Review: Katy Perry – Teenage Dream (2010)

Lançamento: 24/08/2010
Gênero: Pop, Pop Rock, Dance-pop, Electropop
Gravadora: Capitol Records
Produtores: Ammo, Benny Blanco, Kuk Harrell, Dr. Luke, Max Martin, Tricky Stewart, StarGate, Sandy Vee e Greg Wells.

“Teenage Dream” é o álbum de maior sucesso da Katy Perry e uma das eras mais bem-sucedidas da história da música pop. Ademais, foi o responsável por igualar um recorde que antes só pertencia a Michael Jackson.

Lançado em 24 de agosto de 2010 através da Capitol Records, “Teenage Dream” é o segundo álbum de estúdio da Katy Perry. Estreou em #1 nos Estados Unidos ao vender mais de 192 mil cópias na primeira semana e, até o momento, já recebeu certificado de platina-tripla pelas 3 milhões de cópias comercializadas em território norte-americano. O “Teenage Dream” foi um álbum de extremo sucesso comercial e rendeu sete indicações no Grammy Award, incluindo as categorias “Album of the Year”, “Best Pop Vocal Album”, “Record of the Year” e “Best Pop Vocal Solo Performance”. Até a presente data, o disco já havia ultrapassado a marca de 7,1 milhões de cópias vendidas no mundo todo. A capa é uma pintura de Will Cotton e foi revelada em 21 de Julho de 2010 através de um web-stream ao vivo em seu estúdio. Musicalmente, é um álbum pop e pop-rock com fortes influências de disco, dance, house e música eletrônica. Liricamente, gira em torno do amor adolescente, relacionamentos, festas, auto-capacitação e crescimento pessoal.

Katy Perry co-escreveu todas as doze faixas do álbum e trabalhou com uma série de compositores e produtores, incluindo Dr. Luke, Max Martin, Benny Blanco, Tricky Stewart, StarGate, Greg Kurstin e Ester Dean. Foi precedido pelos singles “California Gurls” e “Teenage Dream” e, mais tarde, gerou mais quatro singles: “Firework”, “E.T.”, “Last Friday Night (T.G.I.F.)” e “The One That Got Away”, respectivamente. Os cinco primeiros alcançaram o número #1 da Billboard Hot 100, tornando o “Teenage Dream”, depois do “Bad” (1987) de Michael Jackson, o segundo álbum da história a ter cinco singles número #1 nos Estados Unidos. Em 2012, o álbum ainda teve um relançamento intitulado “Teenage Dream: The Complete Confection”, que rendeu mais dois singles. A faixa “Part of Me” também atingiu o topo da Billboard Hot 100, enquanto “Wide Awake” chegou na segunda posição. “Teenage Dream” além de quebrar inúmeros recordes dentro dos Estados Unidos, também é o álbum que mais vendeu singles digitais na história, com mais de 35 milhões de downloads. A faixa-título, “Teenage Dream”, foi uma excelente escolha para abrir o álbum, uma canção electropop mid-tempo com um som retrô e elementos de pop-rock.

Co-escrita por Bonnie McKee, a letra regressa aos sentimentos de euforia de estar apaixonado como um adolescente. É uma canção que, conforme avança, fornece fortes e estridentes vocais de Perry. “Teenage Dream” é perfeita do começo ao fim, a letra não é tão imatura como o título faz parecer, possui versos interpretados de forma suave e um refrão extremamente explosivo e cativante. “Last Friday Night (T.G.I.F.)” é uma faixa com influências de dance-pop e letras picantes que falam sobre diversão, festas, bebida e deboche. Para efeito de curiosidade, o “T.G.I.F.” no título é um acrônimo para “Obrigado Deus é Sexta-Feira”. É outra canção muito cativante e uma das melhores do registro, graças ao conteúdo sexy e clipe muito bem feito. A música atinge um equilíbrio perfeito entre o sex appeal e o charme discreto de Katy Perry, que ao longo de guitarras e teclados, encaixa perfeitamente um saxofone na ponte logo depois do coro “T.G.I.F”A terceira faixa e carro-chefe do álbum, “California Gurls”, apresenta versos do rapper Snoop Dogg. De acordo com Perry, é uma resposta para a canção “Empire State of Mind” de Jay-Z e Alicia Keys.

Musicalmente, é uma faixa mid-tempo disco-pop com elementos de new-wave, funk e electropop, com letras que exaltam o estado da Califórnia (local onde Katy Perry e Snoop Dogg nasceram e foram criados). “California Gurls” é definitivamente um “hino do verão” que define o tom do “Teenage Dream” com o seu refrão carismático. O arranjo e melodia da canção fazem qualquer um sentir-se numa bela tarde de sol na praia. Brilhante, divertida e de alto padrão, “California Gurls” foi classificada pela revista Billboard como a maior canção de verão de todos os tempos. A próxima faixa, “Firework”, exibe uma maturidade recém-descoberta pela cantora, com uma verdadeira demonstração de musicalidade. Foi co-escrita por ela, juntamente com a dupla StarGate e Ester Dean. É um hino de auto-capacitação com uma letra inspiradora e a música preferida da própria cantora. Sonoramente, é uma fatia de disco-rock e dance-pop com elementos de eletro-house e europop. A melodia e batida dançante são extremamente contagiantes, algo que certamente ajudou a torná-la num enorme sucesso comercial e a canção mais vendida da cantora dentro dos Estados Unidos.

