Review: Katy Perry – PRISM (2013)

Depois de uma série de singles de sucesso, Katy Perry lançou um álbum com composições mais honestas e maduras. Ainda assim, ela não deixou de criar poderosos smash-hits.

Lançado pela Capitol Records em 18 de outubro de 2013, “PRISM” é o terceiro álbum de estúdio da Katy Perry. O álbum gira em torno de temas como viver o presente, relacionamentos e auto-capacitação. Estreou no topo da Billboard 200 dos Estados Unidos com vendas estimadas na primeira semana de 286 mil cópias. Terminou o ano de 2013 como o segundo mais vendido na Austrália e o álbum feminino mais vendido nos Estados Unidos. Perry vêm sendo rotulada como um fenômeno global desde quando estourou com “I Kissed a Girl” e, posteriormente, com o enorme sucesso do “Teenage Dream” (2010). Por isso, muitos aguardavam ansiosamente e criaram altas expectativas com relação ao “PRISM”. Em 29 de julho de 2013, um caminhão de ouro dirigindo em Los Angeles revelou o título e a data de lançamento. Uma forma inusitada e original para o início de divulgação do álbum, que foi precedido pelo lançamento do single “Roar”. Canção esta que tornou-se um enorme sucesso, vendendo em sua primeira semana de lançamento 557 mil downloads digitais apenas nos Estados Unidos. Além disso, foi sua oitava canção a atingir o topo da Billboard Hot 100, parada musical mais importante do mundo. “Roar” é um poderoso hino pop com mensagem de empoderamento feminino por trás. O refrão é extremamente forte e cheio de energia – “Eu tenho o olho do tigre, de uma lutadora dançando no fogo / Porque sou uma campeã e você vai me ouvir rugir” – enquanto há um piano alegre e uma linha de baixo processando no decorrer dos versos.

As guitarras ressoam perfeitamente como um verdadeiro rugido, especialmente na ponte antes do último refrão. Foi um acerto e tanto lançar “Roar” como carro-chefe do álbum, pois a canção transformou-se em um dos maiores hits de sua carreira. “Legendary Lovers” é um dos maiores destaques, principalmente por causa das influências indianas. Desta vez, Perry se sente como Cleópatra e Julieta de Shakespeare, ao descrever o seu amor místico e a paixão que poderia experimentar ao lado do seu amante. “Sua Cleópatra, sua Julieta corada / Qualquer coisa por seu amor / O que der e vier”, ela canta. As cordas orientais, o break enlouquecedor e o refrão absurdamente viciante – “Amantes lendários / Poderíamos ser lendários / La la la la la” – foram pontos-chave de sua construção. “Birthday”, uma das mais cativantes e sexy, nos remete rapidamente à “Last Friday Night (T.G.I.F.)”. Mas graças a produção de Dr. Luke e Max Martin, as mudanças feitas na melodia foram suficientes para torná-la única. Não se engane com o título, pois é uma canção repleta de duplos sentidos que usa o aniversário do seu parceiro como metáfora para uma relação sexual: “Então, vou deixá-lo da forma como você veio ao mundo / É hora de trazer os grandes balões”. Sua produção retrô é um charme à parte, uma mistura de funk e disco dos anos 70 com o pop oitentista. A euforia de “Walking on Air” é incrivelmente contagiante e irresistível, créditos merecidos para o frequente colaborador da Robyn, o produtor Klas Åhlund.

Um verdadeiro hino de deep-house e uma incrível reminiscência do dance-pop dos anos 90, inspirado principalmente por CeCe Peniston e Crystal Waters. O refrão é mágico, flutuante e realizado com doces falsetes: “I’m walking on air (tonight) / I’m walking on air”. Ao longo da música, vários elementos de eurodance e disco são perceptíveis. “Walking on Air” começa com um piano estridente e Perry cantando em seu registro mais baixo sobre sintetizadores, antes da batida triunfante aparecer. Enquanto isso, a ponte é maravilhosamente emotiva – possui um coral gospel e vocais arrepiantes. O segundo single, “Unconditionally”, é a canção favorita da própria Katy Perry. Uma balada poderosa sobre o amor universal influenciada pelo eurodisco com refrão explosivo e cheio de notas altas. A sólida melodia e o instrumental com linha de baixo e tambores marchando encantam com facilidade. Eis que chegamos no melhor momento do álbum: “Dark Horse” em colaboração com Juicy J. Um inesperado e atraente hino trap e uma das músicas mais sexy do álbum. Os vocais sensuais, o instrumental viciante, o ritmo refrigerado, a produção suja, as amostras vocais e a batida de hip-hop foram a combinação perfeita. O refrão final, logo depois do verso do Juicy J, é de arrepiar. Portanto, esteja pronto: “Are you ready for / Ready for?”. Sua rotina com os amigos é detalhada no dance-pop de “This Is How We Do”. Além de fornecer letras divertidas e batidas de hip-hop, Perry faz referências à Mariah Carey.

