Resenha: Kenny Chesney – Cosmic Hallelujah

Lançamento: 28/10/2016
Gênero: Country
Gravadora: Columbia Nashville
Produtores: Buddy Cannon e Kenny Chesney.

A carreira de Kenny Chesney já se estende por duas décadas, desde então ele já lançou 17 álbuns de estúdio, o último deles em 2016. O álbum, originalmente intitulado “Some Town Somewhere”, iria ser lançado em julho, entretanto, recebeu um novo título e data de lançamento. Parte disso aconteceu devido ao sucesso do single “Setting the World on Fire”, com a cantora P!nk. “Essas músicas são todas sobre levar The Big Revival para o próximo nível. Esse nível é Cosmic Hallelujah”, disse ele em um comunicado de imprensa, ao anunciar a nova data de lançamento. Re-intitulado como “Cosmic Hallelujah”, o disco foi lançado pela Columbia Nashville em 28 de outubro. O álbum é uma mistura de ritmos e temas clássicos de Kenny Chesney, mas com alguns novos elementos incorporados. Ele mostra a versatilidade do cantor e desenrola-se em torno de seus melhores esforços vocais e líricos. Além disso, o som geral do álbum contém o que a maioria dos fãs de música country gostam, como batidas de pé e composições que contam histórias.

A maioria das 11 faixas do registro são uma mistura de temas maduros que lidam com uma variedade de sons e mensagens. O título, certamente, foi uma boa forma de descrever o álbum, com Chesney mergulhando em temas menos tangíveis e mais profundos. Em uma entrevista para a Rolling Stone, o cantor disse que queria adicionar mais emoção às suas músicas e que, seus sentimentos sobre o produto final, são a maior inspiração para o novo título do álbum. A faixa de abertura, “Trip Around the Sun”, possui um ritmo muito otimista e foi uma ótima maneira de começar o álbum. Ela atinge seu objetivo graças ao ritmo guiado por banjos e palmas. Nessa música, Kenny está relaxando e desfrutando de uma cerveja ao lado dos seus amigos. “Estamos todos nadando em um aquário, apenas flutuando pelo céu / Puxado pela gravidade, e ninguém sabe por que”, ele canta. “All the Pretty Girls” segue o exemplo e continua com a diversão que os fãs já conhecem.

Uma música fácil de imaginar sendo tocada em algum dos shows de Chesney. É energética, nostálgica e com vocais bem familiares. Desde a introdução na guitarra, a canção agita com sua percussão esmagadora e melodia repetitiva. Isso nos leva para “Setting the World on Fire”, uma colaboração eficaz de Kenny Chesney com P!nk. É uma canção romântica reconfortante, onde a voz raspada de P!nk combina com os suaves vocais de Chesney. Liricamente, é uma doce canção sobre um caso de amor imparável e ilimitado. Guitarra, percussão e sintetizadores iniciam a música, antes de ambos cantores saltarem entre versos e harmonizarem em outras linhas. O ritmo fica mais forte na marca de 1 minuto, quando os dois ficam mais energéticos e entusiasmados com a música. Apesar da bateria eletrônica ser um passo em falso, “Setting the World on Fire” é um country-pop muito agradável, seja pela sintonia dos instrumentos, vocais ou solo de guitarra. Outra faixa de destaque é “Noise”, que serviu como primeiro single do álbum.

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A canção, escrita por Chesney, Shane McAnally, Jon Nite e Ross Copperman, fala sobre as distrações que atrapalham a beleza natural da vida. Chesney fala da forma como as redes sociais e celulares, entre várias outras coisas, tiram totalmente a nossa atenção. Além de ser muito cativante, essa pista realmente possui uma mensagem subliminar envolvida sobre a sociedade em que vivemos hoje. A quinta faixa, “Bucket”, é uma das mais leves e alegres canções do álbum. Repleta de trocadilhos por toda parte, a música faz você balançar a cabeça ao longo da batida e ritmo das letras. Co-escrita por Craig Wiseman, “Bucket” detalha um homem que decidiu parar de se preocupar com as expectativas das pessoas. Canções como a descontraída “Bar at the End of the World”, a up-tempo “Winnebago” e a catchy “Some Town Somewhere”, são clássicos de Kenny Chesney, com histórias vívidas sendo cantadas ao longo dos refrões. Uma das minhas canções favoritas do álbum é “Rich and Miserable”, oitava faixa do repertório.

É uma canção sincera sobre a obsessão da sociedade pelos bens materiais. Os ouvintes podem se surpreender ao ouvir um comentário social sobre o sonho americano por aqui. Enquanto a faixa incorpora um óbvio comentário social, as batidas e vocais estão no ponto. A voz de Chesney está fortemente exposta sobre uma percussão silenciosa e composição na guitarra. Os instrumentos só ficam mais altos e ganham mais força durante o refrão. “Nós subimos a escada, mas a escada apenas cresce / Nós nascemos, nós trabalhamos, nós morremos, é espiritual / O suficiente nunca é suficiente / Sonho americano nunca mais acorda / Demais nunca é demais / Nós não seremos felizes até sermos ricos e miseráveis”, ele canta aqui. Entre instrumentos, letras e voz de Chesney, a música é inegavelmente cativante. A despojada “Jesus & Elvis” é uma balada country no seu melhor, com letras incrivelmente descritivas. Sua escrita realmente faz jus à reputação da música country em contar históricas líricas.

As guitarras de fundo são tão suaves que permitem a voz de Kenny Chesney tomar todo o controle. Como podemos ouvir, Jesus e Elvis Presley são bastante referenciadas na letra: “Entre os rockers e a banda / É uma promessa de terra apropriada / Para os reis dos reis e o rei do rock and roll”. A última faixa, “Coach”, é uma música lenta com um pouco de sensação rocker. É mais um número clássico de Kenny Chesney, onde ele elogia e agradece os treinadores esportivos por serem muito mais do que um simples professor. Mais um vez, Kenny Chesney criou um álbum recheado de hits country com uma variedade de escritores. Apesar de suas falhas, com esse álbum o cantor conseguiu superar algumas barreiras. Em vez de cantar apenas sobre habituais festas, ele acrescentou algumas mensagens interessantes sobre viver o momento e apreciar a vida. Para os seus fãs, esse disco certamente valeu seu peso. É o seu décimo sétimo álbum gravado em estúdio, e um dos seus projetos mais bem-sucedidos até o momento.

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Favorite Tracks: “Setting the World on Fire (feat. P!nk)”, “Noise” e “Rich and Miserable”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.