Resenha: Kelly Clarkson – Meaning of Life

Lançamento: 27/10/2017
Gênero: Pop, R&B, Soul
Gravadora: Atlantic Records
Produtores: Kelly Clarkson, Craig Kallman, Jason Halbert, Jussifer, Jessica Karpov, Greg Kurstin, Fade Majah, Mozella, The Monarch, Novawav, Michael Pollack, Priscilla Renea, Nick Ruth, Mick Schultz e Jesse Shatkin.

Depois de sete álbuns lançados, Kelly Clarkson finalmente saiu da RCA Records, gravadora da qual ela fazia parte desde a conquista do American Idol em 2002. Enquanto o seu último álbum, “Piece by Piece”, lançado em 2015, não alcançou o mesmo sucesso comercial de seus lançamentos anteriores, Kelly Clarkson assinou com a Atlantic Records. Posteriormente, ela anunciou que estaria lançando um disco mais influenciado pelo soul, algo que sempre teve vontade de fazer. O primeiro fruto do seu novo contrato, é o oitavo álbum de estúdio, “Meaning of Life”. Durante quinze anos, Clarkson procurou controlar e diversificar o seu som, consequentemente sua nova liberdade criativa expandiu ainda mais a sua paleta sonora. Enquanto os lançamentos anteriores de Clarkson apresentaram influências mais amplas, eles eram firmemente amarradas ao pop-rock. Seus vocais podem definitivamente se prestar a esse gênero, mas com “Meaning of Life” ela oferece um álbum pop mais imerso no soul e R&B. A primeira faixa, “A Minute (Intro)”, é apenas um aquecimento para o que está por vir. A influência da música soul e R&B é sentida fortemente no primeiro single, “Love So Soft”. Um esforço cativante que destaca a devoção por tais gêneros, enquanto procura por um parceiro romântico. Musicalmente, contém linhas de baixo, teclados, trompas, vocais de apoio em camadas, elementos de trap e uma vibe soulful. Em seguida, “Heat” destaca sua habilidade vocal e personalidade, ao passo que adverte o seu atual interesse amoroso.

“Estou deslizando de seus dedos / Mantenha-se frio como novembro / Estou acostumada a sentir essa febre / Eu quero mergulhar em você mais fundo”, ela admite no segundo verso. A primeira metade do álbum gera um resultado positivo sobre tudo que a cantora sofreu nos últimos quinze anos. A faixa-título, “Meaning of Life”, é uma grande síntese do disco. Uma balada atmosférica com uma mensagem amorosa que adapta-se perfeitamente à sua voz. É aqui onde podemos discernir o soul que Clarkson está tentando inserir no álbum. Originalmente escrita para o “Piece By Piece” (2015), esta canção concentra-se na nova perspectiva artística de Kelly Clarkson. Desde a vibração soulful e doo-wop da produção até o conteúdo lírico, encontramos uma cantora encarnando adequadamente o conceito geral por trás do projeto. Aqui, o ouvinte é tratado com piano, batidas mid-tempo, violinos, trompetes e um coral de apoio. O segundo single, “Move You”, é uma balada soul, rock e gospel que destaca ainda mais o alcance vocal de Kelly Clarkson. Uma canção que lindamente constrói camadas em sua instrumentação e alcança uma atmosfera escura e temperamental. É uma clássica balada de cantora emparelhada com uma produção mais dramática e soulful. Nos versos, ela mostra o desejo de deixar uma impressão duradoura num parceiro que conquistou o seu coração. A sexta faixa, “Whole Lotta Woman”, é a favorita da própria Kelly Clarkson. Nesta canção, ela se mostra orgulhosa em relação a sua cidade natal e educação, admitindo ser uma pessoa incontrolável.

Linhas como, “No sul, não é tão autêntico, baby / Pote cheio de grãos, estou mais quente que a janta da sua mãe, garoto” e “Eu uma mulher completa / Tudo o que eu vejo que eu quero, eu consigo / Eu sou uma garota forte, malvada, um clássico, confiante, sim”, definem esta música. Assim como outras faixas do álbum, possui uma vibração soul e poderosa seção de trompetes. Outro momento de destaque vem com “Medicine”, uma música sobre cortar os laços com aqueles que simplesmente não são bons para você (“Eu lhe dei muitas chances / Mas você causou mais dano”). Possui uma introdução ligeiramente funky e transforma-se numa poderosa faixa pop com um dos mais fortes e exuberantes refrões do álbum. Na balada “Cruel”, a cantora implora apropriadamente ao seu parceiro que não seja cruel. É uma faixa que assume o espectro de uma tradicional balada cheia de frustração, vulnerabilidade e raiva. A abordagem simplista da produção permite que o desempenho vocal de Kelly Clarkson ocupe o centro das atenções. Sobre graves pesados, a up-tempo e aborrecida “Didn’t I” fornece uma atitude muito semelhante ao da faixa anterior. Ao questionar a fidelidade e confiança, ela deixa claro que não será a única culpada pelo fim do relacionamento. “Não te dei tudo? / Eu te dei tudo / Baby, eu não?”, Clarkson pergunta retoricamente. A produção é corajosa e possui trompas apoiando-a fortemente. Na segunda metade do repertório, o álbum transita por uma rota mais escura e séria.

Em “Would You Call That Love”, “I Don’t Think About You” e “Don’t You Pretend”, por exemplo, ela menciona todas as dores que sofreu para tornar-se a mulher que é hoje. O produtor Greg Kurstin, o seu frequente colaborador, fornece apoio em “Would You Call That Love”, onde Clarkson é forçada a lidar com as conseqüências de um término. Enquanto isso, “I Don’t Think About You” a encontra recuperando-se de um coração partido sobre um delicado piano e alguns falsetes. Posteriormente, “Slow Dance” faz um ótimo uso da voz da cantora, enquanto exibe um ritmo sólido, riffs de guitarra e sensação de calma e conforto. Na metade da canção, um poderoso solo ainda injeta um toque muito agradável. Por último, “Go High” é uma faixa inspiradora enraizada no discurso de Michelle Obama durante as eleições presidenciais de 2016. Sua cativante melodia desencadeia um relacionamento de amor e ódio, enquanto fornece um refrão verdadeiramente edificante. “Meaning of Life” possui um dos repertório mais coesos e poderosos de Kelly Clarkson até à data. Com raízes inseridas nos gêneros soul e R&B, Clarkson deixou sua estética pop-rock para trás e explorou algo mais desafiante e sofisticado. Apesar de co-escrever apenas três das quatorze faixas, “Meaning of Life” parece um recomeço para Kelly Clarkson. Ela explicou que com este álbum, gostaria de honrar a música que cresceu ouvindo na sua juventude. Em suma, é um registro que mostra um nítido crescimento musical se comparado com os seus antecessores.

Favorite Tracks: “Meaning of Life”, “Move You” e “Medicine”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.