É uma canção atrevida com refrão cheio de sintetizadores e versos melódicos. Não dá para negar que é muito cativante, embora não se destaque tanto quanto as faixas anteriores. A parte falada, mais precisamente depois do último refrão, acaba quebrando o ritmo. Felizmente, ainda dá tempo de pedir a batida de volta: “No, no, no / Bring the beat back!”. “International Smile”, outra canção influenciada por “Last Friday Night (T.G.I.F.), fecha a primeira metade do repertório. É uma faixa filler e a que mais lembra o “Teenage Dream” (2010). Sua ponte é quase um rabisco de “Love Digital” do Daft Punk. Liricamente, ela menciona alguns nomes de cidades, incluindo o Rio de Janeiro, e o seu único ponto positivo é o refrão que, inevitavelmente, fica preso na cabeça. A introspectiva “Ghost” foi escrita para o seu ex-marido, o comediante Russell Brand, com quem foi casada durante quatorze meses. A letra fala sobre sua recuperação após o divórcio e abre com a seguinte frase: “Você enviou uma mensagem / É como se o vento fizesse você mudar de ideia”. Ela se refere ao fato do seu casamento terminar via SMS. É uma balada com refrão admiravelmente belo e honesto. Apesar de bem escrita, a discreta produção de Bloodshy em “Love Me” é com certeza o momento mais esquecível do “PRISM”. Ela é construída em torno de um ágil piano e ritmo suave que infelizmente não convenceram. A emotiva “This Moment”, por outro lado, é uma balada sentimental inspirada em “Dancing On My Own” da Robyn.

Uma canção pop que fala sobre aproveitar o presente e a importância do futuro encomendada pela produção de Stargate e Benny Blanco. “Double Rainbow”, co-escrita pela Sia e produzida pelo Greg Kurstin, é uma balada brilhante com letras que transmitem uma melancolia agradável. Além de fornecer belos vocais, Perry soa extremamente confortável. O piano pegajoso da vulnerável “By the Grace of God” também possui letras inspiradas pela dissolução traumática do seu casamento. Ela começa apenas com piano e vocais devastadores enquanto Perry confessa suas reflexões suicidas depois do divórcio. Coloquei um pé na frente do outro / Olhei no espelho e decidi ficar / Não ia deixar o amor me levar para fora do meu caminho”, ela canta. Posteriormente, outros instrumentos como bateria e sintetizadores são incluídos na mistura. “Spiritual” abre a versão deluxe do álbum da melhor maneira possível. Uma balada extremamente encantadora, angelical e doce. Sem dúvidas, é uma das melhores coisas da carreira da Katy Perry. Co-escrita por John Mayer, seu namorado na época, ela possui elementos gospel e uma das melhores letras do registro. Em “It Takes Two”, ela estica o pop até o soul com ajuda lírica da britânica Emeli Sandé. As letras são bem elaboradas, o piano e a guitarra bastante poderosos, e o refrão extraordinariamente fantástico. O “PRISM” encerra perfeitamente com mais uma linda balada: “Choose Your Battles”. Produzida por Greg Wells, ela possui tambores tribais, foco na bateria e vocais surpreendentemente suaves.

Quando a canção se aproxima do final fica ainda mais brilhante – com versos misturando-se com o refrão e a percussão acelerando até se desintegrar. O sucesso do “Teenage Dream” (2010) foi tão grande que tivemos que esperar três anos para um novo lançamento da Katy Perry. Foi um álbum perfeito para definir sua carreira e se tornar um filtro para os seus sucessores. Com o “PRISM”, ela teve tudo para agradar novamente a massa, pois possui uma abordagem semelhante ao antecessor, mas com composições melhores e mais honestas. Percebemos que ela amadureceu e obteve um crescimento pessoal e artístico ao longo dos últimos anos. As primeiras canções que aparecem no repertório são as mais otimistas e cotadas para futuros singles. Grandes números pop, tudo o que você esperaria da Katy Perry após o sucesso do “Teenage Dream” (2010). “Dark Horse”, “Walking On Air” e “Legendary Lovers”, em especial, estão em outro nível. A segunda metade é preenchida por faixas midtempo, baladas e produção mais dramática. O “PRISM” poderia ser melhor se as posições ocupadas por “This Is How We Do”, “International Smile” e “Love Me”, tivessem sido substituídas pelas três faixas da versão deluxe. Katy Perry já possui uma série de singles de sucesso em seu currículo e com certeza esse número aumentou com o “PRISM” – um projeto dinâmico e brilhante que mostra um lado mais maduro e sua boa capacidade de conectar experiências com o público.

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Favorite Tracks:

“Legendary Lovers” / “Walking On Air” / “Dark Horse (feat. Juicy J)”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.