Resenha: Kevin Gates – Islah

Lançamento: 29/01/2016
Gênero: Hip-Hop
Gravadora: Bread Winners’ Association / Atlantic Records
Produtores: Go Grizzly, Alex Goose, Cook Classics, Jake Troth, Mad Max, Patrick Carmelo, Millz, Swiff D, Nick Seeley, DJ Chose, Earl Hood, Rico Love, Norris Buchanan, David “D.A.” Doman, Rvssian, IENNA FuNkEn, The Featherstones, Earl & E, Drop e Adrian “Phe” Santalla.

Kevin Gates é um rapper americano de Baton Rouge, Luisiana, contratado da gravadora Atlantic Records. Seu primeiro álbum de estúdio, “Islah”, foi lançado em janeiro de 2016 e chegou ao número #2 da Billboard. Antes desse disco, Gates já havia lançado inúmeras mixtapes, entre elas “Stranger Than Fiction”, “By Any Means” e “Luca Brasi 2”. Embora o rap tenha salvado a vida de Gates, as notícias sobre ele nem sempre foram boas. O rapper, nascido em Nova Orleans, é um tanto quanto conhecido por agredir fãs em shows. Em 2008, ele foi preso e acabou dando uma pausa na sua carreira musical. Ele passou 31 meses na prisão e foi liberado mais cedo, por causa do seu bom comportamento.

Felizmente, Kevin Gates deu a volta por cima e provou ser um artista realmente talentoso. Ele é um rapper que soa como se estivesse à beira de um colapso emocional, Gates sabe como cuspir rimas cheias de honestidade e crueza. “Islah”, por exemplo, mostra toda a sua credibilidade e versatilidade. Com um total de 15 canções, esse registro é uma declaração de sua auto-independência. O álbum é tecnicamente polido e envolve uma grande variedade de som instrumental. O título do álbum em árabe significa “reforma”, no sentido de fazer o bem ou melhorar em algo. Ele foi nomeado após o nascimento de sua primeira filha. Muitas vezes questionado e incompreendido, o rapper está casado com uma mulher que ele chama de sua melhor amiga.

Referente a produção, é notável ouvir tantas batidas pesadas e trap em um disco de um rapper sulista. Curiosamente, a lista de produtores não está preenchida por grandes nomes da indústria. Na verdade, quase nenhum deles são conhecidos, enquanto convidados especiais só aparecem em uma das faixas bônus. Desde 2013, Gates lançou mixtapes que foram muito aclamadas pela crítica. Mais tarde, como estrela da Atlantic Records, ele mostrou o quanto pode cativar com o seu barítono. Durante o “Islah” ele mostra sua versatilidade, ao misturar rap com canto e transmitir uma grande vulnerabilidade lúdica. Ele utiliza uma infinidade de ferramentas para conseguir tecer suas emoções.

Kevin Gates

Seu foco é, muitas vezes, traduzir suas idéias, em vez de apenas cuspir rimas uma atrás da outra. O álbum começa com faixas populares, tais como “Really Really” e “2 Phones”. Ambas mostram com propriedade as fortes qualidades rítmicas e melódicas do álbum. “2 Phones” possui uma batida e refrão surpreendentemente cativantes, onde Kevin Gates diz ser conhecido por ter dois telefones. Enquanto na faixa de abertura, “Not the Only One”, ele mostra o quando está apaixonado, em “The Truth” ele aborda um incidente do ano passado, quando chutou uma mulher de 18 anos no peito durante o seu show. “Ela agarrou meu pau exagerei, me desculpe / Duas ou três vezes eu já tinha avisado a ela”, ele diz na tentativa de pedir desculpas e defender suas ações.

Ele mantém o seu estilo de marca registrada, mas também tece algo mais sentimental e vulnerável em canções como “Pride” e “One Thing”. Essa abordagem mais suave é atribuída ao seu recente casamento com Dreka Haynes. A responsabilidade de ter uma esposa e filha contribuiu para o seu crescimento pessoal e mudança artística. Os fãs de suas mixtapes também não se decepcionaram com este álbum, porque canções como “Thought I Heard (Bread Winners’ Anthem)” e “La Familia” possuem temas e letras de assinatura, em meio a pesadas batidas. Faixas como a viciante “Kno One”, “Time for That” e “Hard For” destacam sua voz, que sempre consegue ser surpreendentemente melodiosa.

Nos três casos, ele entrega refrões poderosos e incríveis avarias melódicas. Kevin Gates tem um som plenamente realizado, comprovado ao longo de produções diversificadas, que podem atrair a popularidade mainstream. Ao longo de alguns anos tentando adquirir seu espaço no mundo do hip-hop, ele conseguiu apresentar um som grande o suficiente para acomodá-los em vários estilos. “Islah” mostra sua gama através de canções infecciosas que, provavelmente, aumentou sua crescente fã base. Kevin Gates faz música para si mesmo. Ele é incrivelmente talentoso e um dos rappers mais consistentes de Luisiana.

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Favorite Tracks: “Really Really”, “2 Phones”, “Time for That”, “The Truth” e “Kno One”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.