Resenha: Kasabian – 48:13

Lançamento: 06/06/2014
Gênero: Rock Eletrônico, Trip Hop, Eletrônica, Neo-Psicodelia
Gravadora: Columbia / Sony Music
Produtor: Sergio Pizzorno.

A banda de rock-alternativo Kasabian, formada por Tom Meighan, Sergio Pizzorno, Chris Edwards e Ian Matthews, lançou em junho de 2014 o seu quinto álbum de estúdio. Produzido pelo guitarrista Sergio Pizzorno, foi nomeado de “48:13” como referência ao tempo total de execução do registro. Está sendo promovido pelos singles “eez-eh” e “bumblebeee”, e estreou na primeira posição do Reino Unido, sendo a quarta vez que a banda consegue tal façanha. Pizzorno disse em uma entrevista que “se sentia confiante para ser mais direto e honesto com esse trabalho”. Ele optou por um material mais enxuto, desde o nome do álbum até os títulos das faixas individuais, que são todas em letras minúsculas e tags de uma palavra só, em vez de declarações detalhadas. Outra mudança perceptível foi a ausência dos riffs de guitarras em prol daqueles predominantemente movidos pelos sintetizadores. Sem dúvida, foi um movimento corajoso e muito bem executado. Novamente, eles conseguiram agitar de forma verdadeiramente contagiante e coesa em um total de treze faixas. “(shiva)”, uma introdução de 67 segundos que abre o álbum, fornece sutis movimentos eletrônicos que, em seguida, são incrivelmente substituídos pela agitada “bumblebeee”. Uma canção hard-rock experimental e menos consistente, com um refrão descrito por Pizzorno como uma mistura de Led Zeppelin e Rise Against the Machine.

“bumblebeee” ainda conta com vozes e instrumentos distorcidos que trabalham em conjunto a fim de formar um refrão que faz alusões às drogas: “Estou em êxtase”. A faixa seguinte, “stevie”, mostra o quanto a banda está preparada para tocar em grandes festivais. É uma das canções de rock-alternativo mais grandiosas do álbum, seja pelo refrão radiofônico ou combinação de sons psicodélicos e eletrônicos. Suas cordas assustadoras ainda cooperam para formar um clímax incrivelmente intenso. A terceira faixa, “(mortis)”, é outro interlúdio com apenas 47 segundos que antecipa a cativante “doomsday”. Apesar do conteúdo lírico clichê – “À espera de uma melhor vida / Eu estou esperando para conseguir isso” – é uma canção pulsante que consegue injetar uma grande carga de energia, com o seu som ska-pop apresentado por meio de um filtro eletrônico. Em “treat”, uma extensa cota de dance-rock estende-se durante quase sete minutos. É, sem dúvida, um dos maiores destaques do repertório, seja pelo ritmo eufórico ou sintetizador oitentista de quase três minutos. Pode soar perigoso colocar uma faixa tão sobrecarregada no álbum, porém, a introdução agradavelmente funky e a sua primeira metade, cheia de componentes eletrônicos, conseguem segurar as pontas. Durante a faixa “glass” temos vocais ecoando sobre uma guitarra oriental e uma melodia surpreendentemente triste.

Liricamente, não é uma canção tão forte, no entanto, consegue encantar graças a musicalidade do multi-instrumentista Serge Pizzorno. A oitava faixa, “explodes”, transmite uma sensação hipnotizante por conta das batidas e profundidade do conteúdo lírico: “Você prefere morrer em seus pés  / Do que viver uma vida de joelhos”. Definitivamente, é uma canção elegante que ainda fornece melodias compostas pelo influente grupo alemão Kraftwerk. O último interlúdio, “(levitation)”, com sua sonoridade psicodélica de 79 segundos dá espaço, em seguida, para os primeiros acordes de “clouds”. Essa última é aquele tipo de música ideal para ser cantada nos shows ao vivo da banda. É uma canção que realmente agita, principalmente pela euforia e vocais distorcidos. O dance-rock “eez-eh” cumpre perfeitamente o seu objetivo, pois é extremamente dançante. Apesar da letra tecnicamente fraca – “Todo mundo está em Bugle / Agora que estamos sendo observados pelo Google” – consegue melhorar a cada nova escuta. “bow” possui um apelo comercial maior que as demais, especialmente por causa dos recursos repetitivos e sonoridade mais pop. Mesmo com a entrega mainstream, não deixa de ser uma canção agradável com melodias sorrateiras e refrão lindamente melancólico. O álbum encerra com a encantadora “s.p.s”, uma linda balada que evita a abordagem e estilo robótico presente na maioria das outras faixas.

Um sensível número acústico com vocais suaves e atmosfera maravilhosamente íntima. Mais uma vez, a banda Kasabian conseguiu fazer um trabalho convincente e extremamente divertido. Porém, embora “48:13” seja um ótimo entretenimento, você não encontrará um conteúdo profundo, até porque liricamente eles nunca foram tão fortes. Dito isto, esse álbum vai agradar os maiores fãs da banda, no entanto, para outras pessoas pode soar um pouco datado. Para deixar mais claro, não é um registro brilhante ou formidável, mas se há uma coisa boa a ser dita ao seu respeito, é que o Kasabian o produziu concentrando-se em serem eles mesmos a todo momento. Um álbum recheado principalmente, como já mencionado, por músicas prontas para fazer todos pularem em festivais e grandes shows de verão. O título, a abordagem das faixas e os interlúdios ajudaram, uma vez que esses caras funcionam bem quando definem uma ideia ou direção para seus trabalhos. “48:13”, em homenagem a seu tempo de execução, é certamente um passo à frente do dance-rock que a banda Kasabian é tão conhecida. No geral, contém uma forte abordagem eletrônica, alguns elementos de hip-hop e interessantes influências psicodélicas. Em última análise, ressalto para os que ainda não escutaram o álbum, que os destaques são “treat”, que aborda perfeitamente a marca do Kasabian, e “s.ps.”, um doce hino sobre a amizade entre o vocalista Tom Meighan e o guitarrista Sergio Pizzorno.

Favorite Tracks: “bumblebeee”, “treat” e “s.p.s”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.