Resenha: Kid Rock – Sweet Southern Sugar

Lançamento: 03/11/2017
Gênero: Southern Rock, Country
Gravadora: Top Dog / BMG Rights Management
Produtor: Kid Rock.

Kid Rock, também conhecido como Robert James Ritchie, já está na cena musical a quase trinta anos. Ele conquistou uma legião de fãs com um estilo musical atraente, criado a partir da mistura de rock, nu-metal, hip-hop e rap. O seu quarto álbum de estúdio, “Devil Without a Cause” (1998), vendeu mais de 9,5 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos. Inicialmente, Kid Rock era fortemente influenciado pelo hip-hop e rap, tanto que ganhou sucesso comercial a partir do rap-rock de singles como “Bawitdaba”, “Cowboy” e “Only God Knows Why” (esse último pré-anunciando sua mudança para o country-rock). Posteriormente, seus álbuns tornaram-se cada vez mais orientados para o country e blues. Tanto que pouco tempo depois de lançar “Devil Without a Cause” (1998), ele fez um mergulho inesperado na música country quando lançou o disco “Cocky” (2001). “Picture”, sua colaboração com Sheryl Crow, foi o seu primeiro hit county e o maior sucesso nos Estados Unidos. Depois de ficar saturado pelo hip-hop old-school, Kid Rock passou a transformar sua imagem e firmar suas raízes no southern-rock e country. Dito isto, o seu novo álbum de estúdio, intitulado “Sweet Southern Sugar”, foi lançado em 03 de novembro de 2017. No momento em que um homem atinge uma certa idade, é muito difícil manter a mesma energia da juventude. Para Kid Rock, isso é ainda mais difícil, pois ele construiu sua carreira lançando músicas incrivelmente vitais. Mas, se você já conhece sua discografia e os multi-gêneros que ele trabalha, provavelmente vai gostar de “Sweet Southern Sugar”.

Lançado sob o seu próprio rótulo, através da BMG Rights Management, é um álbum feito para os fãs sem levar em consideração o sucesso no mainstream. Kid Rock é um artista que conhece o público e audiência que lhe permitiu tornar-se quem ele é. Impregnado na década de 70, o álbum evoca deliberadamente o blues-rock da banda ZZ Top, mas indo completamente na direção do southern-rock de atos como Black Oak Arkansas. A primeira faixa, “Greatest Show on Earth”, é um número meio exagerado cheio de batidas estrondosas e crocantes riffs de guitarra. É uma canção poderosa que funciona na mesma veia do country-rock “Only God Knows Why”. “Po-Dunk” faz uma mistura familiar de hip-hop e country que lembra o single “Cowboy”, ao mesmo tempo que fornece alguns vocais femininos. É uma canção cativante com batidas simples, boas harmonias e riffs cativantes. A próxima faixa, “Tennessee Mountain Top”, é mais soulful e compartilha muitas vibrações country. É conduzida pelo piano e sons de órgão, enquanto fornece letras e harmonias muito adequadas. Na otimista “I Wonder”, ele mostra um lado diferente sobre amostras de bateria, teclados eletrônicos, linha de baixo e maior sensibilidade pop. Em seguida, faixas como “Back to the Otherside” e “Stand the Pain” falam sobre as dificuldades da vida e como nós passamos por elas. “Back to the Otherside”, em particular, é uma música anti-suicídio com a melhor mensagem do repertório. Enquanto isso, “Stand the Pain” parece uma faixa perdida da banda Eagles que funciona perfeitamente no contexto do álbum.

A temática “Raining Whiskey” possui excelentes tons, violão e grandes harmonias, embora a letra seja um pouco deprimente: “Está chovendo whisky / Derramando cerveja / Há um jukebox trovejante no meu ouvido / Eu sinto uma grande depressão chegando / Está chovendo whisky desde que você se foi”. A música foi escrita pela cantora Frankie Miller, que tornou-se uma grande amiga de Kid Rock ao longo dos anos. O cantor ainda tira um tempo para fazer um cover de “Sugar Pie Honey Bunch” do quarteto americano Four Tops. Aqui, Kid Rock acena para suas raízes Motown sob uma versão mais escura com guitarra, bateria e baixo. Por último, mas não menos importante, Kid Rock apresenta a faixa “Grandpa’s Jam”. Desta vez, ele cai diretamente no seu passado ao fornecer um número influenciado pelo hip-hop com algumas linhas de rap. Há alguns riffs de guitarra funky e baixo, mas a batida arranhada é um grande aceno para as suas raízes. Como faixa mais bem-orientada para o hip-hop, “Grandpa’s Jam” parece uma ode para o álbum “Devil Without a Cause” (1998). Com seus diferentes estilos, “Sweet Southern Sugar” pode ser um pouco difícil de definir, mas Kid Rock está realmente fazendo a música que quer fazer. Concentrar-se no passado parece ser, ironicamente, a chave para ele tentar se reinventar. Dito isto, “Sweet Southern Sugar” possui todos os ingredientes de um bom álbum do cantor: rock, country, hip-hop, dinamismo, paixão, impetuosidade e muita atitude.

Favorite Tracks: “Tennessee Mountain Top”, “American Rock ‘n Roll” e “Stand the Pain”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.