passo que “Emergency Blimp” se mantém num estilo mais estruturado e pegajoso, e a viciante “Vidual” pisa no território post-punk. “Logos” serpenteia por um terreno mais elevado e grave, ao mesmo tempo que King Krule descreve uma relação dissolvida e inova um mal-estar existencial. Sabemos que Archy Marshall trabalhou duro para criar este disco, sofrendo bloqueios, depressão, insônia e às vezes falta de clareza sobre a direção que iria tomar. Entretanto, o resultado foi surpreendentemente positivo. “The OOZ” é um álbum fascinante, confessional, poderoso, cativante, escaldante e definitivo. É um convite para você conhecer toda a criatividade e talento de um dos compositores mais convincentes do momento. “The OOZ” não é um álbum de hits instantâneos, é uma coleção coesa feita para a totalidade e direcionada para aqueles que preferem escutar algo mais profundo, inteligente e criativo. Sem dúvida, é um dos melhores discos lançados em 2017!

Favorite Tracks: “Dum Surfer”, “Slush Puppy” e “Czech One”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.