Resenha: Katy B – Little Red

Lançamento: 07/02/2014
Gênero: Eletrônica, Dance Pop, House
Gravadora: Columbia / Sony Music
Produtores: The Arcade, The Invisible Man, Geeneus, George FitzGerald, Joker, Route 94, Sampha, Jacques Greene, Moto Blanco, Fraser T. Smith, M. J. Cole, Al Shux e Huxley.

“Little Red” é o segundo álbum de estúdio da britânica Kathleen Anne Brien, mais conhecida por Katy B. O álbum inclui os singles “5 AM” e “Crying for No Reason”, e estreou na primeira posição da parada de álbuns do Reino Unido. “Little Red” vem recebendo muitas críticas positivas, merecidas por sinal, depois de lançar o “On a Mission” que é muito bom, ela nos trouxe outro ótimo trabalho em 2014.  Katy B tem uma ótima voz e o disco é eletrônico do começo ao fim, com algumas influências de dubstep, house music e um toque de R&B. Embora a maioria das canções pop atuais usem muitos efeitos nas vozes, como auto-tune, no “Little Red” deixaram a voz da britânica em primeiro plano e isso é muito agradável.

Os singles são um destaque nesse álbum, duas grandes pegajosas canções eletrônicas. A maioria das músicas possuem uma sonoridade eletrônica mais crua e que se encaixam, muito bem, com os vocais de Katy B. A primeira faixa, “Next Thing”, pulsa com a energia dos anos 1990, mas ao mesmo tempo é muito moderna, enquanto “5AM”, é cantanda sobre sintetizadores e batidas descontraídas de house, entoando versos bem melosos no refrão: “It’s 5am / Alone, my own / (I just need someone to talk with me) / I lost my friends / I check my phone / (Still searching for someone to walk with me)”. Junto de Jessie Ware, uma das vozes responsáveis pelo melhor do R&B britânico, Katy B interpreta no disco uma canção que leva o nome da inesquecível cantora Aaliyah.

Elegantemente as duas conseguem homenagear, mesmo que indiretamente a famosa cantora de R&B, que faleceu em agosto de 2001. Uma faixa hipnótica sobre uma garota que assiste o seu namorado DJ ficar fascinado por uma misteriosa garota no meio da multidão, enquanto também, faz o tributo à igualmente hipnotizante estrela de R&B. A próxima canção é a maravilhosa “Crying for No Reason”, que se destaca pela sua intensidade e melodia romântica, uma deslumbrante balada dance-pop. “Forgive me now ‘cause I said that I’ll be there for you, care for you”, assim relata Katy B ao invocar a auto-piedade. “Crying for No Reason” é uma balada realmente majestosa e com toques orquestrais, onde Katy B seduz com seu charme e belos vocais.

Katy B

Em seguida, há uma mudança de estado de espírito no álbum em “I Like You”, onde a ingenuidade lírica desajeitada do “On a Mission” aparece. Com uma sonoridade mais genérica, essa faixa agrada por conta de sua simplicidade e sutileza, mesmo não oferecendo nenhuma grande surpresa. “All My Lovin'” é outro acerto do “Little Red”, que nos remete, novamente, as raízes de Brien. Inicialmente, parece ser mais uma canção genérica, que flerta com o dubstep. Mas conforme o tempo passa, demonstra ser uma ótima balada e com um sublime vocal de Katy B. Não posso negar que realmente é um dos destaques do álbum. “Tumbling Down” é outra canção mid-tempo bem noventista. Aqui, ela até consegue usar truques eficazes ao trabalhar com uma execução sucessiva de sintetizadores, porém, é uma música fraca se comparada ao restante do álbum.

“Everything”, oitava faixa, possui um refrão bem chiclete (“I’ll be the one, I’ll be the one, I’ll be the one”) que gruda facilmente na cabeça, enquanto Katy canta repetidamente sobre uma batida tech house. “Play”, por sua vez, é um dueto com Sampha, onde a britânica mostra que sua voz se beneficia quando em harmonia com outra. É uma canção exótica e com toques clássicos aparecendo no momento certo durante sua execução. Em “Sapphire Blue” a produção de Jacques Greene é mais contida que o normal. Uma balada com um toque eletrônico mais “frio” e que passa despercebido por ser bem comum. “Emotions”, penúltima faixa, é uma balada quase dramática e com uma pancada certeira de sintetizadores que mantém o bom clímax do registro. As suas batidas são muito bem elaboradas, enquanto a letra é bonita, emocional e cumpre o objetivo.

Encerrando o registro temos “Still”, outra envolvente canção dance pop, que mistura sua ótima composição acompanhada de um piano com uma produção cheia de energia. Provavelmente, “Still” poderia ter funcionado ainda melhor se estivesse em outra posição no repertório, mas nada que a enfraqueça. Katy B mostrou que sabe combinar o ritmo eletrônico com outros gêneros, fazendo o “Little Red” ser mais um grande passo em sua carreira. O clímax desse álbum é um dos seus pontos mais eficientes, pois o torna bem consciente ao seu amplo contexto musical. É um trabalho inteligente, que liricamente fala sobre o vazio e fim da noite, corações partidos e a mágica de dançar sem se importar com o mundo ao seu redor. Não traz novos elementos para o gênero eletrônico ou inova a música pop, mas com o “Little Red” a cantora soube fugir, na maior parte do tempo, de momentos clichês, genéricos e manteve o seu vocal limpo e sempre em primeiro plano, algo que é merecedor de aplausos.

74

Favorite Tracks: “5 AM”, “Crying for No Reason”, “I Like You”, “All My Lovin'” e “Emotions”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.