Resenha: Katy Perry – PRISM

Lançamento: 18/10/2013
Gênero: Pop, Pop Rock, Eletropop, Dancepop, House
Gravadora: Capitol Records
Vendas: 3.7 milhões
Produtores: Katy Perry, Dr. Luke, Max Martin, Klas Åhlund, Benny Blanco, Bloodshy, Cirkut, Greg Kurstin, Greg Wells e StarGate.

“PRISM” é o quarto álbum de estúdio de Katy Perry, lançado pela Capitol Records em 18 de outubro de 2013. A cantora trabalhou com vários colaboradores de longa data em sua produção, principalmente com Dr. Luke, Max Martin e Cirkut. O álbum gira em torno de temas como viver o presente, relacionamentos e auto-capacitação. Estreou no topo da Billboard 200 dos Estados Unidos com vendas estimadas na primeira semana de 286 mil cópias. Também chegou ao primeiro lugar em outros inúmeros países, incluindo Reino Unido, Canadá, Austrália, Irlanda e Nova Zelândia. Terminou o ano de 2013 como o segundo mais vendido na Austrália e o álbum feminino mais vendido nos Estados Unidos. Perry vêm sendo rotulada como um fenômeno global desde quando estourou com o hit “I Kissed a Girl” e, posteriormente, com o enorme sucesso do álbum “Teenage Dream”. Por isso muitos aguardavam e criaram expectativas com relação ao lançamento do “PRISM”.

Em 29 de julho de 2013 um caminhão de ouro dirigindo em Los Angeles revelou o título e a sua data de lançamento. Uma forma inusitada e bem original para o início da divulgação do álbum, que foi precedido pelo lançamento do single “Roar”. Canção esta que tornou-se um enorme sucesso, vendendo em sua primeira semana de lançamento 557 mil downloads digitais apenas nos Estados Unidos. Também foi a sua oitava canção a atingir o topo da Billboard Hot 100, parada musical mais importante do mundo. “Roar” é a faixa de abertura, um poderoso hino pop muito bem construído e com uma mensagem de empoderamento feminino por trás. O seu refrão é extremamente forte e cheio de energia, “I got the eye of the tiger, a fighter / Dancing through the fire / ‘Cause I am a champion / And you’re gonna hear me roar”, enquanto há um piano alegre e uma linha de baixo processando no decorrer dos outros versos. As guitarras presentes aqui ressoam perfeitamente como um verdadeiro rugido, especialmente, na ponte antes do último refrão.

Foi um acerto e tanto lançar “Roar” como carro-chefe do álbum, pois a canção transformou-se em um dos maiores hits de sua carreira. A segunda faixa “Legendary Lovers”, com suas influências indianas, é um dos destaques. Desta vez Perry se sente como Cleópatra e Julieta de Shakespeare, ao descrever o seu amor místico e a paixão que poderia experimentar ao lado do seu amante (“Your Cleopatra, your blushing Juliet / Anything for you love, a ride or die”). As cordas orientais, o break enlouquecedor e o refrão absurdamente viciante, “Legendary lovers / We should be legendary / La la la la la”, foram pontos chave para a construção dessa perfeita canção. “Birthday”, uma das mais cativantes e sexy, nos remete rapidamente à “Last Friday Night (T.G.I.F.)” do seu disco anterior. Mas graças a produção de Dr. Luke e Max Martin, as mudanças feitas na melodia foram suficientes para torná-la única. Não se engane com o título dessa faixa, pois ela é repleta de duplos sentidos (“So let me get you in your birthday suit / It’s time to bring out the big balloons”).

Katy Perry

A sua produção retrô é um charme à parte, uma mistura do funky dos anos 1970 com o pop oitentista. A euforia de “Walking on Air” é incrivelmente contagiante, créditos merecidos para o frequente colaborador de Robyn, o produtor Klas Åhlund. Um verdadeiro hino house e uma incrível reminiscência do dancepop dos anos 1990, inspirado principalmente em CeCe Peniston e Crystal Waters. O seu refrão é mágico, realizado com doces falsetes que fazem qualquer um cantar junto: “I’m walking on air (tonight) / I’m walking on air”. O segundo single do disco foi a faixa “Unconditionally”, a canção favorita de Perry no “PRISM”. Uma balada poderosa sobre o amor universal, influenciada pelo eurodisco e com um refrão explosivo cheio de notas altas. A sua melodia sólida e o instrumental com tambores marchando conseguem encantar. Eis que chegamos no melhor momento do álbum, a faixa “Dark Horse” em colaboração com o rapper Juicy J. Um inesperado hino trap muito atraente e uma das músicas mais sexy do álbum.

