Resenha: Kid Ink – Full Speed

Lançamento: 30/01/2015
Gênero: Hip-Hop, Rap
Gravadora: RCA Records
Produtores: Brian Collins, DJ III Will, J Grand, Ben Billion$, C.P Dubb, Cashmere Cat, Conor Mahone, David D.A. Doman, DJ Dahi, DJ Mustard, DJ Spinz, The Featherstones, J Holt, JGramm Beats, Young Rich, Josh Werner, Key Wane, Mark Kragen, Metro Boomin, Ned Cameron, Nic Nac, Peter Wade, The Pioneer Crew, REO, Stargate e The Truth.

Kid Ink, nome artístico de Brian Todd Collins, é um rapper americano contratado da gravadora RCA Records. Depois de lançar um álbum independente, “Up & Away”, ele chamou atenção ano passado com o lançamento do seu segundo álbum de estúdio, “My Own Lane”. Este gerou três singles, entre eles, o hit “Show Me” em parceria com Chris Brown. Este ano, em 30 de janeiro de 2015, Kid Ink lançou o seu terceiro álbum de estúdio, chamado “Full Speed”. Ele estreou no número #14 da Billboard 200, vendendo 29 mil cópias nos Estados Unidos em sua primeira semana. Kid Ink é um rapper que ama refrões e batidas lisas, costuma lançar singles divertidos com foco em animação noturna, melodias convencionais e, ás vezes, é ágil em seu jogo de palavras. Mas ele também costuma ser apressado na criação de suas músicas, exibindo pouco desenvolvimento, nenhuma atenção aos detalhes ou inovação. “Full Speed” é composto por 12 faixas e possui colaborações com R. Kelly, Usher, Tinashe, Chris Brown, Trey Songz e Young Thug. Nos bastidores temos produções de nomes conhecidos como DJ Dahi, Nic Nac, Stargate, Cashmere Cat e DJ Mustard.

É um registro com apelo comercial e algumas faixas cativantes, mas que carece de certa qualidade. Entre seu conteúdo encontramos diversos temas clichês e repetitivos, dos quais ouvimos com frequência no mundo do hip-hop, além de produções e estruturas estereotipadas. Os principais assuntos do álbum são mulheres, dinheiro, boates e drogas. Liricamente, seu repertório é vazio e totalmente carente de profundidade. Ele se esforça para encontrar um som consistente ao longo do repertório, mas a maioria das músicas continuam a desiludir. O álbum abre com a energética “What It Feels Like”, canção atada com um mesmo tipo de instrumental encontrado em “Trophies” do rapper Drake. Sua produção tenta deixar a voz de Kid Ink nítida em meio a estridentes riffs, trombetas e tambores ao fundo. Para uma faixa sem quaisquer outros artistas presentes, Kid Ink inclui alguns de seus melhores vocais do álbum, visto que aqui ele não é tão ajustado com auto-tune como em outros lugares. “What It Feels Like”, estrategicamente, dá um tom de bem-estar ao registro, pois segue uma fórmula rotineira do rapper. Mas, liricamente, tropeça em um território descartável e não aborda nada de interessante.

Essa primeira faixa, basicamente, prova que a música de Kid Ink sente-se mais confortável em meio as ondas das rádios e das boates. A excitação do rapper continua a ferver em “Faster”, segunda faixa do álbum. Kid Ink parece totalmente confortável trabalhando dentro do universo sonoro de DJ Dahi. Aqui, ele alterna seus vocais e engrena seu rap em meio a uma batida trap e uma linha de baixo pesada. É uma canção confiante que proporciona uma agradável audição, mas, é outra desprovida de qualquer profundidade lírica em particular. “Digamos que você quer viver mais rápido mais rápido / Eu tenho o que você pedir / Todas as meninas estão em linha para o banheiro / Você não é tão tímida, baby”, ele canta, enquanto as letras não oferecem algo substancial como muito de seus contemporâneos do hip-hop. A terceira faixa, “Dolo”, é uma colaboração com R. Kelly e onde encontramos um som familiar quando escutamos a frase “Lemme see it”. Este é o famoso som das produções de Nic Nac, produtor responsável pela criação da cativante “Loyal” de Chris Brown.

Kid Ink

A produção dele é eficiente ao oferecer uma grande instrumental para ambos artistas trabalharem em cima. A batida urbana é muito descontraída e é um grande ponto a favor da faixa. Mas, talvez, a melhor parte desta canção são os versos de R. Kelly, não dá para negar que sua voz é incrivelmente agradável. Kid Ink mantém um equilíbrio e apresenta um fluxo apropriado, mas nada que impressione. O conceito e lirismo da música é meio banal, no entanto, o saldo geral da mesma é positivo. Produzida por Stargate e Cashmere Cat, bem como apresentada ao lado de Usher e Tinashe, temos a faixa “Body Language”. Lançada como primeiro single do álbum, essa é uma faixa saltitante, animada e muito radio-friendly. O instrumental é simples, insuflável e muito catchy, totalmente adequado ao estilo do rapper. Usher assume a maior parte dos direitos de canto da música, e faz um ótimo trabalho ao manter a energia durante o provocativo refrão. Tinashe, por sua vez, atua como backing vocal e adiciona um charme extra. A batida e ritmo contagiante conseguem mascarar as limitações líricas e escrita sem brilho de Kid Ink.

