Resenha: Kiesza – Sound of a Woman

Lançamento: 17/10/2014
Gênero: Eletrônica, Dance, Deep House, R&B
Gravadora: Island Records
Produtores: Rami Samir Afuni, Jordan Orvosh e Simen & Espen.

Kiesza é uma cantora e compositora canadense de 26 anos, que estourou em 2014 com o hit “Hideaway”. Lançado em 17 de outubro de 2014, “Sound of a Woman” é o título do seu primeiro álbum de estúdio por uma grande gravadora. Anteriormente, em 2008, ela já havia lançado um auto-intitulado álbum de forma independente. Nascida em Calvary e como Kiesa Rae Ellestad, ela foi bailarina até os 15 anos, antes de entrar para a Marinha, onde quase tornou-se uma franco-atiradora. Quando completou 18 anos, Kiesza disse que o divórcio dos pais a levou a escrever sua primeira canção, como uma forma de expressar seus sentimentos. Logo, o tempo se encarregou de trazê-la para a música, em especial, para o mercado EDM. No “Sound of a Woman”, com suas técnicas contemporâneas, Kiesza explora e mescla diferentes estilos musicais, como música eletrônica, dance, house e R&B. De maneira refrescante e eficaz, ela tenta capitalizar e reviver os anos 1990.

Suas letras não possuem um significado profundo, mas o disco traz um repertório com faixas variadas e promissoras, sustentadas por fortes e emotivos vocais. O álbum abre com a maravilhosa “Hideaway”, canção co-escrita por Kiesza em colaboração com o produtor Rami Samir Afuni. Inspirada por sua paixão pela música dance dos anos 1990, “Hideaway” é uma canção deep-house elegante, sexy e influenciada especialmente por CeCe Peniston e Robin Stone. Suas batidas sintetizadas, os vocais poderosos e o gancho “Ooo, aaah, aaah, ooo”, fizeram de “Hideaway” uma faixa incrivelmente cativante. O seu videoclipe, onde Kiesza anda e dança pela ruas de Brooklyn, também merece uma menção, pois é excelente e chamou atenção tanto do público como da mídia em geral. A efervescente “No Enemiesz”, segunda faixa, usou a boa fórmula de “Hideaway”, mas construindo uma outra direção musical. Suas batidas rígidas, as melodias euro-pop, os teclados pulsantes e os vocais cheios de energia, foram peças fundamentais para a criação de outra ótima música.

Na faixa “Losin’ My Mind” a cantora junta-se ao rapper Mick Jenkins, cujos versos se perderam em meio as batidas, e acabou quebrando um pouco o ritmo da música. Felizmente, Kiesza prova que sua arejada voz pode mudar as coisas para algo mais ousado, como o soulful. “Losin’ My Mind” é um número mid-tempo imponente, reminiscente do final dos 1980 que acena para o hip hop. Eventualmente, em faixas como a sedutora “So Deep”, o sentimentalismo é colocado em foco. O seu refrão é minimalista e com toques de R&B, algo muito parecido com os trabalhos de Jessie Ware. Os vocais, quase sussurrados, são sensuais e bem provocativos, como no verso: “Baby, eu não posso nunca encontrar a necessidade / eu ainda estou te amando, agora, agora, agora”. “Vietnam” e sua forte bateria colocam Kiesza no centro de um combate romântico, onde seus expostos vocais elevam-se em um refrão dance vintage. “Bad Thing” mostra que a cantora se adapta facilmente a produções R&B e hip hop tão bem quanto o EDM.

Kiesza

É outro número sensual, em colaboração com o rapper de Brooklyn, Joey Bada$$. Foi uma surpresa bem-vinda, pois é um movimento corajoso e que conseguiu encaixar uma dose necessária de atitude para o registro. A sétima faixa, “What Is Love”, é um cover delicado para o clássico euro-dance de 1993 de Haddaway. Foi interpretado junto de um lento piano, e demonstra o seu talento para uma sonoridade mais crua e minimalista. Sua decisão em abandonar o ritmo da versão original foi algo ousado e permitiu o ouvinte conectar-se com as letras. Na faixa-título, “Sound of a Woman”, ela impressiona ao abordar algo mais dramático, no entanto, o fato de vir logo após a sua lenta interpretação de “What Is Love”, interrompeu e levou o fluxo do álbum para baixo. “The Love” começa devagar, mas, logo após 30 segundos, aparece com uma grande e forte batida. Da melhor maneira possível, Kiesza agita tudo com um ótimo número inspirado pelo euro-dance.

Assim como os vocais emocionalmente carregados, a produção da balada “Piano” é linda, acalma as coisas e consegue destacar-se em meio as canções dance. “Giant In My Heart”, com seus vocais de apoio masculinos, é outro grande destaque do álbum. Aqui, Kiesza opta por usar a dor e solidão como temas e colocá-las sobre uma exuberante batida de house dos anos 1990. Essa ótima combinação fez a música se transformar em uma faixa perfeita para as pistas de dança. A faixa “Over Myself” é uma canção de separação, onde Kiesza canta: “Eu acho que eu tenho que quebrar seu coração / Para tê-lo sobre mim mesma”. Os versos são bons, entretanto, a sua tendência deep-house não é tão boa e acabou tornando-se um pouco monótoma. A faixa de encerramento, “Cut Me Loose”, é uma balada triste com um piano sombrio que fala, novamente, sobre um rompimento amoroso.

O “Sound of a Woman” não é, necessariamente, um disco ambicioso, pois possui ausência de um tema forte ou um senso de direção pré-determinado. Eventualmente, também é composto por alguns tentativas de recriar o sucesso de “Hideaway” e replicar sua estrutura básica. Mas levando em conta a sua releitura moderna do deep house e sua sonoridade descompromissada e divertida, pode-se dizer que o álbum é muito bem feito para o que se propõe. Os movimentos corajosos de Kiesza foram pontos importantes para a construção desse álbum, ela é definitivamente interessada pelo dance da década de 90. O mercado EDM sempre foi dominado pelos homens, que utilizam as mulheres como intercâmbios ou vocalistas sem rosto, por isso, a presença de Kiesza nesse gênero, torna-se ainda mais forte. Ela possui uma força dominante e uma emoção vocal perfeita para a house music. Juntando isso a sua versatilidade, foi possível nos entregar um álbum bastante cativante.

70

Favorite Tracks: “Hideaway”, “No Enemiesz”, “Losin’ My Mind (feat. Mick Jenkins)”, “Vietnam”, e “Giant In My Heart”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.