Os vocais sensuais de Perry, com um instrumental viciante e uma batida de hip-hop foram a combinação perfeita. O refrão final, logo depois dos versos de Juicy J, é de arrepiar, portanto, esteja pronto: “Are you ready for / Ready for?”. A rotina da cantora com seus amigos é detalhada no eletro-pop de “This Is How We Do”, onde inclusive é feita uma referência a cantora Mariah Carey. É uma canção atrevida e com um refrão cheio de sintetizadores e versos melódicos. É uma música agradável, porém, não destaca-se tanto como as faixas anteriores. Uma parte dela é falada, mais precisamente depois do último refrão, o que acaba quebrando um pouco o seu ritmo. Felizmente ainda dá tempo de Perry pedir a batida de volta: “No, no, no / Bring the beat back!”“International Smile” é outra faixa influenciada por “Last Friday Night (T.G.I.F.) e fecha a primeira metade do disco. É uma faixa bem filler e a que mais lembra o álbum “Teenage Dream”. Sua ponte é quase um rabisco de “Love Digital” de Daft Punk.

Na letra ela menciona alguns nomes de cidades, incluindo o Rio, e o seu único ponto positivo é o refrão que querendo ou não, vicia. A introspectiva “Ghost” foi escrita para seu ex-marido, o comediante Russell Brand, com quem foi casada durante 14 meses. A letra fala sobre sua recuperação após o divórcio e abre com um, “You sent a text / It’s like the wind changed your mind”, referindo-se ao fato do seu casamento acabar via SMS. É uma linda balada, com um belo refrão e, admiravelmente, honesta. Apesar da boa letra, a discreta produção de Bloodshy em “Love Me” é com certeza o momento mais esquecível do “PRISM”. É construída em torno de um ágil piano, ritmos suaves e crescentes que, infelizmente, não convenceram. O vocal de Perry está muito emotivo em “This Moment”, uma sentimental balada com uma produção inspirada em “Dancing On My Own” de Robyn. É uma boa canção pop, que fala de aproveitar o presente e a importância do futuro, encomendada pela produção de StarGate e Benny Blanco.

Katy Perry

“Double Rainbow”, co-escrita por Sia Furler e produzida por Greg Kurstin, é uma balada brilhante com uma letra que transmite uma melancolia agradável. Os vocais de Perry estão lindos nessa faixa e ela ainda soa extremamente confortável, uma das minhas baladas favoritas do álbum. O piano pegajoso da vulnerável “By the Grace of God” também teve sua letra inspirada na dissolução traumática de seu casamento. Ela começa apenas com o piano e vocais devastadores de Perry, que confessa suas reflexões suicidas depois do divórcio (“And I looked in the mirror / And decided to stay / Wasn’t gonna let love take me out that way”)“Spiritual” abre a versão deluxe do álbum da melhor maneira possível. É uma balada extremamente encantadora, cativante e doce. Sem dúvidas, é uma das melhores coisas da carreira de Katy Perry. Co-escrita por John Mayer, seu namorado na época, é a mais atraente do disco, possui elementos gospel e uma de suas melhores letras.

Em “It Takes Two” a cantora estica o seu pop até o soul, com ajuda da cantora britânica Emeli Sandé em sua composição. Sua letra é muito bem elaborada e o refrão é extraordinariamente poderoso. O “PRISM” encerra da melhor maneira possível, com mais uma perfeita balada: “Choose Your Battles”. Produzida por Greg Wells, essa possui tambores tribais ecoando, foco na bateria e vocais suaves de Perry durante todo o curso da música. Quando a canção aproxima do seu final fica ainda mais brilhante, com os versos, “If you wanna go, then go / If you wanna stay then stay / I don’t wanna fight no more, anyway”, misturando-se com o refrão e a percussão acelerando até desintegrar. O sucesso do “Teenage Dream” foi tão grande que tivemos que esperar três anos para um novo lançamento de Katy Perry. Foi um álbum perfeito para definir a carreira da cantora e tornar-se um filtro para os seus sucessores. E com o “PRISM” ela tem tudo para agradar novamente a massa, pois veio com uma abordagem semelhante ao antecessor, porém, adicionado com melhores composições e músicas mais honestas.

Percebemos claramente que a cantora amadureceu e obteve um crescimento pessoal e artístico ao longo dos últimos anos. As primeiras canções que aparecem no repertório são as mais otimistas e mais cotadas para futuros singles. Grandes números pop, tudo o que você esperaria de Katy Perry após o sucesso dos singles cativantes do “Teenage Dream”. “Dark Horse”, “Walking On Air” e “Legendary Lovers”, em especial, estão em outro nível. A segunda metade do álbum é preenchido por faixas mid-tempo, baladas e uma produção mais dramática. O “PRISM” poderia ter ficado ainda melhor se as posições ocupadas por “This Is How We Do”, “International Smile” e “Love Me”, tivéssem sido substituídas pelas três faixas da versão deluxe, que são melhores que metade do álbum. Enfim, Katy Perry já possui uma série de singles de sucesso em seu currículo e com certeza esse número vai aumentar com o “PRISM”. Pois é um disco dinâmico, brilhante, que mostra um lado mais maduro da cantora e a sua boa capacidade de conectar experiências com o público.

76

Favorite Tracks: “Roar”, “Legendary Lovers”, “Walking On Air”, “Unconditionally” e “Dark Horse (feat. Juicy J)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Cintia Santos

    Ameeeeei essa review! Katy ❤?

    • Leo Almeida

      Fico feliz que tenha gostado Cintia! 😀