A quinta faixa, chamada “Peacock”, é um infeccioso dance-pop com uma forte batida house. Sem dúvida, é a canção mais excêntrica do repertório, principalmente por causa do duplo sentido contido em sua letra. A música traz uma ideia sugestiva referente ao órgão genital masculino, o que fez a gravadora inicialmente recusar-se a inclui-lá no “Teenage Dream”. Logo depois do seu lançamento, foi muito comparada à “Mickey” (Toni Basil) e ao smash-hit “Hollaback Girl” (Gwen Stefani). “Peacock” não foi lançada como single, entretanto, entrou em várias paradas musicais, viralizou na internet e foi muito tocada em boates e casas de show pelo mundo. E, apesar da vulgaridade e brincadeira um tanto embaraçosa na letras, é uma canção bem viciante. “Circle the Drain”, lançada como single promocional duas semanas antes do álbum, é centrada sobre as tensões que Katy Perry passou com o seu ex-namorado usuário de drogas, o cantor Travie McCoy.  É uma música rock e eletrônica com elementos de disco-rock e tom ameaçador, que demonstra um melhor alcance vocal da cantora.

“The One That Got Away”, por sua vez, nos fala sobre um amor perdido e apresenta referências á banda Radiohead e a relação de Johnny Cash e June Carter Cash. Uma balada pop muito linda onde Katy Perry, com o seu vocal melancólico, agoniza sob uma batida de tambor e um delicado riff de piano, a perda de seu único e verdadeiro amor. Em seguida, temos “E.T.”, uma balada eletrônica e hip-hop que fala sobre se apaixonar por um estrangeiro. A versão com o rapper Kanye West foi lançada como quarto single e fez um sucesso comercial enorme, principalmente na América do Norte. Os vocais, batidas e produção de “E.T.” merecem elogios, pois é bastante hipnotizante e um destaque a parte. O clipe, dirigido por Floria Sigismondi, também merece uma menção honrosa, pois é simplesmente incrível e muito bem produzido. “E.T.” é uma faixa interessante o suficiente e, certamente, mais pesada sonoramente e liricamente que o restante do álbum. “Who Am I Living For?”, por outro lado, é uma balada retrô inspirada pela educação religiosa de Perry.

Ela contém fortes elementos de dubstep e uma pincelada de gospel. Sua composição e tom emocional merecem elogios, assim como a sua batida dramática, riffs de guitarra, violões e vocais nervosos. A faixa seguinte, intitulada “Pearl”, é a balada com a melhor letra e primeira contribuição de Greg Wells no álbum. É uma faixa satisfatória e um verdadeiro hino de empoderamento feminino (“E você vai aprender que você ainda pode continuar / E você sempre será uma pérola / Ninguém pode detê-la”). Logo em seguida, temos uma das melhores faixas do repertório: “Hummingbird Heartbeat”. Um potencial hit dentro de uma coleção de sucessos. Liricamente, ela foi inspirada pelo namorado de Katy Perry na época, o comediante Russell Brand. Aqui, a cantora compara a sensação de estar com ele à velocidade do batimento cardíaco de um beija-flor. É uma forte canção pop-rock e eletrônica que cresce com incríveis riffs de guitarra elétrica. É absolutamente um espetáculo de música! Encerrando o “Teenage Dream”, temos a irresistível balada pop “Not Like the Movies”, que também foi produzida por Greg Wells.

Uma linda canção onde ela conseguiu colocar todos os seus sentimentos para fora. Ao longo dos 44 minutos de agitação do “Teenage Dream”, Katy Perry usa muitos clichês líricos, mas consegue ao seu melhor modo conectar-se de forma convincente com todos que a ouvem. Pois além do talento e carisma, ela usa o seu estrelato pop de uma forma tão divertida que faz tudo parecer uma grande brincadeira. Seja qual for a pessoa que existe debaixo das perucas coloridas, o seu processo de auto-criação tem como finalidade expor a sua arte da melhor maneira possível. Katy Perry nos presenteou com um ótimo trabalho que, mesmo com os seus erros, é um registro muito bem produzido e extremamente cativante. O “Teenage Dream” é um dos álbuns de maior sucesso comercial da história, se eu fosse redigir todos os recordes e números expressivos que esse disco alcançou, essa resenha ficaria ainda mais extensa do que já está. É espantoso o sucesso que esse material atingiu em todo o mundo, mas com certeza o seu maior mérito foi transformar definitivamente Katy Perry em uma das maiores estrelas pop de sua geração!

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.