Após o sucesso comercial do single “Show Me”, Kid Ink resolveu trabalhar pela terceira vez com Chris Brown, desta vez em um eletro-hop chamado “Hotel”. Produzida pela equipe The Featherstones, esta é, honestamente, uma canção que não apresenta nada de novo vindo dos dois. Possui exatamente a mesma vibração musical de “Show Me” e “Main Chick”. Liricamente, a música incentiva a infidelidade, um ponto de vista hipócrita considerando o restante dos temas do álbum. Na sexta faixa, “Cool Back”, Kid Ink opta por utilizar um fluxo sussurrado e, como a maioria das faixas deste tipo, o ambiente tende a ficar monótomo. É, particularmente, uma das faixas mais fracas do álbum e ainda lembra outras produções. Sua introdução nos remete a “Rack City” de Tyga, bem como o som geral é, praticamente, uma reminiscência de “Who Do You Love?” de YG. Kid Ink brilha mais quando está apenas fazendo um rap livremente, como ouvimos em “Be Real”. Nesta pista ele tem apoio da cantora/rapper Dej Loaf, que consegue os holofotes para si quando entra em ação. A produção do onipresente DJ Mustard, mais uma vez, mantém as coisas adequadas graças ao seu forte bassline.

Kid Ink

Kid Ink tenta sair um pouco de sua zona de conforto em “Every City We Go”, ao colaborar com o grupo de Atlanta, Migos, formado por Quavo, Offset e Takeoff. Essa tem algumas batidas cativantes, mas é, talvez, a faixa que passa mais despercebida no álbum. Pode ser impressão minha, mas o grupo Migos não parece confortável sobre o cenário festivo de Kid Ink. A parceria improvável entre ambos atos resultou em uma requintada mistura de dois estilos opostos que não combinaram. Kid Ink e Migos poderiam pelos menos ter calibrado a música com suas devidas identidades criativas para o bem maior da mesma, mas, infelizmente, isto não aconteceu. “Round Here”, por sua vez, é mais interessante, uma canção cheia de confiança, intimidante e que consegue se diferenciar de outras faixas onde ele apenas ostenta o seu dinheiro. O produtor Key Wane fez um bom trabalho aqui ao incluir uma batida tão espessa e obscura, que você poderia até ver Jeezy a utilizando em uma de suas mixtapes. DJ Mustard também foi o autor por trás de “About Mine”, outra contribuição que prova que seu estilo minimalista ainda não está cansativo.

Os vocais de Trey Songz dominam esta faixa, entretanto, ele acaba sendo ofuscado pela batida de Mustard. Kid Ink também não faz por onde ao entregar rimas e trocadilhos sem graças, que falam sobre a necessidade de obter dinheiro para ficar com alguém. Chega a ser fácil esquecer a presença do rapper nesta faixa. É apenas chocante ao descobrir que foi preciso nove pessoas para escrever essa música. “Blunted”, penúltima faixa, contém alguns ótimos sons graves que atraem. É um bom exemplo de fluxo e entrega carismática de Kid Ink que, combinado com o instrumental energético, obteve resultados bem sucedidos. A batida cintilante e o fluxo melódico são interessantes de se ouvir. O álbum fecha com a canção “Like a Hott Boyy”, produção de Metro Boomin que caracteriza os artistas Young Thug e Bricc Baby Shitro. Sobre acordes hipnóticos, batidas contundentes e gritos estridentes fornecidos por Thug, os três rappers batem cheios de energia. Ainda assim, Kid Ink é realmente a pessoa mais talentosa nesta faixa e termina o álbum com a mesma energia que começou.

“Full Speed” é um álbum que, em grande parte, não consegue segurar a atenção do ouvinte, embora contenha algumas boas características. Em grande parte, as batidas são bem escolhidas, coesas e cheias de energia, mas o conteúdo lírico de Kid Ink é muito oco para realmente impressionar. Coisas como estas, apontam para a imaturidade do álbum, que não consegue deixar qualquer impressão duradoura e/ou notável. Isso decepciona bastante, porque a única impressão que acaba deixando é a falta de ambição artística por parte do rapper. É um material que não oferece um bom nível de excelência como os de grandes nomes do hip-hop americano. Ele soa como uma coleção ou punhado de singles genéricos prontos para as rádios. Em vários momentos, Kid Ink ainda soa perdido dentro de seu próprio álbum. Como mencionado, ele não é liricamente competitivo e metade do repertório deixa algo a desejar. Ele aparenta ser um artista falho de imaginação ou criatividade, embora seja eficaz nas batidas e melodias. Talvez em seu próximo registro ele gaste um pouco mais de tempo demonstrando crescimento e versatilidade como rapper e artista.

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Favorite Tracks: “What It Feels Like”, “Dolo (feat. R. Kelly)”, “Body Language (feat. Usher & Tinashe)”, Be Real (feat. Dej Loaf)” e “Round Here”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.